Eles foram casa um para o outro. E também a tempestade.

Foram refúgio, mas também os ventos que derrubaram as portas e escancararam janelas. Vento de temporal.

Amaram-se com força.

Erraram. Erraram juntos. Erraram sozinhos com a mesma força.

E quando tudo ruiu, cada um partiu com seus escombros nos braços.

 

Os anos passaram, como passam as estações.

As cicatrizes se tornaram pele nova.

A dor amoleceu nas bordas.

Mas o que nunca foi embora, o que insistiu em ficar, foi o amor.

Não aquele amor idealizado, limpo e perfeito —afinal, tudo é tão imperfeito!

mas o amor real, vivido, maduro, com suas marcas e memória. Uma vida!

 

E então, um reencontro. Dois. A entrega!

Olhos que se reconhecem antes mesmo de se encarar.

Mãos que ainda sabem o caminho exato da pele do outro. O cheiro, o gosto, histórias infinitas!

Silêncios que já não são ameaças, mas abrigo.

A intimidade, guardada como um bom segredo, volta sem pedir licença.

 

Há algum medo silencioso em ambos

Há dúvidas, porque o coração também aprende a se proteger.

Mas há, acima de tudo, um desejo genuíno de tentar…

Não de repetir o que foram —

mas de construir algo novo, com a memória do que aprenderam. Com a força do que são, juntos!

Imparáveis. Únicos!

 

Agora, mais maduros, mais inteiros, eles ganham a chance rara de reescrever a história a quatro mãos.

Não se trata de apagar o passado, mas de escrever por cima dele com tinta mais firme, fresca pintura, cores e nanquim.

O amor ainda mora ali, entre os gestos pequenos, nas músicas que voltaram a ser compartilhadas, no dormir entrelaçados um ao outro…No carinho que se estende madrugada afora…

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na maneira como o outro ainda reconhece onde dói — e sobretudo o que os cura.

 

Que o medo não os paralise.

Que o orgulho não grite mais alto que o carinho que transborda…

E que esse amor, que nunca morreu, encontre enfim o tempo certo e o caminho para viver tudo o que não pôde antes.

 

Porque alguns amores, quando verdadeiros, por mais que se percam no caminho,

foram feitos para ficar.

E não há neste mundo de desatinos, o que o vença!

 

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Uma resposta

  1. O texto de Roberta de Moraes é um retrato poético e visceral do amor em sua forma mais pura e imperfeita—uma dança entre refúgio e tempestade, erro e aprendizado, distância e reencontro. A construção das frases traz ritmo e emoção, como se cada palavra carregasse um pedaço da história vivida pelos protagonistas.

    A beleza do texto está na honestidade com que o amor é retratado: não como um conto idealizado, mas como algo que se molda ao tempo, que carrega cicatrizes e que, apesar dos desencontros, insiste em existir. A escrita é profunda, madura e capaz de fazer o leitor sentir cada nuance dessa jornada emocional, desde a dor da separação até a delicadeza do reencontro.

    A forma como Roberta traduz a intimidade—no toque, no cheiro, no silêncio que acolhe—demonstra uma sensibilidade ímpar. É um texto que pulsa, que respira e que, acima de tudo, acredita no poder do amor real e vivido. Magnífico!

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