Quando os adultos desaprendem a dançar

Quando os adultos desaprendem a dançar
Créditos: GEMINI

As meninas estão de férias.
Eu as observo: brincam, dançam, vivem.

Júlia, por exemplo — ainda tem apenas 8 anos.
Ela dança. Ela pula. Ela corre. Ela ri.
Ela discorda da Sophia. Fica brava.
Mas, depois de alguns minutos, voltam a brincar, a rir, a dançar.

Tudo recomeça, como se o coração delas não soubesse guardar rancor ou amargura.

E então me pergunto:
Quando foi que nós, adultos, desaprendemos a dançar?
Quando foi que nos tornamos tão duros, tão sérios, tão contidos?
Por que levantamos muros, criamos couraças, e nos tornamos impermeáveis?
Por que nos custa tanto perdoar, esquecer, deixar ir?

A competição entre crianças, com toda sua intensidade, ainda é leve —
uma travessura de instantes.

Mas entre os adultos...
a competição é muda, disfarçada, quase elegante —
e, por isso mesmo, mais cruel.

E então, quero parafrasear Rubem Alves:
“A gente morre quando deixa de brincar.”

As crianças não têm passado, nem futuro — apenas o presente. Apenas o hoje.

Se o que vale é o hoje, então agarre-o com toda a intensidade.
Se o que vale é o hoje, não permita, por algo pequeno ou insignificante,
que uma amizade de tantos anos se esvaia até desaparecer.

Se o que vale é o hoje, então dance. Brinque.
Tome o seu café com gratidão.
Faça das suas refeições uma oportunidade de conversar, de aprender,
de se reconectar com compassos que você já não ouvia há muito tempo.

E então, reaprenda a ser uma criança.

Até a próxima.
Fábio
Collonges au Mont d'Or

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Fábio Muniz

Fábio Muniz

Fábio Muniz, originalmente do Brasil. Ele tem viajado ao redor do mundo nestes últimos 20 anos e acumulado inúmeras experiências multiculturais. Graduado em Administração de Empresa pela Universidade São Judas Tadeu. Possui um Máster em Marketing pela Universidade de Barcelona. Atualmente vive em Lyon, França. Ele é apaixonado pelo estudo das culturas, história e antropologia. Além de ter trabalhado com Marketing e Recursos Humanos, ele também é formado em Acompanhamento Espiritual pela North Park Theological Seminary onde recentemente também iniciou o seu Mestrado em Divindade. Fábio é autor do livro Upside Down Evangelism: How Not to Manipulate People in a Post Modern, Post Christian, Spiritually Alive Globalized World. Ele é casado com Johnna que nasceu nos Estados Unidos. Eles têm duas filhas: Sophia, nascida na Flórida, e Julia, nascida em Yokohama. Atualmente ele e Johnna formam parte da equipe Serve Globally, uma ONG com sede em Chicago, que tem projetos sociais espalhados por quase todo o mundo. Fábio e Johnna trabalham como pontes culturais, utilizam as suas experiências internacionais e através de 6 (seis) idiomas desenvolvem programas de integração cultural e social, seminários e palestras com o objetivo de servir a comunidade francesa, aos estrangeiros, imigrantes e refugiados. E-mail: [email protected] Blog: http://blogs.covchurch.org/fjmeurope/ Projetos: https://www.meetup.com/International-Hangout-and-Language-Exchange/ https://www.meetup.com/Coffee-and-English-at-Starbucks-Gratte-Ciel/ Instagram: @repensando_2017
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2 comentários

  1. Orfeo Robert disse:
    Eu sempre digo que a música é a dança da alma. Alguns precisam aprender a dançar, mas outros ja nascem dançando. Boa lembrança a tua do Rubem Alves que diz ou exorta-nos a nunca parar-mos de brincar/dançar...... Quem dança com alegria, dança muito melhor.....eu até creio que muitos que gostam de dançar, como eu, tambem cantam simultaneamente quando dançam .......e todos estes detalhes corroboram para que nunca paremos de dançar/cantar... Até porque, como voce colocou muito bem, quem náo canta dançando ou quem näo dança cantando, vai desaprender !!!! e depois para continuar, vai ter que reaprender.....Mas nunca é tarde.......ksksksksksksksksksksksksksksksksk
    1. Fabio Muniz disse:
      Que maravilha de comentário. Obrigado, Orfeo!
      Que gostoso ler os teus trocadilhos e pensar que os anos vão passando, e muitas vezes a vida nos empurra para este desaprendizado, mas a disciplina e a gratidão nos ajudam a permanecer com os olhos bem abertos para não cairmos na tentação de desaprender a dançar, cantar e brincar. Aliás, os nossos filhos e netos nos ajudam a lembrar que a música é a dança da alma. Um forte abraço meu querido amigo.
      Fábio

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