Mozart: Entre Palácios e a Vala Comum - Uma Genialidade Universal, uma Fragilidade Humana

Mozart: Entre Palácios e a Vala Comum - Uma Genialidade Universal, uma Fragilidade Humana

Olá meus amigos queridos,

Você conhece alguém que tem enormes dificuldades de se relacionar com pessoas, ainda que seja muito inteligente e capaz de fechar contratos extraordinários do ponto de vista do mundo dos negócios?
Você conhece alguém que pode ser considerado um gênio, mas vive uma fragilidade humana inegável?
Alguém que pode produzir, falar em público, se expressar com eloquência brilhante, mas que, ao mesmo tempo, é incapaz de cultivar amizades verdadeiras ou manter uma relação saudável com a família?
Alguém que gasta infinitamente mais do que ganha?

Pois bem, eu também conheço gente assim. Infelizmente.

E fomos lembrados disso ao visitar, na semana passada, a casa onde nasceu Wolfgang Amadeus Mozart, em Salzburgo, em 1756.

Mozart era um gênio, aplaudido nos palácios — mas enterrado sem honras.
Mozart tornou-se riquíssimo — mas jamais foi capaz de guardar um centavo.
Mozart compunha obras imortais — mas não sabia compor a própria vida.

A impressão que fica ao ler a sua história é que a sua música foi perfeita, mas a sua vida foi uma profunda nota desafinada, fora de todos os diapasões da existência.

Enquanto líamos os fatos extraordinários sobre Mozart, as nossas meninas perguntavam:

“Mamãe, por que Mozart era um gênio, mas tinha dificuldades de ter uma relação saudável com os amigos e, sobretudo, com as mulheres?”

“Papai, por que afinal ele decidiu deixar Salzburgo e viver longe do pai em Viena?”

“Mamãe, como alguém que ganhou tanto dinheiro era capaz de gastar muito mais e terminar a vida quase como um indigente, enterrado em um lugar que nem mesmo era seu?”

“Papai, como foi possível morrer com apenas 35 anos de idade?”

Genialidade universal. Fragilidade humana.

Na casa onde Mozart nasceu — hoje um museu repleto de partituras, instrumentos, roupas e quadros que retratam a sua vida fascinante — um deles mostra os seus últimos dias. Mozart morreu em Viena, em 5 de dezembro de 1791, aos 35 anos, provavelmente em decorrência de uma febre reumática ou infecção. Apesar de ter sido um dos maiores músicos de sua época, morreu endividado e debilitado.

A Johnna nos explicava como ele foi enterrado sem nenhum padrão de nobreza, ainda que tivesse convivido com reis e aristocratas a vida inteira. O seu caixão não tinha luxo nem pompa. Era o paradoxo de uma vida de glamour que terminou em silêncio anônimo.

A pressão do pai marcou a sua vida. Aos cinco anos já tocava para os reis e nobres nos palácios da Europa. Leopold, seu pai, era ao mesmo tempo mentor e empresário, mas também uma figura opressiva. Talvez por isso Mozart tenha decidido mudar-se para Viena, libertando-se daquela autoridade. A Johnna também nos disse que ele chegou a dizer que Viena era a melhor cidade do mundo justamente por estar longe de Salzburgo — e de seu pai.

Uma história extraordinária, mas que nos traz profundas reflexões sobre a vida. Porque Mozart não está tão distante assim de nós.
Há gente ao nosso redor que vive entre aplausos públicos e solidão privada.
Há quem brilhe em palcos e fracasse em lares.
Há quem componha músicas imortais, mas não consiga compor relações duradouras.

No fim, talvez o maior desafio da vida não seja escrever sinfonias para reis, mas aprender a viver em harmonia com aqueles que caminham ao nosso lado.

A história de Mozart me fez lembrar uma reflexão que compartilhei há duas semanas na Igreja Anglicana de Lyon: de que adianta ganhar o mundo inteiro e ter a esposa infeliz? De que adianta conquistar o aplauso de milhares de seguidores no Instagram e no YouTube se perdemos a alma das nossas filhas?

A música de Mozart continua viva pelos séculos, ouvida nos melhores concertos do planeta. Mas eu, por minha vez, quero prestar atenção na melodia que a minha vida está deixando, enquanto cuido das minhas filhas, abraço a minha esposa, olho nos olhos dos meus amigos e cuido daqueles que um dia cuidaram de mim.

Até a próxima.

Fábio

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Fábio Muniz

Fábio Muniz

Fábio Muniz, originalmente do Brasil. Ele tem viajado ao redor do mundo nestes últimos 20 anos e acumulado inúmeras experiências multiculturais. Graduado em Administração de Empresa pela Universidade São Judas Tadeu. Possui um Máster em Marketing pela Universidade de Barcelona. Atualmente vive em Lyon, França. Ele é apaixonado pelo estudo das culturas, história e antropologia. Além de ter trabalhado com Marketing e Recursos Humanos, ele também é formado em Acompanhamento Espiritual pela North Park Theological Seminary onde recentemente também iniciou o seu Mestrado em Divindade. Fábio é autor do livro Upside Down Evangelism: How Not to Manipulate People in a Post Modern, Post Christian, Spiritually Alive Globalized World. Ele é casado com Johnna que nasceu nos Estados Unidos. Eles têm duas filhas: Sophia, nascida na Flórida, e Julia, nascida em Yokohama. Atualmente ele e Johnna formam parte da equipe Serve Globally, uma ONG com sede em Chicago, que tem projetos sociais espalhados por quase todo o mundo. Fábio e Johnna trabalham como pontes culturais, utilizam as suas experiências internacionais e através de 6 (seis) idiomas desenvolvem programas de integração cultural e social, seminários e palestras com o objetivo de servir a comunidade francesa, aos estrangeiros, imigrantes e refugiados. E-mail: [email protected] Blog: http://blogs.covchurch.org/fjmeurope/ Projetos: https://www.meetup.com/International-Hangout-and-Language-Exchange/ https://www.meetup.com/Coffee-and-English-at-Starbucks-Gratte-Ciel/ Instagram: @repensando_2017
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