A Honra Que Atravessa O Tempo

A Honra Que Atravessa O Tempo
Neymar Santos
Que ano maluco, esse que nos acena a mão em uma  quase despedida. Tantos torneios e taças que não cabem todos na mesma foto. São técnicos,  preparadores, fisioterapeutas, médicos,  psicólogos, cozinheiros, dirigentes e representantes, comissão técnica, ajudantes, auxiliares, massagistas, roupeiros, fotógrafos, supervisores,  que formam um exército que viajam por terra ou ar em busca de vitórias e se livrar da pressão. Jogadores novos à flor da idade, vendidos no câmbio, para manter clubes, nessa disputa por um lugar ao sol. Guarde essa palavra sol, por que nesse atual cenário ele é quase desnecessário. Manter os clubes com reais chances de disputa, exige mais que sorte, precisa de talento, de habilidade na gestão de negócios, uma experiência comprovada na área empresarial e arte na negociação, e suporte técnico e um Conselho Deliberativo que seja comprovadamente afinado com as ideias e princípios vigentes, por que a exigência é grande, e as mídias tem faro para perceber o fracasso e arrastar todas as mazelas para as páginas policiais. Gerir toda essa engrenagem, me leva ao passado... Houve um tempo em que o futebol, esse que chamamos de raiz, alguns sem banheiro e vestiários, que  dependiam e muito do gramado mantido por sol (sim o velho e bom sol) onde a chuva, o vento conservavam estádios intactos, não disputavam espaço com shows de estrangeiros com suas parafernálias e pirotecnia, destruindo o campo e sem lucro suficiente para tanta confusão. O Futebol era quase um exercício de imaginação, um encanto, que no canto da sala, ao som do rádio, e na voz potente dos locutores e suas licenças poéticas provocavam a curiosidade e o amor no coração. De alguns exemplos me lembro...o goleiro foi buscar a bola na "casa da coruja". O artilheiro fez um "gol de placa". O zagueiro deu uma "paulistinha". De "olho no lance" através do rádio.
Anceloti Brasil
E muitos outros que arrastavam multidões curiosas para torcer pela mágica do esporte. E as crianças fechavam os olhos e viam o campo inteiro caber dentro do peito. O passado do futebol não tem alta definição, mas tem cheiro: grama molhada, arquibancada de cimento quente, bandeiras improvisadas e um grito que nascia rouco antes de virar gol. Daqueles de estufar o peito. Nesse passado, dezembro chegava como agora: com luzes piscando nas janelas, e a esperança de mesa farta, parentes queridos, abraços e beijos verdadeiros e uma bola encostada no canto da sala, esperando a ceia acabar para voltar a rolar. Logo depois da Missa do Galo. Portanto, não é hoje que Futebol rima com Natal.  Talvez porque ambos falem de algo parecido: Fé. A fé de que amanhã pode ser melhor, e de que o improvável acontece. O menino bom de bola pode virar herói por noventa minutos. E deixar seu nome na história. O Presente é veloz. As telas são grandes, as câmeras no estádio, denunciam tudo, até o descontentamento do atleta que foi substituído a contragosto. Os dados são muitos, as regras que se alteram por milímetros, mão na bola ou bola na mão, impedimento que nem o VAR, assistiu, Campeonatos dentro e fora do país, que erguem taças e tentam pagar as tantas dividas. Mas ainda há algo intacto, o brilho nos olhos das crianças que veem os jogadores, seus ídolos suarem a camisa. Não sabem ainda que para ganhar, muitas foram as quedas, derrotas e desafios. Conhecem a alegria imediata, acreditam que vencer é um direito natural, onde perder não está na conversa. Onde o Futebol mostra mais do que placares. Ensina espera, ensina perda, ensina que nem todo dezembro termina com taça, mas todo dezembro termina com sonho. E no futuro, essas crianças contarão histórias, para outras crianças e assim se mantém a tradição. Mas se Natal e Futebol podem se tornar poema e rima, por causa da fé, então tenhamos Fé. Que as coisas não estão certas, imagino evolução no país,  no mundo e nas pessoas que detém algum poder de decisão. Desse ano maluco, desejo que olhe para o passado e resgate a honra, a alegria do esporte, e a verdadeira paixão pelo Futebol. Que por muito tempo resgatou vidas, transformou lares, trouxe alegria, paixão e respeito pelas vidas de uma Nação.
Feliz Natal para Todos!
Feliz Natal à todos E que Deus em sua bondade e amor esteja nos lares de todos, em corpo e espírito.
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Sandra Boschilia

Sandra Boschilia

Sou Advogada, Operadora do Direito e Jornalista pelas Faculdades Metropolitanas Unidas e Universidade Nove de Julho. Coordenadora para Assuntos Institucionais e Assessoria de imprensa do Instituto Pro Cidadania em prol das Pessoas com Deficiência. Palestrante. Escritora e Autora de Romances Históricos e Biografias. Livros de poesia e arte premiados no Sul do Brasil. Meta: Informar e Resgatar boas memórias do Esporte. Sonhar é o Objetivo e Conquistar uma Certeza.
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