Bidu do Corinthians

Antes da escrita, do papel pautado, da borracha e do lápis apontado, todas as nossas lembranças vem de coisas contadas, de testemunhos das mães e dos feitos dos pais.
A reunião de domingo diante de uma macarronada, o passeio no Parque do Ibirapuera, as tardes na porta de casa com os vizinhos, rindo e ouvindo as boas novas.
Assim se formaram as tais referências, as amizades que superam as dificuldades. E criaram cascas para os momentos mais raros da vida.
O avô vai contar das pescarias, das madrugadas acordando cedo, do café coado na hora e das tantas tralhas que cabem no carro, daquele peixe enorme que virou foto e festejado com muitos goles de cerveja.
O pai todo orgulhoso vai falar do seu time do coração, que acompanha desde pequeno, da camisa original que ainda guarda com carinho, do ingresso pago com seu primeiro salário e até mostra um álbum enfurnado no alto do guarda roupa, onde tem fotos das crianças pequenas vestidas com uniformes do Corinthians, indo para o estádio, numa tarde de Clássico e a melhor prata da casa.
Não sei se os leitores conhecem algum lugar assim, mas gosto de bares pequenos bem antigos, com gente de cabecinha branca, discutindo o resultado do jogo do bicho, se vai chover de tarde, sobre o jogo no final de semana e sobre o tempo do Onça.
Se algum mais atrevido lembrar dos dribles do Garrincha, na hora começam as comparações e “senta que lá vem história” e da boa, entra o Pelé, o Pepe, o Tostão e o Rivelino. Alguém lembra do Carlos Alberto, outro do Zico, que alguém diz que é menino nessa história toda.

Hulk do Atlético Mineiro

Alguém lembra de Telê, do Brandão, do Wanderley Luxemburgo, do Saldanha e alguém pergunta, o comentarista? Mas a conversa não é sobre técnicos?
É sobre futebol por certo, e vira e mexe, e mexe e vira e se fala do Abel Ferreira, do Dorival, do Filipe Luis e os cabecinhas brancas, no alto da sabedoria, sorriem de tudo isso, junto e misturado.
O futebol tem muitas habilidades e uma delas é passar entre as gerações o mesmo ímpeto, o coração cheio de orgulho, as lembranças que construíram gerações completamente apaixonadas.
E se tratando de paixão, haja coração para essa disputa da Copa do Brasil. Onde os pequenos levaram vantagem sobre os grandes nos derbys. Onde o poder aquisitivo pode ter entrado no Estádio, mas na hora da bola rolar, dentro do campo a história foi bem diferente.
O Flamengo que compra tudo que pode, não se achou ainda nos Campeonatos de 2025. Penso que a identidade do Flamengo tão solicitada pela torcida, hoje se perdeu um pouco, mais ou menos como aquele caso, onde se acha um guarda roupa enorme com roupas e vistosas, elegantes até e não soubesse escolher e nem definir o que lhe veste bem.
Imaturidade de seu treinador? Ou faltam bons conselhos para a caminhada?

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Everaldo do Fluminense

O São Paulo tinha tudo para ganhar e poucos reservas de escolha, mas mesmo assim não escolheram certo, os seus titulares estão machucados e Rafael escolheu enfrentar o adversário no desarme, e quem acabou desarmado foi ele. Escolheram o Jandrei. Que estava frio e sem ritmo de jogo…Mas o Jandrei escolheu pegar o touro a unha e acabou sem o São Paulo. Será ele o único culpado?
O Fluminense do Renato Gaucho fez o feijão com arroz bem temperado e até mesmo sem Arias, conseguiu a vaga.
O Bahia de Ceni, vem pelas beiradas, sem muito alarde.
Assim nesse Mata Mata, muitas surpresas sugiram, alguns conquistaram a sua vaga já na fase de ida e outros jogaram muito na volta. E também o Vasco e o Cruzeiro em noite de Cassio.
O Corinthians é um capítulo a parte. Quase o mais improvável de todos os clubes que disputavam uma vaga. Improvável? Não pela grandeza. Não por sua história enorme de conquistas e títulos memoráveis.
Mas pela atual situação crítica que atravessa, tão delicada e que está muito longe de acabar.
As antigas administrações não tinham a preocupação de conhecer o Clube, e não se dedicar à manter o nome limpo e os caixas com reservas e as contas pagas.
Não fizeram por falta de capacidade? Talvez!

Kaio Jorge do Cruzeiro

Mas essa é uma resposta que os inquéritos policiais e as auditorias financeiras buscam comprovar.
Mesmo com salários atrasados, mesmo com prêmios prometidos e não pagos, com direitos de imagem em falta, o time venceu seu arqui rival.
Mesmo com a equipe extremamente desgastada e sem reservas, sem repertório de táticas de jogo, sem estrutura financeira e dívidas que alcançam as galáxias, o time ganhou a vaga, sem precisar da disputa de pênaltis.
O maior patrimônio do Corinthians é a sua torcida, que acompanha, torce, vibra, delira, investe, acredita, apóia, cobra, invade….Mas ama incondicionalmente.
Então esse Mata Mata não poderia ser de outra forma, recheado de surpresas inesperadas, de emoção em cada disputa de bola, em cada pênalti cobrado, em cada defesa de goleiro que gritou Aqui Não Violão!, em cada gota de suor, no poropopó, na casa do adversário, no apito do juiz ao final das partidas.
Futebol é assim ….
Paixão até o último segundo
Até a semana que vem queridos leitores
E um abraço à todos os pais do Brasil

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