Quando a empatia sai do discurso e vai para a prática
Nesta manhã, aprendi sobre Mike Coffman, prefeito da cidade de Aurora, próxima a Denver. Mike, de 71 anos, veterano militar, decidiu, em 2021, passar sete dias vivendo nas ruas e em abrigos, disfarçado de veterano sem-teto.
Neste ano, ele começou a passar todas as noites de sexta-feira em um abrigo municipal com aproximadamente 600 vagas, instalado em um antigo hotel. Ele dorme em um colchão na área coletiva, conversa com os moradores e ajuda a servir o café da manhã no sábado. Aliás, essa experiência fez com que Mike percebesse que não somente as drogas e a dependência química são fatores que levam muitos indivíduos a se tornarem moradores de rua, mas também fatores econômicos, despejos, perda de emprego e violência doméstica.
Pois bem, ele saiu do gabinete e entrou em um espaço que, para muitos de nós, costuma ser apenas objeto de programas sociais, estudos e pesquisas. Em vez de apenas procurar entender as razões pelas quais alguém se torna morador de rua, decidiu se aproximar das pessoas e ouvir suas histórias.
Achei isso extraordinário, pensando no exemplo deste prefeito e em como somos convidados a olhar para o próximo, o aflito, o pobre e o necessitado.
Lembro-me de Lyon, quando começamos alguns projetos nas ruas. Aos poucos, fui conhecendo algumas dessas pessoas. Tomei café com elas, conversei com elas no centro da cidade e comecei a perceber que, por trás de cada história, havia uma pessoa, uma trajetória e, muitas vezes, uma dor que nem sempre conseguimos enxergar à primeira vista.
O fato é que não precisamos necessariamente chegar ao extremo de dormir em um abrigo ou experimentar a realidade de quem vive nas ruas. Mas precisamos aprender a entrar na vida do outro. Talvez seja alguém que perdeu o emprego, que foi despejado ou que esteja enfrentando a perda de alguém muito querido: o cônjuge, o pai ou até mesmo um filho.
O que a história de Mike Coffman nos ajuda a entender é que precisamos nos colocar no lugar do outro para procurar enxergar com os olhos dele.
Quem sabe a gente pode começar a praticar este princípio nesta semana?
Talvez a pergunta que fique para nós nesta semana seja simples: quem está vivendo ao nosso redor e precisa que nos aproximemos um pouco mais? Afinal, às vezes, tudo começa quando deixamos de olhar para a realidade do outro à distância e decidimos fazer parte dela.
Fábio
Chicago

