Todas as vezes que sabem que sou filha de um árbitro de futebol e mais especificamente Dulcidio Wanderley Boschilia, quem o conheceu, lembra de algum fato, de momentos especiais reservados na memória.
Alguns lembram dele, no campo, com a autoridade e determinação que a profissão exigia, e a sua presença imponente e orgulhosa de vestir o uniforme.
A energia de correr e conversar com os jogadores, orientando para que se concentrassem na partida e não em atingir o adversário e usar de antidesportiva. Essas pessoas que puderam ver o seu desempenho em campo mencionam gols, sabem as datas e até onde assistiram, em casa ou no estádio.
E claro, lembrar é importante e me enche de orgulho.

De outra maneira, alguns estiveram com ele pessoalmente, foram próximos, no trabalho, no dia a dia, no tempo de escola, no tempo de universidade, nos tempos de várzea, ou até pelas padarias e cafés da manhã, dessa vida.
E confesso, me sinto imensamente feliz, por que meu pai, era um bom pai, excelente amigo, carismático e muito direto e verdadeiro.
Adorava brincar com as pessoas, que conquistavam sua amizade, foi um filho dedicado aos pais, e à sua maneira cuidou de tudo e viveu várias vidas, e facetas nessa única vida que Deus nos deu.
A arbitragem não foi a sua primeira escolha, desde pequeno sonhava em ser goleiro e pelo que sei era muito bom, com elasticidade, muita impulsão e boa visão de jogo.
A chance de ser goleiro, surgiu quando a idade não lhe favorecia e quem lhe orientou à ser árbitro, José Poy, que representava o São Paulo, e avaliava grandes talentos, foi o mesmo que percebeu que realmente o esporte estava em suas veias, e se não pudesse ser guarda metas, um bom defensor do gol, não queria destruir um sonho de infância. O rapaz, Dulcidio possuía talento e o esporte era seu maior desejo.


O certo é que seus conselhos foram sábios e seguidos em busca de muito estudo, dedicação, conhecimento na prática e na teoria exigia mais do que vontade, ter vocação, por que os juízes não agradam todo mundo.
Meu pai apitou Grandes Clássicos, onde na sua época mobilizavam torcidas, a imprensa e esses grandes espetáculos, eram noticia na semana toda, e as rivalidades à flor da pele, com jogadores de raro talento.
Mas claro, para chegar nesse ponto, ter essa “tarimba” apitou em jogos de várzea, na Casa de Detenção de São Paulo, em campos sem proteção, por diversas vezes precisou usar de seu revólver (era policial) para sair vivo. Provas difíceis onde campos de futebol sem banheiro, sem água, sem luz, em cidades pequenas ou grandes, que nem sempre aceitam o diálogo. Querem resolver no soco e pontapé.
Cruzou esse país de norte a sul de leste a oeste, em todos os cantos, até fora do país.
Sei que ele cumpria seu trabalho com seriedade, mas agradeço imensamente a lembrança generosa das pessoas que de alguma maneira, estiveram com ele, na sua vida pessoal, e descobriram quanto era inteligente, especial e divertido.
Se fecharmos os olhos, já será Natal.
Estou apressando as coisas? Acho que não!
Existe no ar, uma decisão, duas decisões, muitas decisões de Campeonato, Taças e Mundiais que vão se atropelando em datas e controles de carga, e compra e venda de jogadores por que o ano que vem, as coisas vão mudar.
Não sei exatamente para melhor ou pior, mas diferentes de tudo que já se organizou por aqui antes.
E claro, a tão aguardada Copa do Mundo!


De imediato o Campeonato Brasileiro que em sua reta final, disputas acirradas, cabeça com cabeça, valendo cada detalhe, gol, falta, cartão, pênalti, gramado, dia da semana, árbitro, pronunciamento antes da partida, depois da partida, quem ofende, ou quem foi ofendido. Uma trama quase novelesca!
Antes era no campo, disputa de espaço e gols que enchiam os olhos e a torcida invadia o gramado, e de joelhos e muita reza, agradecia aos deuses da bola, com fervor e juras eternas.
Hoje….quanta diferença!
Nessa quinta feira, jogão de bola, Palmeiras X LDU, um inexplicável e inesquecível jogo de final de campeonato, sem ser de verdade, por enquanto.
Será por que foi um Brasileiro contra um Português?
Ouvi nos comentários que o LDU, brigou por cada bola, por cada lance, por cada disputa, como quem tem fome. Será que foi isso que faltou? Ou a altitude?
Muito mais que isso certamente, por que ainda tem a disputa no Allianz Parque, foi a meu ver um jogo emocionante, como deve ser um jogo de duas equipes que sonham grande e não entraram em campo, por nada mais que a vitória do talento coletivo, da determinação pela vitória, o jogo, no entrosamento, bem ajustado e no respeito ao adversário.
Acho que chegamos naquela hora importante, separar os Homens dos Meninos!
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