Quando ouvir é mais importante do que responder

Nós vivemos em uma época em que todos querem ter uma opinião antes mesmo de entender uma história. Certamente, as redes sociais não nos ajudam muito nesse processo.

Você já percebeu que, nos últimos anos, cada vez mais as pessoas têm lido menos e respondido antes de deixar o outro terminar a frase? Ou, enquanto o outro ainda está falando, já estamos pensando na resposta que vamos dar? Muitas vezes, sequer temos interesse em fazer perguntas. Queremos falar, queremos ter razão, queremos ser os protagonistas.

Certamente, os conflitos e as polarizações crescem alimentados por esse desejo constante de falar, se expressar, se justificar e comentar nos mais diversos perfis. As redes sociais nos oferecem a possibilidade de fazer tudo isso sem o encontro cara a cara, sem a linguagem corporal, sem as expressões faciais e, muitas vezes, sem a empatia que nasce quando estamos diante de outra pessoa.

Na realidade, esse padrão se multiplica e entra também dentro das nossas casas. Há pais que não conseguem mais entrar na vida dos próprios filhos. Há casais que enfrentam enormes dificuldades de comunicação porque querem falar, mas não encontram tempo — ou disposição — para parar, sentar e ouvir.

Quanto mais culturas diferentes conheci, mais percebi que ouvir não é passividade. É uma forma de amor. Ouvir é dizer ao outro: “Eu me importo com você.”

Ouvir significa entrar na história do outro, conhecer suas dores, praticar a empatia e encontrar o outro na jornada em que ele está.

Talvez algumas pessoas não precisem primeiro de uma resposta. Talvez precisem descobrir que alguém está disposto a permanecer na conversa. Seria maravilhoso se praticássemos esse princípio tão básico no chão da vida, em cada encontro humano, começando justamente por aqueles que estão bem ao nosso lado, debaixo do mesmo teto.

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Uma das práticas espirituais associadas aos Padres e Mães do Deserto nos ensina sobre a escuta: ouvir atentamente, permanecer em silêncio e cultivar a presença. E, cada vez mais, vemos a distração e o barulho nos afastando dessa presença.

Às vezes me pergunto se existe um caminho de volta dessa distração quase incontrolável.

Você entra no metrô e as pessoas estão olhando para os celulares, passando pelos stories com uma velocidade que não permite sequer reter a informação. E, quando alguma coisa é retida, amanhã provavelmente já terá sido esquecida pelo estímulo de centenas de outras imagens. Passamos de um perfil para outro na velocidade de um dedo na tela, deslizando de uma página para outra em questão de segundos.

Mas o ser humano continua precisando ser ouvido.

O silêncio continua sendo um exercício necessário para uma mente e um coração agitados. A presença serena, que durante séculos fez parte das relações humanas, hoje parece quase algo arcaico — ou até alienígena — para muitas das pessoas que conheço.

Talvez possamos começar de maneira muito simples.

Que tal, nesta semana, praticarmos a escuta?

Encontrar um amigo e realmente se interessar por sua história. Deixar o celular de lado por algumas horas e caminhar sem ele. Sentar ao lado do filho e fazer perguntas sem pressa de dar respostas. Olhar para a pessoa que amamos e dizer: “Vamos dar uma volta juntos?”

Talvez você descubra que aquela pessoa não precisava de uma resposta. Talvez ela só precisasse de alguém disposto a ouvir.

E talvez, em um mundo que fala cada vez mais alto, ouvir seja uma das formas mais profundas de dizer: “Você importa para mim.”

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Fábio

Chicago

 

 

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