FALTA AO FUTEBOL, A FOME DE BOLA!
Olá Queridos Leitores
Acredito que todos já tenham ouvido a célebre frase..."Nada como um bom prato de feijão com arroz!"
Essa é uma expressão antiga e quer dizer, que a melhor comida é a simples, aquela que bem temperada, feita com carinho e dedicação...Essa vale todos os elogios e fica famosa para quem saboreia...
O arroz bem soltinho, o gosto da comida feita na hora.
O feijão bem cozido, com caldo grosso e bem amassado, temperado com alho e cebola e até quem sabe um pedaço de linguiça que dá aquele gostinho de quero mais.
No prato uma farinha bem branquinha, uma pimenta dessas de arrepiar os pensamentos.
Para que outros e tantos detalhes?
Não. Não é necessário!
Não. Essa crônica continua sendo sobre futebol.
Sim, o futebol arte, onde se jogava futebol de verdade.
Sem enrolação.
Sem culpar o torcedor pelo desastre.
Onde o dinheiro pago pelo ingresso valia cada centavo.
Onde ser sócio torcedor era um desafio e um orgulho para muitos.
E onde os mais velhos falavam de um Brasil sem medo de colocar "as canelas" pra jogo.
Onde os salários não eram faraônicos e a vontade de vestir a amarelinha era um objetivo a ser conquistado.
Desde que o mundo conhece o futebol o Brasil virou referência, dessa terra brasilis, os melhores jogadores, que eram temidos individualmente, que eram venerados no coletivo, eram motivo de parar uma guerra, só para ver tamanha habilidade com os pés e tanta diplomacia com a fala da vez.
Todos imitavam o cabelo do Ronaldo Fenômeno, os dribles de Didi, a garra furiosa de Rivelino, a categoria de Tostão, as táticas inovadoras de Zagalo, as palavras flutuantes de Coutinho, assistiam com olhos pregados nas telas do Cinema as façanhas do Pelé...
Hoje...bem hoje, o descontentamento é generalizado.
Muitas vezes quero pensar que é um momento, o amadurecimento de uma geração....mas o que assisto me assusta.
Um povo desanimado e sem vida, um amontoado de gente correndo, sem tática e sem organização defensiva, sem definição no ataque e nenhum valente para roubar a bola e colocar a bola na rede.
Hoje nenhum time nos teme.
Nenhum deixa de dormir à noite, e nem gasta horas imaginando como atravessar o meio de campo do Brasil e machucar a defesa brasileira.
Somos vulneráveis.
Somos previsíveis.
Somos combalidos antes mesmo de qualquer combate.
Hoje colocamos a culpa no gramado, na bola, na chuteira, no público que faz a festa, no público que vaia, no árbitro, na tecnologia, na transmissão, na imprensa, no salário atrasado.
E em quem mais aparecer pela frente.
Se entra um novo, já fica contaminado pela covardia.
Se entra um veterano, parece ter medo de se indispor com seu séquito de advogados, representantes, parentes e patrocinadores.
Mas esquecem que esses mesmos irão se rebelar se por acaso, ficar sem clube.
Difícil a situação dos treinadores das equipes de base, devem presenciar esse mistério desde a simples formação da equipe.
Um dia desses me vi numa situação inesperada, um pequeno fã, que maravilha, um leitor assíduo de nossas crônicas semanais, me fez uma pergunta direta e esperava uma resposta pronta e bem afiada.
Como era o futebol de antigamente? Perguntou o menino!
Mas como responder a isso?
Como explicar que essa tecnologia não existia..
Que toda essa alegria e história foi vivida da forma mais intensa que se possa imaginar.
Como explicar a ele que houve um tempo em que o futebol chegava apenas pelo
radio?
E que os narradores eram "poetas" que contavam os detalhes que eles assistiam em campo?
Contei que o rádio era colocado na sala e reunia toda a família, vizinhos e mais um imenso número de curiosos que vinham de longe.
Os jogadores eram heróis, uns titãs que enfrentavam "dragões" de outro mundo e defendiam o Brasil, mostrando a habilidade e domínio sobre a bola.
Como explicar a diferença do ontem para o hoje e entender sinceramente que alguma coisa foi perdida no meio do caminho.
Perdemos a personalidade?
Quando a bola começa a queimar no pé, o
jogador de verdade decide não se esconder.
Aparece quando o jogo aperta
Aparece quando o adversário chega
Aparece quando o estádio começa a vaiar
E pega a bola e colocar embaixo do braço e gritar....Deixa comigo!
Futebol é memória.
Futebol é infância.
Futebol é família.
Futebol é domingo, que pode se fantasiar de sábado.
Futebol é rádio, que pode ser televisão e celular...
O que falta no Futebol de hoje em dia?
A fome..
A fome pela bola.
A fome pela vitória.
A fome pelo orgulho de ser brasileiro
A fome pela história da camisa Verde e Amarela.
A fome pela novíssima geração que quer se encantar, imaginar o que os pais contam, o que os avós contam nas manhãs de domingo
A fome de pertencimento
A fome do futebol simples....
Tão simples como feijão com arroz, aquele bem temperado, quentinho e feito na hora que vem com a feijão e toma conta da alma da gente!
Obrigada queridos leitores

