“PELAS BARBAS DO PROFETA” SILVIO LUIZ E OUTROS.

Em muitas das tantas crônicas que escrevi nesses mais de 2 anos, deixei bem nítido o meu amor pelo futebol.
Alguns podem afirmar que se tornou óbvio pelo meu pai, meu avô e também pelo meu bisavô e até pelas gerações antes dele. (Ou quase isso!)
Mas eu acredito que foram por razões muito mais generosas que essas, que surgem num piscar de olhos.
O que um bom livro, bem escrito e com história envolvente e uma narração esportiva pelo rádio tem em comum?
O despertar da nossa imaginação!
Os primeiros livros que li na vida foram, a Cartilha do Caminho Suave toda rabiscada e colorida de lápis de cores, uma bíblia que usava na escola dominical. E também os livros de José Mauro de Vasconcelos, Meu Pé de Laranja Lima, onde ele descrevia a realidade de uma família brasileira com seu salário apertado, os filhos pequenos e travessos e o valor de uma amizade verdadeira entre um menino e seu amigo Portuga.
É tão bem detalhado que o sabor da fruta colhida no pé e o vento que bate no rosto, são perfumados e seguramente alguma coisa que se possa sentir.
José Mauro escreveu outras preciosidades, como Rosinha Minha Canoa e O Doidão que devem com certeza serem lidas e contam de um Brasil original e desconhecido de boa parte dos atuais brasileiros.
O rádio, sim o rádio, também possui essa magia que encantou muitas gerações.
Estou aqui falando de um tempo antigo e sem as modernidades ao toque dos dedos.
Os narradores eram “poetas” que contavam histórias que só eles viam.
Onde a emoção de sua voz reproduzia lances fabulosos, dribles de mestres em pleno gramado, chutes certeiros que inexplicávelmente eram defendidos por goleiros veteranos por agilidade e habilidade de “guarda metas”.
Narradores como Fiori Gigliotti, Osmar Santos, Silvio Luiz….”Abriam Cortinas”, com “Ripa na Chulipa e Pimba na Gorduchinha”, afirmavam que “Foi, Foi Ele”, “Pelas Barbas do Profeta”…
Personagens que traziam o rádio para o melhor ponto da casa e se tornavam a principal atração…
Tudo por que a televisão naquele tempo antigo, talvez inimaginável nos dias de hoje, a televisão era um artigo de luxo e raro para a grande maioria dos lares do Brasil, e o rádio era o companheiro.
Agradava a dona de casa com suas novelas românticas e vozes marcantes como de Lima Duarte, Hebe Camargo, Lolita Rodrigues e com a ajuda da equipe de sonoplastia reproduziam sons de chuva, portas rangendo, cavalos em pleno galope e o badalar de sinos chamando para à missa das 6 horas da tarde.
O rádio que contava detalhes na voz de José Paulo de Andrade com seu o Pulo do Gato, Vicente Leporace com O Trabuco e para as piadas de Fausto Silva, afinal o Faustão era repórter de campo.
Foi também pelo encantamento do rádio que Pelé se fez Pelé, Garrincha, Pepe, Zagalo, Didi, Mengalvio, Carlos Alberto Torres, Coutinho, Tostão….
Então acredito que meu amor pelo futebol veio também das imagens que eu criava e que guardei no peito com profunda admiração.
Assim como milhões de brasileiros que formaram as torcidas apaixonadas que não medem esforços para acompanhar de perto seus ídolos.
Que assumem riscos, improvisam cartazes, carregando o time debaixo de chuva e sol, que pagam ingressos caros e sem regalias.
As torcidas são importantes e decisivas.
São a base de sustentação de qualquer Clube do Brasil e não merecem alguns comentários que minimizam sua importância.
Quando a demonstração de carinho, as “ruas de fogo”, as cantorias eufóricas nas arquibancadas, as faixas de respeito e admiração forem um peso e provocarem constrangimento e temor para os atletas, melhor repensar seriamente aonde que erramos e começar tudo de novo.
A torcida precisa dos seus ídolos e de seus clubes…
E um Clube que se diz grande e competitivo não sobrevive sem sua torcida.
Obrigada à todos que leram
Meu agradecimento sincero

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