Amor Não Monogâmico

Amor Não Monogâmico

É curioso como tanta gente ainda associa compromisso à ideia de posse, como se amar fosse sinônimo de trancar e vigiar.

Como se o amor só valesse quando está junto, exposto e preso dentro de uma regra que nem sempre foi escolhida, mas apenas repetida.

A não monogamia propõe o contrário disso, ela parte de um princípio simples e ao mesmo tempo revolucionário:

Liberdade não é o oposto do amor. É parte dele.

A maioria das pessoas entra em relações monogâmicas sem nem ter conversado sobre isso, ela  não é escolhida e sim presumida. Está no script, no pacote, no piloto automático.

E, ainda assim, mesmo com a promessa de exclusividade, a traição segue acontecendo.

Mas aí está um ponto que muita gente não quer encarar, a traição não é só transar com outra pessoa. Traição também é a mentira, omissão um jogo duplo. É construir uma vida paralela enquanto mantém o status de “fiel”.

Na não monogamia, esse teatro não se sustenta, não porque as pessoas não sentem ciúmes, insegurança ou medo.

Mas porque elas escolhem olhar para tudo isso de frente e conversar. A não monogamia exige muito mais do que liberdade sexual, ela exige responsabilidade emocional, diálogo constante. Além de um respeito profundo pelos desejos, próprios e dos outros.

É mais fácil seguir o modelo padrão do que criar o próprio caminho, mais fácil silenciar o desejo do que conversar sobre ele, mais fácil disfarçar o incômodo do que admitir a insegurança.

Mas quem escolhe a não monogamia escolhe também não fugir dessas conversas e encarar a complexidade, escolhe ser transparente mesmo quando seria mais fácil seguir mentindo. E isso não significa que tudo é leve ou que não existe dor, significa apenas que não precisa vir do engano. Pode vir do enfrentamento, da vulnerabilidade, do desafio de abrir mão do controle, mas nunca da traição silenciosa de quem diz “eu sou seu” enquanto deseja o mundo escondido.

Se existe uma frase que poderia resumir a ética da não monogamia, talvez seja: “Eu não te possuo. Eu te escolho.”

E te escolho com consciência, desejo, liberdade. Te escolho sem fingir que você é a única pessoa do mundo que eu vou desejar. E aceito que você também pode desejar outros sem que isso diminua o nossos sentimentos, assim como também desejarei o outro ainda te amando.

Isso não enfraquece o laço, pelo contrário, fortalece.

Porque o que sustenta essa relação não é o medo da perda, mas a presença da escolha.

A não monogamia não é ausência de compromisso, e sim a presença de um compromisso mais radical, o de ser honesto, mesmo quando isso assusta, de dialogar, mesmo quando é desconfortável, de amar sem prender, e de desejar sem ferir. Ela não é perfeita, não é superior.

Mas é uma possibilidade legítima, ética, potente e profundamente humana de poder viver o amor sem o roteiro que te ensinaram.

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Senhora Leon

Senhora Leon

Graduada em Gastronomia (2017), com o objetivo inicial de usar essa profissão como passaporte para conhecer o mundo, afinal, todos precisam comer. E assim foi feito: seja dentro da cozinha ou em qualquer outra área que envolva hospitalidade, já pisei em mais de 40 países trabalhando em navios de cruzeiro, além de ter morado na Irlanda, Austrália e em um barco no México. Também me aventurei por 10 estados brasileiros, sempre conectada com pessoas, culturas e histórias. Foi vivendo tudo isso que entendi que a liberdade vai muito além do direito de ir e vir, e como sempre tratei temas delicados com naturalidade e respeito, percebi que entre tantos, a sexualidade ainda é um dos que mais trás amarras. Hoje, com pós-graduação em Sexologia Humana e Terapia Sexual, sigo acolhendo histórias e ajudando pessoas a viverem com mais prazer, autonomia e bem-estar. Atualmente, atuo na área de hospitalidade e também atendo online, oferecendo terapia sexual e psicanalítica tanto para casais como individuais.
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