Em desavença, o mundo inteiro se estreita.
A casa fica menor, o ar pesa,
e até o silêncio — que antes era abrigo — vira pedra.
Quando pessoas se afastam,
não é só o afeto que se perde,
é uma parte do próprio território interno
que deixa de existir.
nenhum de nós é ilha completa,
somos pontes — e quando estas pontes racham, a travessia fica impossível.
Em desavença, a vida fica suspensa,
como se algo em nós esperasse um gesto,
um aceno, um fio de luz que dissesse:
“ainda vale a pena voltar”.
E vale.
Porque a existência é breve demais
para que façamos morada no orgulho.
A brevidade dos dias exige coragem:
coragem de ceder, de ouvir, de enxergar o outro
não como ameaça, mas como espelho.
No fundo, toda desavença é um pedido torto de afeto,
um alarme da alma dizendo que algo essencial se perdeu.
E é por isso que o bem querer cura.
Porque aproxima, reabre as janelas,
devolve o sabor do vinho, a melodia da canção,
o riso fácil, a paz demorada.
No instante em que escolhemos o afeto,
o mundo volta ao eixo.
E aquilo que parecia ruína
vira terreno fértil de recomeço.
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