O filósofo e a sua lanterna: “Procuro um homem”

O filósofo e a sua lanterna: “Procuro um homem”

Bom dia meus queridos amigos,

Vocês conhecem a frase “procuro um homem”?

Vocês já ouviram falar do Diógenes de Sínope?

Pois bem, Diógenes de Sínope viveu na Grécia antiga (413 - 323 a.C.). Ele foi um filósofo que falava contra os exageros desnecessários do conforto, do dinheiro, a performance vazia que busca impressionar, e os luxos extravagantes dos gregos. E mais ainda, Diógenes ensinava que tudo poderia ser muito mais simples para que a vida fosse mais fácil para todos. E que o exemplo e as ações práticas, não apenas teóricas ou de poder retórico, são imprescindíveis e carregam um peso indizível para ser um homem, ou seja, um humano.

De modo que me chama profundamente a atenção a sua filosofia e maneira de viver. Em primeiro lugar, Diógenes colocou em prática o seu pensamento filosófico vivendo sem quase nada, ou com o mínimo, andava pelas ruas e tinha como “residência” um simples barril e um manto para se cobrir.

E em segundo lugar, a sua mensagem era muito simples: o homem precisa de muito pouco para viver e deveria procurar eliminar tudo o que era supérfluo e desnecessário. No entanto, há dois fatos interessantíssimos na vida de Diógenes.

O primeiro deles é o seu encontro com Alexandre, o Grande. Lemos que Alexandre lhe disse que ele, Diógenes, poderia pedir o que quisesse e este solicitou que Alexandre saísse da sua frente, pois estava tapando o sol e impedia que o calor viesse esquentar o seu corpo. O segundo fato tem a ver com a sua lanterna. Dizem que o filósofo andava pelas ruas de Atenas em pleno dia, e colocava na cara dos indivíduos a sua lanterna enquanto dizia: “Procuro um homem”. E repetia sem cessar, “Procuro um homem”.  E não se cansava de dizer, “Procuro um homem”.

Talvez você me pergunta, “O que podemos hoje aprender com a filosofia de Diógenes?”

A resposta é muito simples. Enquanto transitamos dentro de uma sociedade que cada vez mais se torna líquida e o Marketing grita para que os seres humanos busquem o “desnecessário”, e aplaude a exterioridade que não traz nenhum poder significativo, eu ouço os ecos de um “Procuro…”

Procuro um marido que respeite a sua esposa e a trate com dignidade. Procuro um pai de familia que passe tempo com a sua filha e não apenas “faça” filhos, mas seja pai. Procuro uma mulher que viva com generosidade e sem as extravagâncias das grifes de luxo e dos desfiles vazios na passarela da existência em busca de um aplauso efêmero e passageiro.

Procuro um empresário que olha para os seus funcionários com dignidade e não os escravize. Procuro um pastor honesto que não fale mentiras em nome de Deus. Procuro um padre com integridade. Procuro um jornalista imparcial. Procuro um homem. Procuro um ser que seja coerente com o fato de ser, ser humano.

Procuro um homem.

Procuro um ser cheio de integridade e pronto para ser generoso.

Procuro…

Procuramos, todos nós procuramos, para que o mundo seja um planeta habitado por homens.

Uma boa semana para todos vocês!

Até a próxima.

Collonges-au-Mont-d'Or

**O conteúdo e informação publicado é responsabilidade exclusiva do colunista e não expressa necessariamente a opinião deste site.

Imagem: Toda Materia - Diógenes, pintura de Jean-Léon Gérôme (1860)

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Fábio Muniz

Fábio Muniz

Fábio Muniz, originalmente do Brasil. Ele tem viajado ao redor do mundo nestes últimos 20 anos e acumulado inúmeras experiências multiculturais. Graduado em Administração de Empresa pela Universidade São Judas Tadeu. Possui um Máster em Marketing pela Universidade de Barcelona. Atualmente vive em Lyon, França. Ele é apaixonado pelo estudo das culturas, história e antropologia. Além de ter trabalhado com Marketing e Recursos Humanos, ele também é formado em Acompanhamento Espiritual pela North Park Theological Seminary onde recentemente também iniciou o seu Mestrado em Divindade. Fábio é autor do livro Upside Down Evangelism: How Not to Manipulate People in a Post Modern, Post Christian, Spiritually Alive Globalized World. Ele é casado com Johnna que nasceu nos Estados Unidos. Eles têm duas filhas: Sophia, nascida na Flórida, e Julia, nascida em Yokohama. Atualmente ele e Johnna formam parte da equipe Serve Globally, uma ONG com sede em Chicago, que tem projetos sociais espalhados por quase todo o mundo. Fábio e Johnna trabalham como pontes culturais, utilizam as suas experiências internacionais e através de 6 (seis) idiomas desenvolvem programas de integração cultural e social, seminários e palestras com o objetivo de servir a comunidade francesa, aos estrangeiros, imigrantes e refugiados. E-mail: [email protected] Blog: http://blogs.covchurch.org/fjmeurope/ Projetos: https://www.meetup.com/International-Hangout-and-Language-Exchange/ https://www.meetup.com/Coffee-and-English-at-Starbucks-Gratte-Ciel/ Instagram: @repensando_2017
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4 comentários

  1. Elias de Oliveira disse:
    Quero saber mais sobre sua ONG no brasil
    1. Fabio disse:
      Bom dia, Elias!
      Querido amigo, eu não tenho neste momento nenhum projeto no Brasil além deste que escrevo com muita alegria no Portal do meu amigo de décadas, o Andreoli. Os projetos que desenvolvemos estão em Lyon, na França e temos muitos parceiros na Europa. De modo que em Lyon, o Projeto se chama Cultural Fusion, e você pode seguir no Instagram @culturalfusion21.
      Se um dia você passar pela França, me escreva e venha nos visitar, será uma grande alegria ter você nas nossas atividades.
      Um forte abraço.
      Fábio
  2. Antonio Ricardo Teixeira disse:
    A famosa frase de Diégenes não era "procuro um homem honesto?"
    1. Fabio disse:
      Querido Antônio,
      Obrigado por estar lendo a minha coluna.
      A famosa frase de Diógenes é "Procuro um homem". No entanto, a tua intepretação é correta, pois ela traz exatamente esta conotação da busca de um homem honesto, sério, justo, virtuoso, autêntico dentro de uma sociedade que vivia a antítese destes valores na Grécia daqueles dias. Aliás, enquanto escrevo esta linha, o meu coração se enche de tristeza porque hoje as nossas referências são mínimas de gente autêntica e honesta. Parece que se Diógenes estivesse no meio de nós, ele estaria com a mesma lanterna fazendo a mesmíssima pergunta.
      Um forte abraço. Até a próxima.
      Fábio

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