Identidade

Identidade

Ele chegou sem pedir licença... leve e aconchegante como a brisa do mar em dia de verão... e em outra língua,

me leu.

Há homens que tocam primeiro a pele.

Ele tocou o tempo.

Esse lugar onde a minha mulher já sabe

o que quer

— e o que não aceita mais.

Sua voz tem o peso do vinho servido lento,

da palavra que demora

porque sabe exatamente onde quer pousar.

Italiano no acento,

antigo no gesto,

perigosamente atento a mim.

Com ele, o desejo não explode.

Se instala. Inunda. Fecunda terra de futuro e mãos dadas .

Começa na conversa que se aproxima,

no olhar que demora,

na mão que não invade

— mas incita e convida.

Quando me toca,mesmo que distante, acende a mulher que

não quer urgência. Mas verdade e intenção

É o tipo de toque que conhece o caminho,

mas aprecia o desvio.

Que não procura o corpo

— o reconhece.

E eu, que já não me entrego por desvario ou vertigem,

me dou a ele por vontade.

Entre nós, o silêncio também é amor.

Ele encosta.

Respira junto. Sonha com os próximos passos.

O desejo mora ali:

na pausa,

na proximidade,

no quase que se sustenta

porque sabe ser inteiro.

Há amores que querem tudo.

Esse me quer presença.

E isso, curiosamente,

é o que mais me desnuda"

56 Visualizações
Veja Também Quando a vida recomeça
Roberta de Moraes

Roberta de Moraes

Roberta de Moraes, 53 anos, é paulistana, mãe e radialista por formação. Modelo há mais de 30 anos, está à frente de campanhas publicitárias, de moda e beleza, pela força de sua representatividade. Foi produtora de tv nas emissoras Rede Manchete, Tv Omega ( Rede TV!) e Rede Gazeta de televisão. Comunicadora nata, atualmente, Roberta concilia os trabalhos como modelo e influenciadora, às criações de pautas, roteiros e produções dos episódios do podcast Mulher Maravilha e, aos textos, contos, poesias e crônicas de sua coluna semanal, a Afeto entre linhas, no portal do jornalista Luiz Andreoli.
Veja todas as minhas matérias

1 comentário

  1. Eduardo Alves disse:
    "Nobre Roberta, e inclemente fonte que outrora transbodou-se semanalmente, me deixou um pico de euforia enquanto que em constância proferiu " há saudades que doem o corpo" ou outros trechos mais, que de forma singular tornaram por reverberar na mente de algum(a) poeta amigo(a) meu(a), decerto que guiada por escritos em cadernos originais deixados ante a cabeceira de madeira; e que dotados de ingável verve, viscerais, serviralham-lhe apenas como rascunho, cuspidos, vomitados; vindos do mais alto clérigo do interno artístico, ainda me colocam em posição de questionar-lhe tal falta de andaça poética, visto que tais talentos são tão caros àqueles que lhe admiram e que lhe adoram mesmo que à distância. Fraternalmente: desejo, e preciso de ler-te mais, a fim de que de não me mantenha sempre o mesmo; posto que o amor à letra é rocha de fé na troca de estação, e rima cogitada em verso branco antes de ser poema. Por fim, certeza de vida eterna, mesmo que na beleza do olhar 'ao' longe...".

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe esta notícia

Mais postagens