Entre Bicicletas e Anjos: Um Título em Construção

Bom dia, meus amigos,

Não sei exatamente como chamar a coluna de hoje. Pode ser: “Uma Bicicleta Elétrica e a Generosidade Invisível”, ou “Cultural Fusion in Lyon: Onde os Anjos se Encontram”. Talvez “Presente Inesperado, Comunidade Inesquecível”. Quem sabe algo mais irônico, mas que me enche de alegria: “O Grupo Que o ChatGPT Recomendou”. Ou ainda: “Lyon em Muitas Línguas, Uma Só Voz”.

— Fábio, o teu aniversário é em poucas semanas. O que você precisa? — pergunta meu amigo italiano, Enzo, com aquele sotaque italiano carregado de entusiasmo.

— Bem, eu na verdade… não sei — respondo, com um sorriso sincero, mas incerto.

— Eu sei o que você precisa — ele me interrompe, o rosto já iluminado de idéias.

— O que eu preciso, Enzo?

— Você precisa de uma bicicleta elétrica.

— O quê? — retruco, surpreso, embora no fundo saiba que ele tem razão. Concordo com um gesto e completo: — Seria impossível comprar uma… visto o valor.

Ele insiste, com a lógica de quem observa de fora:

— Você precisa. São muitas colinas em Lyon, você mora fora da cidade, sempre vem para as reuniões, enquanto a Johnna usa o carro para levar as crianças à escola ou para as suas próprias atividades. Não faz sentido você usar uma bicicleta normal — ainda que seja um excelente exercício pra você.

Apesar de concordar com meu querido amigo, a realidade era clara: seria impossível encaixar uma bicicleta elétrica no nosso orçamento. Seria um gasto para atender a uma necessidade muito específica — minha — e que se tornaria também, inevitavelmente, um pequeno luxo pessoal.

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— Deixa comigo — diz ele, encerrando a conversa com um abraço firme e uma intenção misteriosa.

Passaram-se algumas semanas. E então, recebo uma daquelas surpresas que mexem com a alma.

Enzo e Johnna haviam criado uma página na internet. E ali, amigos de Lyon — assim como alguns queridos do Brasil e dos Estados Unidos (talvez até você, que está lendo agora) — contribuíram generosamente.

Acabo de receber um dos presentes mais extraordinários da minha vida.

Não pela bicicleta em si — embora ela vá me poupar das subidas mais difíceis de Collonges —, mas pela imensa generosidade demonstrada por esse grupo de pessoas tão especiais. Amigos de ontem e de hoje, próximos e distantes, unidos por algo invisível… mas profundamente real.

O mais extraordinário de tudo isso é perceber que a comunidade que se formou em Lyon cresceu não apenas em número, mas em humanidade.

Ontem, por exemplo, organizamos três atividades no parque: uma roda de conversação em inglês, outra em espanhol, e um piquenique. Cerca de 50 pessoas participaram.

Uma garota portuguesa, que morou na Inglaterra e na Irlanda, disse com brilho nos olhos:

— Eu procurei algo assim em todos os lugares por onde passei, e nunca encontrei. Aqui, finalmente, encontrei o que sonhava.

Um australiano recém-chegado estava igualmente surpreso com a riqueza cultural e a diversidade que encontrou ali, naquele simples encontro de domingo. Mas talvez o mais surpreendente tenha sido um jovem da Argélia, que nos disse:

— Foi o ChatGPT que me recomendou esse grupo. Disse que era ideal para uma experiência multicultural em Lyon.

Johnna e eu mal conseguimos expressar a nossa alegria. Quando agradecemos aos nossos amigos por participarem desse movimento, ouvimos deles:

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— Obrigado por terem criado isso.

Mas a verdade é o contrário: nós é que agradecemos. Sem a participação de cada um, sem a energia de cada alma que aparece e se entrega, essa tapeçaria de línguas, etnias e culturas chamada Cultural Fusion in Lyon jamais existiria.

Ah, e antes que eu esqueça…

Há quase três anos tentamos iniciar um podcast, Johnna e eu. Mas entre estudos, casa, meninas e reuniões, o tempo nunca foi suficiente.

Pois bem, esta semana, um rapaz recém-chegado ao grupo, depois de vivenciar essa nossa pequena utopia social, veio até mim e disse:

— Vocês precisam lançar esse podcast. Eu trago os equipamentos e cuido da parte técnica. Vocês só precisam se preocupar com o conteúdo.

Coincidência? Talvez não. Porque o projeto já estava guardado há tempo. Inclusive, meu querido amigo Leo — que provavelmente está lendo isso agora do Brasil — já havia se comprometido com a vinheta e a edição.

Mas esse é assunto para outra coluna.

Desejo, de todo o meu coração, que você tenha uma ótima semana.
E que todos nós sejamos surpreendidos por seres humanos que se apresentam em nosso caminho como anjos — e nos ensinam, com pequenos e grandes gestos, que ainda há humanidade, ainda há amizade sincera, em um mundo cada vez mais egoísta e superficial.

Até a próxima.
Fábio
Collonges-au-Mont-d’Or

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