Check-in da Lau: voltar também é descobrir

Check-in da Lau: voltar também é descobrir

Antes de embarcar, eu estava curiosa para saber como seria voltar a lugares que já conhecia. Será que teria a mesma graça? Será que repetir destinos faria a viagem perder um pouco da novidade?

Foi minha filha quem me fez enxergar de outro jeito durante a viagem: não estávamos fazendo uma viagem turística. Estávamos de férias.

E isso muda tudo.

Estar de férias significa ter tempo livre, não precisar cumprir um roteiro, acordar sem a obrigação de sair correndo para conhecer uma atração. Significa poder caminhar sem saber exatamente onde vai chegar, parar para comer quando sentir fome, mudar de ideia e simplesmente aproveitar o lugar.

E foi assim, sem uma lista de pontos turísticos para riscar, que confirmei uma teoria: voltar a um destino pode ser tão bom quanto conhecê-lo pela primeira vez. Afinal, quem volta não é mais a mesma pessoa. O lugar pode até ser o mesmo, mas o nosso olhar mudou. E, com ele, tudo ganha outra perspectiva, outro contexto e novos significados.

No último dia em Paris, por exemplo, vi o céu rosado emoldurando a Basílica de Sacré-Cœur da janela do nosso Ibis Budget, em Montmartre. Um daqueles momentos que não estavam em roteiro nenhum e que talvez nem tivessem acontecido se estivéssemos preocupadas em cumprir uma programação.

Montmartre tem uma movimentação própria, de quem vive ali. É um bairro simples, sem o luxo que muita gente associa ao centro de Paris, com ruas movimentadas e outras tão quietas e escondidas que parecem pertencer a uma cidade do interior. Foi dessa janela, num hotel sem grandes pretensões, que me despedi de Paris.

E estar em Paris é um pouco como estar em casa. Mesmo quem nunca visitou a cidade provavelmente reconhece seus monumentos, suas ruas, seus cafés, aquelas imagens que aparecem tantas vezes em filmes e fotografias. Há algo de familiar que aquece o coração de quem chega pela primeira vez, pela segunda ou pela décima. É curioso sentir saudade de um lugar onde você nem esteve antes e, depois de conhecê-lo, perceber que essa sensação continua existindo quando se volta.

Claro que quero voltar. Como sempre, deixei alguma coisa que gostaria muito de fazer para servir de desculpa para uma próxima viagem. Em Paris, por exemplo, não consegui encaixar no orçamento uma taça de champanhe na Champs-Élysées, por 17 euros. Fica para a próxima.

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Em Londres, mesmo já tendo ido à London Eye, gostaria muito de repetir a experiência em um dia ensolarado. E olha que não posso reclamar do tempo desta viagem. As duas cidades nos receberam com temperaturas amenas de final de verão europeu e dias de céu aberto, literalmente. O sol apareceu, mas sem aquele calor que faz a gente querer abandonar qualquer passeio e procurar um lugar com ar-condicionado.

Londres, aliás, se apresentou como uma cidade nova, apesar de eu já ter estado lá. E, como estávamos de férias, houve tempo para experiências que talvez não entrassem em uma viagem mais corrida. Como comprar um jantar no famoso M&S e comer uma lasanha esquentada no micro-ondas do nosso Airbnb. Mais local, impossível.

Vai ser engraçado relembrar essa viagem nas rodas de conversa com os amigos. Aos poucos, cada detalhe vai voltar: as refeições saboreadas, os milhares de passos dados por dia, as construções lindas que encontramos pelo caminho, os desafios com os idiomas e a tranquilidade de andar por ruas escuras e quase desertas altas horas da noite.

Vou lembrar da vida que parece tranquila em Paris, das pessoas correndo pelas ruas a qualquer hora do dia e da taça de vinho que acompanha tantas refeições. E de Londres, com seu charme que, para mim, carrega algo da monarquia, mas também está nas pequenas coisas: uma sacada, uma lojinha simpática, um brechó, uma fachada que parece cenário de filme. É uma cidade que convida a olhar para cima, para os lados, para os detalhes que poderiam passar despercebidos quando estamos apenas tentando chegar ao próximo ponto turístico.

Eu poderia passar horas escrevendo ou falando sobre essas duas cidades. Mas acho que já deu para explicar que estar de férias pode ser tão bom quanto ser turista. Talvez até melhor, dependendo do que a gente esteja buscando.

Porque esta também foi uma viagem de realizar sonhos. O financiamento e a organização feitos por mim e pela minha filha, conhecer Londres, uma cidade que ela tanto ama, e fazer uma viagem só nossa. Nós duas, amigas e companheiras de ideias, sonhos e roteiros. Ou da falta deles.

Foi também a oportunidade de finalmente viajar de trem entre Paris e Londres, passando sob o Canal da Mancha. De reservar um tempo para fazer programas sozinha, sem medo de me perder. E de conhecer, enfim, o hotel em que mais sonho me hospedar: o Plaza Athénée. Tomei café da manhã no restaurante, sem precisar me preocupar com a conta, e pude simplesmente aproveitar e memorizar cada cantinho daquele lugar que amo, mesmo sem saber muito bem explicar por quê.

Voltei com vontade de conhecer mais, de repetir experiências e de fazer outras coisas que ficaram para uma próxima vez. Mas também voltei com a certeza de que não preciso conhecer tudo de uma cidade para aproveitar uma viagem.

Antes de embarcar, eu me perguntava se voltar a Paris e Londres teria a mesma graça. Agora, entendo que a novidade não está apenas no destino. Está também em quem a gente se tornou desde a última visita, nas companhias, no tempo disponível e na liberdade de escolher o que fazer com ele.

Desta vez, não fui apenas turista. Estive de férias. E descobri que voltar também pode ser uma forma de conhecer.

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Laura Moura Lima

Laura Moura Lima

Laura Moura Lima – criadora de conteúdo digital – formada em Jornalismo pela FIAM em 2002. Começou a carreira como redatora de revista depois passou para assessoria de imprensa especializada em de gastronomia. Atualmente tem um blog exclusivo com dicas de hospedagens. Apaixonada por viagens e hotéis acredita que a hospedagem é muito mais do que um lugar só para dormir durante a viagem. Criadora do projeto Checkinsp onde traz para seguidores e leitores todas as experiencias incríveis que se pode viver em um hotel, durante uma viagem ou na sua própria cidade.
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