Chegamos a Chicago na sexta-feira da semana passada. Aliás, chegamos a tempo de celebrar, nesta semana, no dia 13 de agosto, nossos 15 anos de casados. Será a primeira vez que celebraremos nosso aniversário de casamento na cidade onde nos casamos.
Isso me fez lembrar de uma das lições de generosidade que aprendi com a Johnna quando fomos morar na Flórida.
Às vezes, quando estávamos no drive-thru de algum restaurante ou café, ela olhava para o caixa e dizia: “Vou pagar o nosso e também o da pessoa que está atrás de nós.” Ela fazia isso sem saber quem era a pessoa, um casal ou uma família que estava esperando na fila.
Ao olhar pelo retrovisor, eu me lembro até hoje da expressão de surpresa das pessoas quando chegavam ao caixa para pagar e ouviam:
“Uma pessoa que acabou de sair pagou para vocês.”
Pois bem, depois de 15 anos de casamento e de ter aprendido tanto com a generosidade da Johnna, na semana passada experimentamos algo parecido.
Estávamos visitando o Museu Nacional de Pearl Harbor com as crianças. Fazia muito calor no Havaí e, em determinado momento, elas pediram um suco e alguma coisa para comer.
Enquanto eu continuava lendo as últimas informações sobre o ataque surpresa dos japoneses em 1941, a Johnna foi até a lanchonete dentro do museu. Pouco depois, ouvi:
“Fábio, por favor, me dê o cartão de crédito.”
Dois minutos depois, a Julia apareceu com toda a compra. Estávamos surpresos e, então, ela nos contou:
“Mamãe, papai, a moça pagou!”
“A moça? Quem?”
Acontece que a atendente percebeu que a Johnna havia saído sem o cartão de crédito. Quando a Johnna deixou a Julia ali por alguns instantes e veio até mim para buscar o cartão, aquela mulher simplesmente decidiu pagar pelos salgadinhos e pelos sucos das crianças.
Ela apenas disse:
“Tenham um dia abençoado por Deus.”
Se existe algo que tenho aprendido com muitos americanos é essa generosidade despretensiosa: dar, ajudar e abençoar sem necessariamente esperar algo em troca.
E talvez essa seja uma das belezas da generosidade: aquilo que aprendemos com alguém pode, um dia, voltar para nós de uma maneira completamente inesperada.
Talvez a melhor maneira de agradecer seja simplesmente continuar fazendo o mesmo.
Quem sabe, nesta semana, eu e você possamos ser pequenos “anjinhos” de generosidade na vida de alguém? Um gesto aparentemente insignificante e anônimo para nós pode significar muito para quem o recebe.
Talvez seja assim que pequenas atitudes começam a mudar alguma coisa ao nosso redor: quando decidimos pensar no outro sem perguntar quem ele é, o que ele pode nos oferecer ou se algum dia saberemos o resultado do nosso gesto.
No fim, talvez a generosidade seja exatamente isso: fazer o bem, mesmo quando ninguém está olhando.
Até a próxima.
Fábio
Chicago
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