Trinta Anos Depois: Pinceladas que Só Entendemos no Fim

Foi uma semana de muitas conversas. Uma alegria indizível receber um grupo de brasileiros para falar sobre a história da França, viajar pela resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial, mencionar os processos que se desencadearam e levaram às terríveis guerras religiosas e, sobretudo, entrar nas camadas da espiritualidade que surge a partir do apóstolo João e é transmitida por seu discípulo Policarpo — um encontro que acontece em Éfeso, na Turquia dos dias de hoje, na chamada Ásia Menor, e que aterriza na Gália do século II, na atual França onde neste exato momento, eu escrevo este texto.

De modo que o Evangelho de João chega à linda cidade de Lyon, conhecida naqueles tempos como Lugdunum, pelas mãos de Irineu de Lyon.

Pois bem, o grupo era composto por brasileiros que moram na Europa. Vinham de Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra e da própria França — com exceção do nosso querido amigo Edivan, que veio do Brasil para participar. O grupo faz parte do Caminho da Graça, que tem como mentor Caio Fábio, grande amigo do Andreoli.

Jamais imaginei, em 1997, quando fui a Israel com o Caio Fábio, que receberia um grupo com conexões tão próximas a ele quase trinta anos depois. Também jamais imaginei que, quando comecei a escrever no Portal do Andreoli, estaria escrevendo esta coluna — pois Caio Fábio e Andreoli são amigos desde os dias da revista VINDE, da Fábrica da Esperança e de tantos outros projetos que marcaram os anos 90, quando o Andreoli trabalhou com o Caio sendo jornalista.

A vida guarda experiências inexplicáveis.

Inexplicável também foi ver um grupo de brasileiros que me ouviu falando sobre a história de Lyon, da Igreja, dos mártires da cidade, e que se deu conta de que eu estava falando em Português — e então se aproximou. Assim, por alguns minutos, juntaram-se ao grupo do Caminho da Graça, ouviram as histórias de Policarpo e as suas conexões com Lyon, e rimos juntos ao descobrir que algumas pessoas eram de Campinas, a mesma cidade de uma das participantes do Caminho da Graça, Luciana, que mora em Genova, Itália.

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Mas as coincidências não pararam por ali.

Quando nos reunimos no sábado à noite, havia um casal de Lyon que eu havia convidado. Ao chegarem, a surpresa: um outro casal do grupo do Caminho da Graça, que tinha vindo de Portugal, os conhecia. O casal que hoje mora em Lyon havia morado em Portugal — e foi ali que se conheceram.

Foi uma surpresa agradabilíssima.

Talvez a minha maior alegria tenha sido falar em Português. O grupo não tinha consciência da minha gratidão por usar o meu idioma para desenvolver o projeto, cuidar da logística, organizar os eventos e, sobretudo, compartilhar por horas e horas histórias que venho contando nestes últimos sete anos a dezenas de grupos e centenas de pessoas — mas nunca em Português, nunca a brasileiros.

Parecem aquelas piscadas que o Divino nos dá.

Johnna, as crianças e eu estamos na iminência de deixar Lyon para um novo capítulo da nossa trajetória a partir de Julho. E fui agraciado ao receber um grupo tão generoso, tão agradável, e ao ver essas “coincidências” que a vida nos ensina — às vezes aos 45 minutos do segundo tempo — e que acontecem como se fossem um quadro sendo pintado, pincelada após pincelada, até que, no último minuto, percebemos a beleza de algo extraordinário, algo que jamais teríamos notado no meio do processo.

Espero que todos vocês tenham uma ótima semana, sabendo que essas pinceladas continuam sendo orquestradas pelo Divino. No chão da vida, construímos o nosso caminho um dia de cada vez. E ainda que, depois de quase trinta anos, olhemos para trás, percebemos que nada foi fruto de uma casualidade vazia e sem sentido.

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Tudo aquilo que é feito com sinceridade, amor, paixão, arte e devoção passa a fazer parte de uma história maior do que nós — uma história que só entendemos no fim, mas que já estava sendo escrita desde o começo.

Ótima semana a todos!

Fábio

Collonges au Mont D’Or.

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Respostas de 11

  1. Bonjour caro Irmão Fábio. Muito bom ler suas aventuras. Conheço e caminho com o Caio Fábio há cerca de 40 anos. Acompanhei e colaborei com o Caio nesse tempo todo. Vi o início, a ascensão e o apogeu da trajetória desse irmão, lutas e vitórias e mais lutas, até esse momento. Só quem conhece alguém de perto por tempo considerável pode, de fato, dizer algo sobre essa experiência. De todo modo, desejo a você e aí amado irmão Jease Costa um abençoado tempo de ministério na França e em toda a Europa, especialmente nesse momento conturbado da História. Ça Marche mon frère!

    1. Querido Helio,
      Você tem total razão. Os mistérios de uma jornada e caminho que o tapeceiro constrói no chão de cada um de nós. Um forte abraço. Que alegria ver você por aqui!
      Fábio

    1. Querido Edivan,
      Que privilégio ter a todos do Caminho da Graça Europa em Lyon. Ficará na memória de todos nós esta experiência única.
      Que seja o início de muitos outros encontros formais e informais entre todos nós na Europa. Até breve!
      Fábio

  2. Realmente o caminho é da graça, do amor, da misericórdia e dos encontros improváveis nos lugares inesperados. Mas Deus e a vida sempre acham um caminho. Ele é o caminho.

    1. Obrigado, Marcelo.
      Obrigado, meu querido amigo.
      Encontros improváveis em lugares inesperados parece ser a especialidade do “Papai do Céu”.
      Um forte abraço. Até breve!
      Fábio

    1. Olá Cecilia,
      Muito obrigado pelo carinho. Muito obrigado!
      Que Deus te abençoe também ricamente. Obrigado por participar desta coluna.
      Um forte abraço. Até a próxima!
      Fábio

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