Existe na virada do ano, depois de alguns goles de saudade, uma reflexão sobre tudo que se pode colocar em prática.
Os impostos. A escola dos filhos e a lista de materiais. As férias. Os preços cada vez mais caros. Os boletos que chegam na porta de casa. As dívidas que não assistiram o calendário mudar.
No futebol as coisas não são diferentes, época de renovação de contratos, de comprar na baixa e vender na alta sem desfalcar o elenco, de fazer jogo duro para não vender o melhor artilheiro, de comprar aviões só para ver os adversários na fila das companhias em voo de carreira. Vale tudo, mesmo que não seja ético, nem moral.

Tempo, senhor de toda a espera, sabe que existem jogadores que custam segundos de decisão e outros que custam anos de paciência.
No futebol, o tempo nunca é neutro, ele cobra juros emocionais, que derrubam dirigentes, técnicos e irritam a torcida.
O calendário, assim como o relógio, não sabe esperar, e o futebol bem brasileiro, cheio de ansiedade vive essa contradição eterna: cobrar resultados imediatos de projetos que ainda estão engatinhando.
É tempo de Copa do Mundo, e tudo toma tempo!
Uma vontade coletiva de ganhar novamente!


Um anseio que ronda os pensamentos de grande parte de todos nós torcedores.
Onde mesmo sem tempo, mesmo sem estrutura bem montada, mesmo sem a seleção desejada, sem o nome de cada jogador na ponta da língua, sem a vibração que incendeia o coração, Seremos Campeões!
A Seleção dos Sonhos não chegou ainda, mas nunca ganhamos a Taça, quando éramos favoritos. Sempre foi no susto e na raça e na briga por cada centímetro do campo.
Penso que nem mesmo o Ancelotti, possui a certeza da conquista, por que ele demonstra querer a confiança e o compromisso de cada jogador selecionado. Se isso é tudo que temos, então vamos com o que temos e não fujamos da luta, por que essa não é essa a nossa marca.
Alguns precisam se provar com o tempo, e outros o tempo mesmo avisa em alto e bom som.
Roberto Rivelino com seus 80 anos, está aí como prova que é possível se manter no tempo e na lembrança de muita gente, uma feliz unanimidade entre os jogadores e torcedores, como referência. O chute forte, a patada poderosa, o drible curto, a coragem de enfrentar os adversários, a cabeça erguida na hora do passe, para localizar o companheiro em melhor posição para deixar a bola dentro das redes e fazer os gols, que encantaram o mundo no México em 1970.
O Tempo não apaga!
O Tempo eterniza!


Mas o tempo também exige respeito com a história dos grandes times, dos grandes clubes que escreveram seus nomes nos livros e tiraram fotos que estão na recordação.
Se pede transparência, qualidade administrativa, honestidade, responsabilidade pelo legado dos grandes clubes, respeito pela história que escreveram com “suor e sangue”.
Ler o nome do clube do coração nas páginas policiais, responder processos na Polícia Civil e esclarecer supostos desvios na Receita Federal, não é possível aceitar, o esporte não merece.
Nem os seus inúmeros torcedores que acreditam, torcem, que vibram apaixonados e acompanham cada movimento, e para se movimentar não medem esforços. O Torcedor é Paixão!
Tempo é um senhor bem velho, que assiste tudo sem piscar. Querendo o melhor de todos nós.
Acreditando em cada passo, já conhecido, mas que se enche de esperança insistente….
Uma esperança de que vai dar jogo bonito.
Um jogo bonito repleto de felicidade.
E que a felicidade não seja apenas um sonho!
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