Bom dia meus amigos,
Enquanto esperávamos pela nossa conferência na Croácia, fomos a Dubrovnik, onde passamos alguns dias com as crianças. Lá, tive a oportunidade de fazer uma verdadeira viagem no tempo e na história. Você se lembra da antiga Iugoslávia?

Eu me lembro — da Iugoslávia da Copa de 1982, na Espanha, com o time do Brasil de Telê Santana e as figurinhas que eu colecionava dos chicletes Ping Pong.
Foi mais ou menos nessa época, quando eu tinha uns 10 anos, que ouvia do meu avô as histórias sobre a sua família vinda da Ilha da Madeira e de Módena, e também as histórias da minha avó, sobre a família dela de Nápoles e as dificuldades de uma Europa que ficou para trás.


Nessas conversas, também falávamos sobre as guerras mundiais, e foi ali que aprendi as minhas primeiras lições sobre o que é uma guerra.
Ora, como brasileiro, eu jamais vivi uma guerra no Brasil. Nós, brasileiros, não sabemos o que é uma guerra — pelo menos a nossa geração nunca experimentou isso.
Hoje, acompanhamos os conflitos pelo celular, ao vivo, enquanto as notícias viajam numa velocidade inimaginável.


Mesmo sem nunca ter vivido uma guerra, aquelas conversas com o meu avô despertaram em mim não apenas curiosidade, mas também uma profunda compaixão — uma disposição para abraçar os refugiados, imigrantes, marginalizados, e todos aqueles que, por não terem outra escolha, deixaram a sua cultura, o seu idioma e a sua terra natal.
Nos últimos 20 anos, talvez eu tenha visitado todos os museus e memoriais importantes sobre a Segunda Guerra Mundial — inclusive os campos de concentração próximos a Berlim (Sachsenhausen) e Auschwitz, na Polônia, onde me vi em silêncio no centro do campo, de olhos fechados, sentindo passado, presente e futuro se fundirem e transformarem a minha visão de vida para sempre.


Visitei também o Memorial de Hiroshima, no Japão, e chorei ao ler o Diário de Anne Frank, e visitei em silêncio a casa onde ela viveu escondida até ser capturada pelos nazistas, em Amsterdã.
Dito isto, Dubrovnik é uma cidade linda e mágica. Não é à toa que tantas cenas de Game of Thrones foram filmadas ali, entre o azul do Mar Adriático, as muralhas que cercam a cidade e as fortalezas que guardam séculos de história medieval.


Mas por trás dessa beleza, há cicatrizes — as marcas de uma guerra ainda viva na memória do povo.
Entrei em uma exposição com fotos da guerra entre Sérvia, Montenegro e Croácia, e aprendi que, embora Dubrovnik tenha resistido aos otomanos, não resistiu à fúria dos próprios vizinhos, que não queriam ver a Croácia tornar-se independente.


Em meio às ruas de Dubrovnik, lembrei que entre 1991 e 1995, a Croácia foi duramente atingida pela guerra contra as forças sérvias da antiga Iugoslávia.
Três quartos da cidade foram destruídos sob bombardeios.


E, enquanto Dubrovnik sofria, a Bósnia também sangrava — Sarajevo viveu o cerco mais longo da história moderna, e milhares de civis inocentes perderam a vida.
Foram anos em que vizinhos se tornaram inimigos, e a Iugoslávia deixou de existir, fragmentada por dores que até hoje ecoam na memória do povo.
E o que mais me marcou foi perceber que não existe guerra santa nem guerra justa.
Ninguém vence.


Na realidade, todos perdem — as viúvas que ficam, as crianças órfãs que carregam traumas por toda a vida, os idosos que enterram os próprios filhos.
E você?
Quais guerras ainda luta — com os outros, ou dentro de você mesmo?
Talvez o convite seja este: olhar ao redor e identificar as pequenas guerras que travamos todos os dias — dentro das nossas famílias, entre amigos, nos conflitos desnecessários, nas pequenas picuinhas dentro das empresas, entre colegas de trabalho e, sobretudo, dentro dos nossos próprios corações.


Que tipo de reconciliação precisamos buscar antes que o conflito destrua o que ainda pode ser salvo?
Pense nisto! Até a próxima.
Fábio
Split, Croácia
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Uma resposta
Muito obrigado mais uma bem , por me fazer refletir sobre os conflitos internos e externos, que travo diariamente. Que Deus não nos deixe cair em tentação mas livre-nos do mal. Amém