Meus queridos amigos,
A natureza, desde sempre, nos abre os olhos para a gratidão e nos ilumina para, no mínimo, olhar com sinceridade para o Alto — carregando a impressão de que existe um Criador, ou algo que está para além do brilho do Sol que o criou.

Cresci em São Paulo, cercado por enormes arranha-céus, metrôs lotados e o frenesi de carros e buzinas. São Paulo, Toronto, Barcelona, Chicago — cidades que fazem parte do meu curriculum vitae. Por mais que tenham parques e tentativas de verde, tudo parece diminuto diante do corre-corre do dia a dia. O barulho da cidade muitas vezes é infinitamente mais alto que o silêncio da natureza, aquele silêncio capaz de conectar o ser humano ao Criador, ao mundo tangível e intangível, ao material e ao espiritual.


Ora, foi a partir da minha experiência no Japão, vivendo em Fujisawa quase 10 anos atrás, que a natureza começou a ganhar espaço na minha jornada espiritual. Aliás, venho de uma tradição cristã que me ensina que a voz do Criador se faz ouvir por toda a Terra, e vejo como o firmamento anuncia as obras de suas mãos. Não há palavras nas montanhas, rios, vales ou oceanos, mas as “impressões digitais” da Criação são reais — e nos chamam a nos conectar conosco, com o próximo, com a natureza e com o Criador. Isto posto, nestas últimas duas semanas, por conta das férias de verão na Europa, fiz um “break” forçado. Ainda que tenha continuado desenvolvendo projetos, preparando palestras, organizando encontros online e planejando a agenda dos próximos dez meses, fiquei longe do ritmo intenso dos eventos que recebem cerca de 200 pessoas por semana.


Busquei, então, o silêncio como prece. Cada canto de pássaro, cada correr de água de algum riacho parecia compor um dueto que até Mozart ficaria boquiaberto. Descobri que quando a natureza ocupa um espaço em nossa jornada espiritual, cada área verde se torna oportunidade de voltar para dentro de nós mesmos. Cada pôr do sol é motivo de gratidão por mais um dia de vida, e cada amanhecer, sinal de que a catedral de Deus nos convida a alguns minutos de oração.






Espero, de todo coração, que, mesmo estando de volta à Lyon, e você onde quer que esteja — São Paulo, Rio de Janeiro, Chicago, Barcelona ou Jacarta — não permita que o barulho das buzinas ou o cimento do asfalto o impeçam de ver o verde das árvores, o colorido das flores, e ouvir o barulho das águas, ainda que escondidos entre prédios e quarteirões industriais.


Até a próxima.
Fábio
Collonges au Mont D’Or
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Respostas de 2
Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite! Salmo 19:1 e 2!!🙏🙏
Meu querido Pr Mario Alves,
Que bom ver o senhor participando desta coluna.
Uma das maiores riquezas na jornada espiritual, na minha opinião, é ter esta sensibilidade da criação e do Criador.
Não há palavras e som algum se escuta, mas por toda a Terra, paradoxalmente, se faz ouvir a Sua voz.
Um forte abraço e ótima semana para o senhor.
Fábio