Check-in da Lau: a última página virou um novo capítulo

Check-in da Lau: a última página virou um novo capítulo

Sabe quando a gente chega à última página de um livro e fica alguns segundos olhando para ela, antes de fechá-lo? A história acabou. Você sabe que chegou ao fim, mas ainda existe aquela sensação de querer ficar mais um pouco ali. E, ao mesmo tempo, uma curiosidade enorme para abrir o próximo livro e descobrir o que vem pela frente.

É mais ou menos assim que estou me sentindo. Hoje, enquanto você lê essa coluna, termina mais uma fase da minha vida profissional: a última página de um capítulo que chega ao fim.

E eu estou muito animada para abrir o próximo.

Tão animada que, na minha cabeça, a semana que vem já está praticamente pronta. Quero começar a correr, colocar meus projetos em prática, encontrar uma amiga para tomar café, fazer a unha, marcar uma massagem, passear no shopping, ir ao cinema, passar o final de semana na casa de uma amiga. Quero organizar a casa, pensar em novas fontes de renda, separar um tempo para mim e, claro, colocar em prática as mil ideias que ficam rodando na minha cabeça.

Criei até uma espécie de semana perfeita na imaginação. Tudo dividido em blocos: primeiro eu, depois a casa, depois os projetos, depois as novas possibilidades de trabalho. Um equilíbrio lindo, organizado e, obviamente, completamente possível dentro da minha cabeça.

Até que percebi que segunda-feira, dia 12, é feriado.E eu fiquei quase chateada.

Como assim eu vou começar uma nova fase e já vou perder a segunda-feira? Eu tinha uma semana inteira para começar a fazer tudo!

Acho que isso diz bastante sobre o tamanho da minha ansiedade para começar.

Uma parte de mim quer aproveitar esse espaço novo imediatamente. Quer correr, literalmente e metaforicamente. Quer resolver, experimentar, produzir, organizar, criar. Quer sentir que está fazendo alguma coisa com todo esse tempo que apareceu. E que foi tão desejado.

Outra parte sabe que talvez seja justamente aí que eu precise tomar cuidado. Minha nova terapeuta disse que eu poderia encarar essa nova fase como um novo emprego. Começar. Ter rotina. Não entrar já pensando em férias.

Uma amiga, por outro lado, me disse para aproveitar. Tirar uma ou duas semanas. Não pensar em trabalho. Descansar.

E as duas opiniões fazem sentido. É engraçado como, às vezes, a parte mais difícil de equilibrar não está fora da gente. Está dentro da nossa própria cabeça.

Eu não quero transformar essa nova fase em férias eternas. Também não quero sair correndo para preencher cada espaço vazio com uma nova obrigação. Não quero acordar todos os dias sem saber o que fazer, mas também não quero criar uma lista de tarefas para cada minuto livre.

E talvez seja justamente isso que eu esteja aprendendo agora: nem todo tempo livre precisa ser imediatamente ocupado.

Depois de tanto tempo com horários, entregas, compromissos e coisas que precisavam acontecer, é estranho olhar para alguns dias e pensar: e agora?

Ao mesmo tempo, existe uma coisa muito boa nessa pergunta. Agora, eu posso escolher.

Posso correr porque estou com vontade de correr. Posso tomar café com uma amiga no meio da tarde. Posso fazer uma massagem numa terça-feira. Posso ir ao cinema quando estiver vazio. Posso cuidar da casa. Posso trabalhar em um projeto. Posso passar uma manhã sem fazer absolutamente nada e não precisar justificar isso para ninguém.

E também posso mudar de ideia. Talvez o próximo capítulo não precise começar exatamente na primeira linha da primeira segunda-feira disponível.

Talvez eu não precise saber agora qual será o ritmo perfeito dessa nova fase. Nem quantas horas vou dedicar aos projetos, quantas aos cuidados com a casa, quantas às novas fontes de renda ou quantas simplesmente a mim.

Eu sei que quero fazer muita coisa. Algumas delas já estão bem claras. Outras ainda precisam sair da minha cabeça e ganhar forma. E, isso também faz parte de começar um capítulo novo.

A última página já foi escrita. O livro foi fechado. Agora tenho outro pela frente, ainda com muitas páginas em branco.

Estou curiosa para descobrir o que vou escrever nelas. Só preciso lembrar que não existe obrigação de escrever o livro inteiro na primeira semana.

Eu sei o que fazer. Só não sei quando vou fazer. E, pela primeira vez, acho que tudo bem.

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Laura Moura Lima

Laura Moura Lima

Laura Moura Lima – criadora de conteúdo digital – formada em Jornalismo pela FIAM em 2002. Começou a carreira como redatora de revista depois passou para assessoria de imprensa especializada em de gastronomia. Atualmente tem um blog exclusivo com dicas de hospedagens. Apaixonada por viagens e hotéis acredita que a hospedagem é muito mais do que um lugar só para dormir durante a viagem. Criadora do projeto Checkinsp onde traz para seguidores e leitores todas as experiencias incríveis que se pode viver em um hotel, durante uma viagem ou na sua própria cidade.
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