Eu também não conhecia. Foi o meu querido amigo Carlinhos quem me falou sobre ele durante minha rápida passagem pelo Brasil no mês passado. Desde então, venho pensando em sua vida, sua história, sua trajetória e, de alguma maneira, olhando para dentro de mim.
Pois bem, Erik nasceu em 1968 e começou a perder a visão ainda jovem. Aos 14 anos, estava praticamente completamente cego. Em vez de aceitar que sua vida seria reduzida pela cegueira, começou a experimentar esportes, especialmente luta e escalada.
Erik percebeu que podia “ler” a montanha com as mãos, os pés, o equilíbrio e a orientação de seus companheiros. Em 1995, escalou o Denali, no Alasca, e, em 25 de maio de 2001, Erik se tornou o primeiro homem cego a chegar ao topo do Everest.
Ele ainda escalaria os pontos mais altos dos continentes e criaria uma filosofia e um movimento chamado No Barriers, resumido na frase: “O que existe dentro de você é mais forte do que aquilo que está no seu caminho.”
Erik não fingiu que a cegueira não existia. A barreira era real. Ele tinha limitações e, ao mesmo tempo, paradoxalmente, decidiu seguir em frente para superá-las.
Mas ele também não escalou sozinho. Havia parceiros, uma equipe e pessoas que lhe davam apoio emocional, físico e psicológico durante todo o percurso.
E talvez essa seja uma das partes mais importantes de sua história: reconhecer que algumas montanhas simplesmente não foram feitas para serem escaladas sozinhos.
Ninguém chega do outro lado sem a ajuda de gente que nos quer bem sinceramente, gente que nos ama, gente com quem podemos caminhar com vulnerabilidade e sem máscaras, apresentando-nos exatamente como somos.
Eu não sei qual é o teu Everest nesta semana.
Talvez seja uma decisão. Uma dificuldade. Um relacionamento. Um sonho. Uma perda. Uma mudança. Uma luta que ninguém conhece. Talvez seja algo que, do ponto de vista humano, pareça impossível de superar por causa do próprio contexto em que você se encontra. Mas não o escale sozinho.
E não faça dele apenas um alvo. Faça dele uma jornada.
Ao longo dela, aprenda. Conte com seus melhores amigos. Receba o apoio da sua esposa ou do seu esposo, dos seus filhos. Não deixe seus pais para trás. Dê a mão à pessoa que caminha ao seu lado.
Porque talvez a grandeza da vida não esteja apenas em chegar ao topo.
É verdade que o objetivo alcançado nos dá uma gratificação indescritível. Mas existe algo ainda maior acontecendo durante a subida.
É dentro de nós que acontecem as grandes escaladas. É durante o processo que nos tornamos melhores seres humanos.
A cegueira de Erik continuou. Ela sempre existiu. Ele chegou ao topo do Everest, mas a montanha que estava diante dele nunca deixou de existir.
Talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores lições de sua história: nem sempre vencemos uma limitação eliminando-a; às vezes, aprendemos a viver, caminhar e até mesmo subir montanhas carregando aquilo que continua fazendo parte de nós.
Erik escalou o Everest. Mas, de alguma maneira, também escalou a montanha que existia dentro dele. E talvez, no final, percebamos que o verdadeiro Everest nunca foi simplesmente a montanha que queríamos conquistar.
Era a pessoa que estávamos nos tornando enquanto subíamos.
Fábio
Chicago
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