Na semana passada, falamos mais um pouco sobre a importância do set dressing. Juntamente com a estória e com os personagens e seus figurinos, os cenários e a sua decoração são peça chave para o sucesso da produção.
E nesta época de Copa do Mundo, período em que o brasileiro se lembra de ser um pouco mais patriota, vamos aproveitar para falar de uma tendência recente na decoração e arquitetura: a Brasilidade. Estamos vivendo um momento onde a arte e a decoração redescobrem as cores, as riquezas culturais e o folclore das mais variadas regiões do Brasil. Há uma valorização das nossas raízes, exaltando o que possuímos de melhor. Foi-se o tempo em que o “mais bonito” era o que vinha de fora. Hoje, incorporam-se materiais como palhas naturais, couro, sisal, vime, argila, madeira, com pitadas do artesanato local, pontuando com exemplos do belo e renomado design brasileiro que, misturados à criatividade, cordialidade e espontaneidade do povo brasileiro, resultam em uma nova identidade na decoração: a Brasilidade; um reflexo das nossas origens, das nossas raízes. Tudo isso aliado ao bom gosto, elegância e sofisticação.
Foi seguindo este pensamento que a coluna escolheu cenários de dois folhetins recentes em particular: “A Força do Querer” (2017) e “O Outro Lado do Paraíso” (2018). Vejam a seguir:
Slides 02 e 03: Embora tenha sido ambientada no Pará apenas nos primeiros capítulos, a cultura da região Norte esteve presente nos cenários ao longo de toda a novela “A Força do Querer”, 2017. Já à primeira vista, nota-se a cor verde, bastante presente nos cenários, inclusive nos tons das paredes (segundo a Pantone, empresa responsável pelo sistema de cores, o tom “Greenery” foi a cor do ano de 2017 – http://www.pantone.com.br/inteligencia-da-cor/cor-do-ano-2017/). Ao lado do verde amazônico vem a madeira, também presença marcante na maioria dos interiores, seja como artesanato, ou como revestimento (ripada) ou também como divisão de ambiente. Plantas e flores tropicais se juntam à equação para traduzir a essência brasileira.
Slide 04 e 05: O verde também aparece na cor exuberante do veludo do sofá, móvel central do cenário. Do contato com a tribo indígena Ashaninka, na fronteira do Acre com o Peru, durante a viagem de pesquisa para a novela, somado a compras em galerias, mercados municipais e cooperativas de artesanato, a Cenografia e a Produção de Arte trouxeram vários elementos típicos da região Norte para “dressar” os principais cenários, como o apartamento de Eugênio (Dan Stulbach) e Joyce (Maria Fernanda Cândido). O fato de ser “handmade” integra valor às peças e dá mais identidade ao ambiente. Como na trama, Eugênio faz diversas viagens para a região amazônica por causa do seu trabalho, encontramos todo o tipo de lembranças e “souvenirs” dos lugares que ele conheceu nos cômodos da casa e do seu escritório. (Atentem para os itens destacados pelas setas nos slides 3, 4 e 5)
Slide 06 e 07: Já no apartamento de Eurico (Humberto Martins) e Silvana (Lília Cabral), a Brasilidade se exprime pelo uso da madeira, tons neutros nos objetos, móveis, piso e paredes e pela utilização de tecidos leves e claros, que contribuem para a criação de um ambiente natural, fresco e arejado. Para completar, plantas em vasos ou arranjos, enfeitam os espaços. O artesanato nortista também está presente na cestaria, assim como os tapetes com figuras geométricas lembram os grafismos indígenas.
Já na novela “O Outro Lado do Paraíso”, uma das formas de exaltar a Brasilidade nos cenários foi a utilização de obras de artistas plásticos brasileiros, principalmente da região Centro – Oeste, onde se passava a trama, em uma justa homenagem aos talentos desta região do Brasil.
Slide 08: Casa de Clara (Bianca Bin) e Gael (Sérgio Guizé), na primeira fase. Em destaque, telas da série “Cupins”, de Humberto Espíndola, do Mato Grosso do Sul. No canto direito, duas esculturas do artista plástico pernambucano do Vale do Catimbau, Luiz Benício. Reparem também no significativo uso da madeira nas principais estruturas, móveis e painéis, além da mesa de centro.
Slide 09 e 10: Já na casa de Clara (Bianca Bin), na segunda fase do folhetim, chamava a atenção o impressionante painel de cerâmica do renomado escultor, ceramista e artista naïf Américo Poteiro, mineiro, mas residente em Goiás, estado que sempre representa em suas obras. No segundo pavimento, imperava uma outra imponente obra do artista, a tela “Ipês em Cacho”, mais uma vez exultando o centro-oeste.
Slides 11 e 12: A geometria do extenso e majestoso tapete que cobria grande parte da sala remetia ao grafismo dos Índios Karajás, habitantes das margens do Rio Araguaia no Tocantins, Mato Grosso e Goiás. Na mesa de canto, ao lado do sofá, pendia um lindo colar indígena feito de madrepérola. Com um toque elegante, uma pequena escultura ao lado do telefone representava o “Chuveirinho” (Paepalanthus SP), típica flor do Cerrado da região Centro-Oeste. Alinhado ao conceito de Brasilidade, o verde das plantas também estava bem presente no jardim de inverno e na varanda ao fundo da sala.
Fatima Guinard, Luiz Sisinno, Fabiana Seixas, Andrea Durigan Nakai, Bia Perdigão, Claudia Margutti e Mauro Mendes.
Cenografia
Tiago Marques Teixeira, Mauricio Rohlfs e Danielly Ramos
Cenógrafos Assistentes
Natália Faria, Juliana Meninea, Babi Targino, Murilo Esteves, Paula Santa Rosa, Tatiana Alves, Mariana Villas Boas e Luana Ribeir
Fernanda Bedran
Profissional de Cinema e Televisão, formada pela Boston University College of Communications em Broadcasting and Film. Com uma vasta experiência na área, passou os últimos 17 anos trabalhando como Produtora de Arte na TV Globo, desenvolvendo suas atividades tanto em Novelas e Seriados, como em Programas de Variedades (Caminho das Índias, Salve Jorge, Araguaia, Chocolate com Pimenta, Caldeirão do Huck, Malhação, Tamanho Família, Adnight, entre outros). Atualmente, trabalha independentemente em projetos culturais e na área de entretenimento. De natureza investigativa e curiosa, compartilha também a coluna sobre a nossa complexa e labiríntica língua portuguesa.
Adorei o Post cheio de informações didáticas e curiosas. Amo o painel do Escultor Américo Poteiro, uns dos destaques da matéria.
Fernanda Parabéns!
Quero mais!
Beijos
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Respostas de 2
Adorei o Post cheio de informações didáticas e curiosas. Amo o painel do Escultor Américo Poteiro, uns dos destaques da matéria.
Fernanda Parabéns!
Quero mais!
Beijos
Obrigada Écio querido! Lindas e sábias palavras! Muitas saudades!