A BOLA É REDONDA, MAS A DESCULPA É QUADRADA....
Você não assistiu? Não perdeu nada!
Ou quase nada. Foram 90 minutos que somados aos outros 90 da semana passada, só vimos jogadores correndo de um lado para o outro sem saber o que fazer com a bola.
Pareciam e estavam lá para ir e voltar, e voltar e ir, como perdidos sem saber qual posição e tática deviam ter.
O técnico português dono de um Jardim, pedia retranca e temia "Los Hermanos".
E o "Cacique" Medina, movia as suas peças sem acreditar que o poderoso Flamengo, em casa, diante de sua enorme torcida preferia somente se defender.
E o segredo do jogo é colocar a bola dentro do gol.
E no final um festival de pênaltis batidos de forma displicente e sem qualquer garra, sabe aquele gesto tresloucado, de "tanto faz, se entrar, muito que bem"
Não estou aqui falando de um jogo de várzea por que até a várzea, tem uma honra e um tanto de orgulho.
Diante de 75 mil espectadores e todos os milhões que estavam em casa de olhos pregados.
Era um jogo de contra ataque, e o Flamengo, pelo menos aquele catado do Flamengo que apareceu em campo só soube jogar na retranca.
E os heróis do Flamengo que ganham uma fortuna e sem amargar atraso na entrega do contra cheque não fizeram nada para ganhar o jogo em casa e diante de sua torcida.
O Estudiantes fez o que lhe cabia, defendeu-se, ocupou espaços, suportou a pressão, percebeu as dificuldades do adversário e ficaram com 10 jogadores e mesmo assim, souberam se recompor, e sobreviveram diante de uma reação presumida, mas que não veio.
O Flamengo teve mais posse da bola, e não soube o que fazer com ela.
O goleiro Muslera, tão criticado na Copa do Mundo, defendeu 3 pênaltis, e durante os 190 minutos do jogo regular de ida e volta, defendeu 2 lances de bola. Apenas.
Até o Arrascaeta, que ia ficar só no banco, entrou em campo mesmo com o pulso imobilizado e converteu o pênalti.
Bruno Henrique. Lucas Paqueta.Jorginho. perderam os pênaltis, ou chutaram sem qualquer noção de responsabilidade e sem amor à camisa.
Mas a fase ruim não é privilégio apenas do Flamengo....
Há dois ou três meses atrás o técnico do São Paulo, Dorival Júnior, desabafou um comentário do qual se arrependeu bastante depois, dizendo que os jogadores do São Paulo, sentiram medo, nervosismo, fragilidade diante da pressão da torcida do próprio São Paulo, dentro do Morumbis, numa demonstração de confiança e apaixonada por seus jogadores.
Assim como o Corinthians alegou que se desestabilizou diante dos protestos, cobranças e manifestações da torcida organizada diante do fracasso em campo e a péssima administração fora dos gramados.
Uma alegação veemente de um peso emocional que abalou os jogadores.
Mas existe uma diferença enorme entre ser pressionado para conseguir uma vitória, entregar o seu melhor em campo e outra a de ser vencido pela pressão e não responder à altura.
Até por que os atletas do Flamengo são em sua maioria veteranos que vieram de clubes estrangeiros, alguns premiados no exterior e outros são atletas de nível Copa do Mundo.
E quem mais sofre com essa situação?
O torcedor! Que acompanha, torce, acredita, paga ingressos caros, compra camisa, negocia a saída mais cedo do serviço, briga com a patroa em casa, perde a reunião do filho, perde o sono, discute com os amigos na padaria, viaja quilômetros, acompanha o ônibus da delegação pelas ruas de fogo para no fim, escutar que sua presença pode atrapalhar o desempenho de quem recebe para jogar.
Antigamente um jogador chamado Zito ficou conhecido por sua garra incansável, ele era capitão de uma geração que não precisava consultar o preço da própria imagem, para saber o valor de vestir uma camisa e ele representava seu escudo com muita e impressionante determinação.
Seu time poderia estar goleando de 3 gols, ele continuava com o mesmo ímpeto buscando mais e mais gols, e incentivava seus colegas com a sua visão de jogo e passes certeiros, a bola na boca do gol.
Será que acabaram as desculpas?
O gramado artificial que prejudica o rendimento.
A equipe de arbitragem não entrosada.
O árbitro que foi tendencioso
As regras na interpretação
A altitude que desestabiliza
A chuva que impede a bola rolar
O calor que sufoca
A pausa para hidratação e os técnicos
O acúmulo de jogos e partidas que acontecem entre muitos Campeonatos, tudo ao mesmo tempo.
A bola que era redonda
A chuteira que aperta
O técnico que não tem classe
O Estádio que está vazio
A Arena que está cheia
O salário que não caiu
O direito de imagem que não foi pago
O departamento médico
O número de estrangeiros nas equipes
As viagens distantes dentro de um país continente
As bets
A falta das bets
Os horários de transmissão dos jogos
O sábado de manhã
O sábado à noite
Com certeza colocar a culpa no torcedor é uma novidade....ou será um retrocesso?
A verdade nua e crua, que esta aí para quem quer ver, é o Futebol que passa por uma transformação que não se justifica.
Muitas desculpas e nenhum futebol.
E nessa mescla de insucessos estamos na reta final do campeonato brasileiro, onde times de nome, peso e escudo tentam respirar fora d'água e não serem rebaixados.
Enquanto os clubes que quase lideram rezam por um tropeço que os favoreça.
Nessa nossa crônica de quase três anos, ininterruptos, compartilhamos passado e também o presente com um tanto de otimismo.
Então vamos torcer por que o futebol permanece, a história permanece, os atletas são substituídos, novos ídolos surgem.
E a torcida apaixonada que grita e acredita permanece por que esse amor é de verdade e a paixão pelo futebol bem jogado, ainda mobiliza gerações.
Aos leitores um abraço

