DECISOES E PROMESSAS, PEDEM FÉ E MUITAS VELAS

DECISOES E PROMESSAS, PEDEM FÉ E MUITAS VELAS
Créditos: Gemini

Algumas vezes por esse mesmo espaço contei das minhas lembranças, da minha memória e das tantas vezes que fui levada à um campo de várzea, com um número enorme de outras crianças.
Também contei de ter presenciado derbys
memoráveis que assisti de tão pertinho com a presença de meu pai que nunca me deixou de lado por ser menina.
Na minha época futebol era coisa de meninos, até deixar de ser ....
Afirmo que as moças de hoje, as atletas do Futebol Feminino são extremamente habilidosas e competem com muita garra por cada lance.
Se dedicam por imenso talento e pela oportunidade de se provarem e ter a desejada visibilidade.
E que bom que tudo começa nos sonhos....E sonhar é coisa que todos nós podemos fazer...
Antigamente os meninos jogavam bola em campo de várzea e esse era um momento de auge, porque as famílias iam em peso para dar apoio, para serem parte, estar nesse momento que o sonho começa a ter forma e para gritar toda a sua paixão.
Os jogos aconteciam nas ruas de terra e a recompensa era um café caprichado, bolinhos de chuva, bengalas de pão bem torradinho e para a torcida a pipoca quentinha servida com manteiga.
Não haviam empresários, assessor de imprensa, contrato milionário e uma série de curiosos para escolher a roupa e o corte bem talhado. E para decidir o que eles podem ou não fazer.
Bastava uma bola, fosse ela feita de meias velhas, amarrada de barbante que mesmo assim ninguém reclamava. E não havia patrocínio.
O campo se tivesse grama era um milagre, e os meninos acreditavam que jogavam "num tapete" e nunca pensariam em grama artificial....O que vinha a ser Isso?
E o futebol com a religião ficavam de braços bem apertados.
As mães fazendo promessas, os pais dando conselhos com a sabedoria de quem um dia também pensou em jogar junto com seus heróis.
O técnico era um homem veterano de comprovada experiência que gritava na parte lateral do campo.
E para cada criança que falava de seus heróis, os olhinhos brilhavam como se fosse noite de Natal.
Ah...os craques do passado!
As fotos coloridas pregadas na parede do quarto, a escalação, sabiam de cor e salteado e as figurinhas eram disputadas no jogo de bafo.
O rádio trazia a magia e a paixão na voz do avô e do pai que contavam aos pequenos, com a promessa que eles iriam ao estádio assim que os heróis estivessem na cidade....E se ouviam gritos de profunda alegria.
Os heróis eram recitados como uma oração e Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos, Zito, Jairzinho, Rivelino, Tostão, Oscar, Gerson, Carlos Alberto Torres, Ademir da Guia, Edu, Careca, Rai, Sócrates....
E nem os heróis explicavam a sua fé, nem as crianças a sua vontade de um dia estarem no Morumbi, Pacaembu ou
no Maracanã.
As mulheres com o terço na mão, conversavam com Nossa Senhora Aparecida e aproveitavam para abrir o coração para contar da sua vontade de ver os sonhos de seus filhos se tornarem realidade.
E posso contar que a fé andava nos vestiários que os árbitros pediam a proteção e a claridade nas decisões.
Televisão era um artigo de luxo e muitos vizinhos faziam as pazes para poder ver o jogo...
Nesse mês de Outubro temos a fé que move as montanhas e a infância que ingênua acredita e sonha que é possível recuperar o bom tempo do futebol que não tinha tantos dramas.
Agora sem recursos, sem tantos investimentos e sem credibilidade o futebol pede socorro!
E nesses tempos tão bicudos se percebe que os heróis não são somente aqueles que entram em campo.
Mas toda uma torcida gigante que quer acreditar, que move uma nação verde amarelo.
Se os homens que comandam o futebol pudessem ir até os estádios e verem a paixão que existe em cada grito liberado, em cada torcedor apaixonado que compra com sacrifício não só o ingresso, mas uma lembrancinha, um gasto que vale a pena, porque o filho está na porta de casa de olhos pregados, esperando o pai voltar para casa com o seu troféu na mão.
Ouvimos que os jogadores de hoje temem a camisa verde e amarelo, alguns dizem que é pesada demais...
Posso até concordar...afinal quem a vestiu fez história no Brasil, e no mundo todo, mas acredito que o povo brasileiro ajuda a entender esse juízo....tudo começou com sonhos e uma vontade enorme de crianças que os heróis vibrem, se dediquem, que façam todo o futebol que sabem jogar.
E que a Virgem Santa proteja os meninos que ainda chutam por pura paixão, que sonham com o futebol arte, aquele mesmo que ouviram contar e que desejam tornar realidade.
Feliz Outubro e continuem a sonhar com muita Fé!

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Sandra Boschilia

Sandra Boschilia

Sou Advogada, Operadora do Direito e Jornalista pelas Faculdades Metropolitanas Unidas e Universidade Nove de Julho. Coordenadora para Assuntos Institucionais e Assessoria de imprensa do Instituto Pro Cidadania em prol das Pessoas com Deficiência. Palestrante. Escritora e Autora de Romances Históricos e Biografias. Livros de poesia e arte premiados no Sul do Brasil. Meta: Informar e Resgatar boas memórias do Esporte. Sonhar é o Objetivo e Conquistar uma Certeza.
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