Fazer aniversário é um presente para mim. Não falo só das comemorações, embora eu ame cada uma delas. Mas do simbolismo: o tempo tem me feito bem. Até fisicamente — e não por vaidade, mas porque espelha o cuidado que venho cultivando com o meu corpo e com a minha mente. Um cuidado que é fruto de escolhas diárias, mesmo quando o caminho é difícil, cheio de dúvidas e de pequenas batalhas internas.
Essa semana, por exemplo, comecei querendo mudar hábitos. Coisas simples, tipo manter a casa em ordem todos os dias, ir além da rotina de lavar a louça e fazer a comida. Mas logo senti o cansaço bater e me perguntei: será que estou querendo fazer demais? Já trabalho bastante durante o dia com meus projetos, já faço exercícios, me alimento bem, cuido do Checkinsp — e ainda assim achei que deveria dar conta de mais. E me culpei. Achei que talvez eu não estivesse sendo suficiente.
Mas talvez o que esteja tentando fazer é, justamente, crescer. Ajustar os passos. Ser gentil comigo mesma enquanto aprendo a ser constante sem me sobrecarregar. E parar, quando necessário, também é movimento.

Esse tipo de consciência tem muito a ver com minha volta à igreja — ou melhor, à minha fé. Voltar a ir à missa semanalmente tem sido um reencontro comigo e com Deus. Não vejo como um ritual imposto, mas como um espaço de acolhimento, de escuta, de perdão e aprendizado. Sei que Deus está em todo lugar, inclusive aqui, enquanto escrevo essas palavras, mas na missa me sinto parte de algo maior. Uma comunidade, um elo. É como estar num abrigo dentro do caos dos dias corridos.
Talvez por isso eu goste tanto de fazer aniversário. Porque é como uma pausa sagrada no calendário. Um momento em que me autorizo a olhar para dentro, ver o que já caminhei, o que ainda desejo, o que ficou para depois. Fazer aniversário no meio do ano é quase como viver um “ano novo pessoal”: perfeito para listar conquistas, revisar metas, mudar o que não faz mais sentido. Um checkpoint emocional e espiritual.
Esse ano, a comemoração começou em maio, em Nova York — uma viagem de casal e um sonho que, embora não estivesse no topo da lista, se realizou com intensidade e gratidão. Dessa vez fui eu quem organizou tudo: roteiro, orçamento, logística. Eu, que costumo deixar isso com meu marido. E que surpresa boa foi perceber do que sou capaz quando me coloco em ação. Me admirei. Me orgulhei. E NY também me encantou: limpa, viva, cinematográfica. Aquela arquitetura que te obriga a olhar para cima e respirar fundo entre o antigo e o novo, o concreto e o verde, o cinza e o céu.
Mas agora é junho. Agora é São Paulo. Agora é meu momento. A celebração da vez vai ser mais íntima: um jantar com amigos, um passeio gastronômico, um fim de semana de cuidados comigo mesma. Um ritual de autocuidado e presença. Um presente que não se compra — se vive.
Porque viver bem é isso: reconhecer que a gente muda, cansa, aprende, volta. E segue. Com mais fé. Com mais leveza. Com mais verdade. Então um beijo até o próximo Check-in da Lau.
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