Difícil essa vida de técnico. Antes na busca por técnico, se procurava um homem experiente, com vasta bagagem no esporte, um ídolo ou um atleta de destaque, com inúmeras estratégias de jogo, com repertório variado (como os antigos vendedores de porta em porta que comercializavam de cobertor, lençol, fronha, manta, agasalho, pano de prato, toalhas de banho e mesa, pomadas para reumatismo até xarope para tosse), e um paizão, nas horas da bronca ou livrar a cara dos jogadores depois da noite de farra e corpo mole nos treinos.
E assim os técnicos de antigamente eram confiáveis e se mantinham no cargo quase vitalício.
Hoje, exatamente nos dias atuais, técnico tem que ser formado, um psicólogo para conflitos principalmente de egos, um estrategista com inúmeras soluções rápidas para as frequentes crises, ser diplomático com a imprensa, um guerreiro para defender seus comandados em campo, enfrentar a arbitragem, conhecer regras, expor suas ideias em campo e fora dele, um administrador entre o clube e o gramado e driblar os presidentes e diretores para que as más gestões não respinguem no tapete verde.

Um visionário do campeonato e conhecedor como poucos dos seus adversários, sejam eles quais forem.
E também líder de uma equipe poderosa, a Comissão Técnica com profissionais prontos para ajudar, mas que também dependem do seu êxito e sabedoria.
Pensando nisso, lembro que gastei um tempo, tentando entender o que seria o treinador de bola parada, achei de início, confesso, uma piada, ou um disparate, afinal bola parada é bola parada, e pronto!
Quanto mais pensava, imaginei dever ser como uma lógica, um clichê como a Noite dos Mortos Vivos….
Se são mortos, não são vivos e são vivos não são mortos então por que dizer da noite, que nesse contexto, pouco importa! rsss.


O que pretendo comentar é que de uma bola não parada e de uma atitude atônita, a Seleção Brasileira, levou três gols da “poderosa” Seleção do Japão.
Não sei quem mais eram os surpreendidos, se nós que perdemos boa parte do sono da manhã, ou os japoneses que entraram em campo, aceitando o empate, até ver que o Brasil, simplesmente não reagia.
Estamos a poucos meses da Copa do Mundo, onde vacilos, descuidos, sonecas e salto alto, serão fatais em jogos tão decisivos e com adversários prontos e bem treinados no mínimo há 4 anos.
Se pode compreender perder o jogo, essa é a máxima, e como dizem alguns jogo é jogo e treino é treino e amistoso é só demonstração.
Bem se essa foi a demonstração, não foi esse o nosso melhor perfil, temos que solucionar esse abatimento, essa letargia, essa inércia que se abateu.
Cadê a Inteligência Emocional? Cadê os tantos anos de Europa? Cadê a malícia e a experiência internacional de estar nos melhores clubes do mundo? Cadê as reações após cada golpe? Cadê a vontade mesmo que individual de pegar a bola, depois do baque e sair para a luta, “deixa comigo, eu resolvo”.


Sem exageros, uma criança de 4 anos ou até menos, teria reagido melhor e seguramente colocaria a bola, debaixo do braço e ia mostrar como se ganha um jogo, seja ele amistoso ou não!
E se os antigos, sim…. vou falar dos antigos novamente, nos ensinaram algo, foi lutar e superar desafios, ver soluções, descobrir saídas, sair das crises, encarar o adversário com respeito e lealdade, mas nunca baixar a cabeça, afinal ninguém melhor do que nós mesmos, para reconhecer que somos bons no que fazemos, no esforço cruel que tivemos que dar, para estar no lugar certo, na hora certa, na determinação que foi para vencer cada disputa e tantos e tantos treinos. Vencer a concorrência dentro dos clubes, não se abater com a inexperiência maldosa dos dirigentes, sair das entrevistas e jornalistas que buscam ver além da verdade exposta, enfrentar a família, as críticas internas e externas e sorrir mesmo quando as lesões e as contusões te lembrarem que você é humano.
Com tantas frases e diante dessa fase tão complicada em relação às arbitragens, digo que me lembrei de meu pai que desde os anos 60 apitava e não eram jogos fáceis, também com muita rivalidade e imensos desafios.
Ele não saiu das salas de aula de arbitragem e entrou nos grandes palcos de antigamente, como o Morumbi, Pacaembu, Maracanã, Beira Rio, e muitos outros que recebiam toda a atenção que os grandes clássicos provocavam, entre torcida, paixão e a vitória pela conquista de títulos.
Houve uma fase árdua e que exigiu muito do conhecimento das regras, da aplicação exata de cada uma nas decisões de campo, não subjetividade da interpretação, na autoridade em campo, nas decisões inflexíveis e sem auxílio do Var. E decisões essas em segundos, e muitas vezes bem discutidas entre os técnicos, a imprensa e a torcida.
Um dia desses ouvi um comentário interessante, sobre arbitragem e um especialista no assunto citar Dulcidio Wanderley Boschilia como referência e um homem que representou sua época! Emocionante!


Então acorda, Brasil.
Mostra ao mundo todo o seu valor!
A garra brasileira, o molejo, a cadência, o drible, a alegria de estar em campo, os gols que saem e encantam e se tornam gritos de alegria e enorme satisfação. …
Por que nós podemos, somos Brasileiros, Sim Senhor!
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