A CAPACITAÇÃO DE AGENTES PÚBLICOS E PRIVADOS COMO CAMINHO PARA HUMANIZAR O ATENDIMENTO ÀS PESSOAS COM AUTISMO

Recentemente, policiais militares de São Paulo participaram de uma capacitação voltada à abordagem de pessoas com autismo e quando uma instituição decide aprender mais sobre o autismo, ela dá um passo importante.

O preparo ajuda a reduzir interpretações apressadas, evita condutas inadequadas e torna a abordagem mais compatível com as particularidades da pessoa atendida.

Esse tema, aliás, não é novo por aqui.

Há algum tempo, escrevi no blog sobre uma ocorrência muito marcante em São Bernardo do Campo, envolvendo uma criança com autismo não verbal que havia saído sozinha de casa durante a madrugada.

Naquela situação, o que mais chamou atenção não foi apenas o desfecho seguro, mas a forma como a abordagem aconteceu.

Ao perceber que a criança resistia a entrar na viatura, a agente da GCM – Guarda Civil Metropolitana – compreendeu que insistir poderia aumentar ainda mais o medo. Então fez algo simples e profundamente humano: respeitou o tempo daquela criança e caminhou com ela, de mãos dadas, por quatro quilômetros, enquanto as viaturas seguiam em silêncio, acompanhando o trajeto.

Essa cena ficou gravada em mim porque traduz com muita clareza algo que as famílias de pessoas com TEA sabem na prática: quando é possível acolher em vez de forçar, muita coisa muda.

Nem toda ocorrência permitirá a mesma condução, nós sabemos. Mas aquele episódio mostrou que proteger também pode significar desacelerar, observar, adaptar a conduta e compreender a forma como aquela criança reage ao mundo.

É exatamente por isso que a capacitação de agentes de segurança para lidar com pessoas com TEA é uma medida extremamente importante, porque o atendimento humanizado não pode depender apenas da sensibilidade individual de um ou outro profissional.

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Formação, orientação e conscientização são indispensáveis para que esse cuidado aconteça de forma mais ampla e consistente. Quanto mais pessoas estiverem preparadas, maiores serão as chances de uma atuação realmente respeitosa e adequada.

Quando existe preparo, aumenta a possibilidade de uma leitura mais cuidadosa da situação. Diminui o risco de tratar como afronta aquilo que pode ser medo, sobrecarga ou dificuldade de comunicação. E a atuação tende a ser mais adequada, mais respeitosa e mais segura para todos os envolvidos.

Ainda há muito a avançar, claro.

Mas toda vez que uma corporação reconhece a importância de compreender melhor o autismo, ela sinaliza que a sociedade começa a entender a necessidade de respeito às particularidades das pessoas com autismo.

Tomara que essa iniciativa inspire outros setores também.

Escolas, hospitais, repartições públicas, equipes de atendimento e tantos outros espaços precisam entender que conhecer o autismo não é algo acessório. É parte do dever de oferecer atendimento digno.

Que venham mais iniciativas assim.
Mais preparo.
Mais sensibilidade.
Mais instituições dispostas a aprender.

Os direitos das Pessoas com TEA devem ser respeitados todos os dias.

Você está chegando agora nesse tema, saiba: aqui é um espaço para você se sentir acolhida. Se quiser, me escreva, conte suas dúvidas ou relate alguma situação que esteja vivendo com uma pessoa com TEA adulta ou idosa – ou com você mesma.

 

Um beijo e até a próxima quarta-feira.

Juçara Baleki

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Fontes:

Metrópoles:
https://www.metropoles.com/sao-paulo/tea-pms-curso-autistas-abordagens

Agência SP:
https://www.agenciasp.sp.gov.br/governo-de-sp-realiza-treinamento-com-policiais-militares-sobre-as-melhores-abordagens-ao-lidar-com-pessoas-autistas/

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