Olá, meus amigos queridos!
Estamos no Brasil, e é sempre uma alegria rever gente querida.
Há algo de indescritível em reencontrar amigos de décadas. Alguns deles fizeram parte da minha infância. Crescemos juntos jogando futebol de salão, indo à igreja ou simplesmente porque nossas famílias já se conheciam antes mesmo de nós nos conhecermos.

Na semana passada, tive a agradável surpresa de reencontrar, sem planejamento algum, pessoas. Em um momento, eu estava sentado com a Johnna e as meninas tomando um sorvete quando, de repente, alguém chamou meu nome. Que alegria poder apresentar minha esposa e minhas filhas a amigos que nunca haviam tido a oportunidade de conhecê-las. Assim, as histórias continuam sendo escritas.
Na quarta-feira passada, aconteceu mais um desses presentes inesperados da vida. Encontrei, por acaso, um querido amigo dos tempos do vôlei. Nenhum de nós sabia que o outro estaria naquele restaurante. Bastou um olhar para que as lembranças voltassem imediatamente. Que alegria!


Maior ainda tem sido o privilégio de estarmos em família. Ver minhas filhas construindo memórias com o vovô e a vovó, com a priminha e a titia, experimentando a cultura brasileira, a boa comida e um inverno que, em alguns dias, mais parece verão. Enquanto isso, a Johnna continua aperfeiçoando seu português nessa imersão tão natural que só a convivência proporciona.
Esses dias têm me lembrado de uma verdade simples: a vida passa como um sopro.
E o que isso tem a ver com a reflexão desta coluna?


Tenho a impressão de que estamos perdendo a oportunidade de celebrar aquilo que realmente sustenta a vida: a amizade, um abraço, um reencontro, uma conversa sem pressa. Vivemos em um frenesi constante, correndo de um compromisso para outro, muitas vezes sem saber exatamente para onde estamos indo. Buscamos reconhecimento, resultados, status e uma imagem bem construída nas redes sociais, enquanto a beleza da vida continua acontecendo nas coisas mais simples.
Talvez uma das maiores ilusões do nosso tempo seja acreditar que sempre haverá outra oportunidade, um outro café, uma outra visita, outra conversa, ou mesmo um outro abraço. Mas nem sempre haverá.


Há dias em que vivemos tão apressados que queremos tudo para ontem. Não nos sentamos para ouvir as batidas do nosso próprio coração. Não paramos para ouvir as pessoas. Nem sequer percebemos que estamos respirando. Estamos presentes fisicamente, mas ausentes por dentro.
Curiosamente, são justamente os momentos mais simples que permanecem. Nesta viagem, o que mais tem me alegrado são os abraços inesperados, os reencontros improváveis, as conversas sem pressa e a alegria de apresentar minhas filhas às pessoas que fizeram parte da minha própria história.


Espero que cada um de nós não permita que a velocidade da vida nos roube aquilo que realmente importa. As conquistas são importantes. Elas fazem parte da vida. Mas muitas delas são efêmeras e passageiras. Já um abraço sincero, uma amizade cultivada ao longo dos anos e a decisão de estar verdadeiramente presente com quem amamos permanecem conosco por muito mais tempo.


No fim das contas, talvez a vida aconteça exatamente aí: entre um abraço e outro. São essas as coisas simples que permanecem.
Fábio
Atibaia.
![]()
![]()





