Olá meus amigos queridos,
Uma das minhas maiores alegrias é falar sobre espiritualidade e sobre a história da Igreja em um ambiente repleto de expressões de diferentes tradições cristãs — multicultural e multilíngue.

Pois bem, no último fim de semana realizei um sonho de seis anos. Isso mesmo!
Esperei seis anos para levar um grupo tão diverso à linda região do Piemonte, nos Alpes italianos, onde o movimento de Pedro Valdo — nascido em Lyon no século XII — encontrou refúgio nas grutas e cavernas de Bobbio e Torre Pellice, fugindo das terríveis perseguições religiosas que tentaram calar e silenciar os assim chamados “Pobres de Lyon.”


O nosso grupo reunia pessoas da Austrália, Inglaterra, França, Brasil, Espanha, Nigéria, Holanda, México e Estados Unidos.
E talvez você me pergunte: quem foi Pedro Valdo? O que ele fez para ser perseguido? Por que quase ninguém conhece a história desse movimento?


Eu poderia escrever por horas sobre Pedro Valdo, que foi considerado pela Igreja da Cristandade — a instituição que representava o poder político e religioso no século XII — um herege. Há, inclusive, uma estátua sua na Catedral de Saint-Jean, em Lyon, ao lado de monstros e demônios, pregando “para o nada”, como se ninguém devesse ouvi-lo, condenado à danação eterna.


Em contrapartida, para muitos ele foi um pré-reformador. Teve a coragem de vender tudo o que possuía — sendo um homem muito rico — e viver o voto de pobreza e fé. É visto como o primeiro a contratar especialistas para traduzir as Escrituras para o idioma local, o provençal, séculos antes de Lutero, John Wycliffe, Jan Hus e Savonarola, em Florença.


Esse movimento viveu uma profunda experiência de fé e resiliência. Não havia disputas por hierarquias ou títulos religiosos. São considerados os primeiros a fundar uma escola bíblica na Europa, no século XII, e a treinar e enviar jovens — homens e mulheres — para se inserirem na sociedade europeia e apresentar as Escrituras traduzidas. Tinham também a consciência da importância de ensinar a Bíblia às crianças, e viveram como mentores espirituais até serem acolhidos pelos reformadores em Genebra, no século XVI.


Quero parar por aqui, mas caso você queira saber mais sobre o movimento e sobre como o nosso grupo multicultural e multilíngue se reuniu nos vales e Alpes italianos, veja a série de vídeos que gravei antes e durante a nossa jornada histórica e espiritual seguindo os passos de Pedro Valdo, no meu Instagram @fabio_johnna.


E o que podemos aprender com tudo isso? Talvez você me pergunte.
De todo o meu coração, espero que aprendamos que a tolerância é a chave fundamental em um mundo hoje tão repleto de misoginia, patriarcalismo, abuso e guerras de todas as naturezas. Espero, sinceramente, que onde quer que você esteja, tenha a coragem de praticar a inclusão, o discernimento e a solidariedade, para acolher o marginalizado, o perseguido, o grupo minoritário — sabendo que o espírito do Evangelho é simples assim.
Um beijo grande a todos vocês!
E até a próxima.
Fábio
Lyon
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