Ontem, ao conversar no carro com as crianças e a Johnna, começamos a falar sobre alguns momentos inexplicáveis — aqueles em que parecia haver uma força externa, um anjo, ou uma provisão divina que livrou alguns de nós de um acidente fatal ou de algo que poderia ter tido consequências muito piores.
Pois bem, tenho certeza de que, se agora você fizer um exercício rápido, pensará na sua própria história, na jornada da sua casa, talvez na de um dos teus filhos ou netos, ou em algo quase surreal que apareceu para te proteger, te levou no último minuto a mudar de planos, a mudar a rota do veículo, a entrar ou não entrar em determinada rua.
Uma destas histórias que sempre me vem à memória tem a ver com a Júlia, quando ela era muito pequena, talvez com uns quatro anos de idade em Collonges-au-Mont-d’Or. Ela estava debaixo da nossa garagem que havia ficado aberta. Eu não tinha percebido que ela havia entrado ali. A garagem era daquelas que se abrem para fora, e não para cima, como muitas no Brasil. De repente, o vento bateu e a garagem se fechou com uma velocidade brutal.
No exato fração de segundo em que percebi, gritei: “Júlia!”. Ela poderia ter olhado para mim e perguntado “o quê, papai?”, ou poderia ter ficado parada — afinal, era muito, muito pequena. Mas algo inexplicável aconteceu. Ela correu. E não apenas correu: correu exatamente para o lado oposto do fechamento da garagem, em um ou dois segundos, como se aquela porta fosse uma lâmina afiada descendo como uma guilhotina — usando aqui uma metáfora que faz sentido no meu contexto na França.
Ela foi salva. Eu nunca mais me esqueci. E nunca me esquecerei.
Ao ouvir isso, ainda no fluxo da conversa, a própria Júlia se lembrou de outro episódio, quando estávamos na região de Interlaken, na Suíça, em um frio gigantesco. Ela queria ir ao playground — e fomos. Ela ama balanço. Brincava, me pedindo: “Mais forte, papai, mais alto!”. Subitamente, ela voou metros e aterrissou no chão do parque, como um peixinho em um jogo de voleibol, deslizando pelo chão.
Muito provavelmente, ela deixou de sentir as mãos na corrente do balanço por causa do frio. Quem conhece esse tipo de temperatura sabe: a gente não se dá conta. O nariz endurece, as mãos deixam de sentir, e só depois percebemos que precisamos correr para nos aquecer ou esfregar as mãos uma na outra.
Ontem, ela olhou para mim, e me mostrou uma cicatriz nos lábios quase que imperceptível. Ela disse: “Olha bem aqui embaixo, ficou uma marquinha”.
Por uma provisão divina — ou, como alguns diriam, por um anjo da guarda; outros ainda falariam de uma grande coincidência — seja o nome que se dê, o fato é que ela poderia ter quebrado todos os dentes ou esfolado todo o rostinho.
A Sophia, ouvindo tudo isso, nos fez lembrar de um episódio em Chicago. Ela estava na beliche e não percebeu que havia um ventilador de teto enorme. Ao acender o que pensava ser o botão da luz, ligou, na verdade, o ventilador. Como se fosse uma navalha, ele passou ao lado do seu pescoço e atingiu de leve o seu olhinho.
Terminamos no hospital da região de North Park, enquanto a Johnna estava viajando em reuniões e palestras de trabalho pelos Estados Unidos. Eu cuidava das meninas, com a minha sobrinha Luiza ao nosso lado. Você pode imaginar a tensão, o susto — e, ao mesmo tempo, hoje, ao escrever, o sentimento profundo de gratidão pelo livramento?
Eu poderia multiplicar dezenas de histórias como essas, minhas ou de pessoas muito próximas a mim. Mas o meu objetivo hoje é outro: provocar em você, por meio destas histórias, a gratidão necessária para abrir os teus olhos hoje, e te dar forças e ânimo para você ir trabalhar. Provocar em você a lembrança de circunstâncias inexplicáveis que, ao olhar para trás, você sabe: houve uma força, um ser invisível, o inexplicável cheio de amor e ternura, que te empurrou ou te puxou para fora do lugar onde você poderia ter se machucado, se esfolado ou sofrido um trauma — ou algo infinitamente pior, até fatal.
Gratidão. Gratidão pela jornada. Gratidão pelos “anjos da guarda”. Gratidão pelo invisível. Gratidão pela Mão Divina que, muitas vezes sem nos darmos conta, está em casa, dentro do carro, nas esquinas, ao entrar no banco ou sair da escola, ao sentar-se à mesa do escritório ou até mesmo enquanto dormimos.
Um beijo grande a todos vocês.
E até a próxima.
Fábio
Collonges-au-Mont-d’Or
![]()
![]()






Respostas de 6
Olá filho
Salmo 34 vers 7
Os anjos do SENHOR acampa se ao nosso redor dia e noite e sempre sempre.
São os livramentos de DEUS!
DEUS OS ABENCOE
Olá mamãe, vovó e querida sogra 🙂
É exatamente assim, anjos que se acampam, sem saber e sem perceber, sem esperar e sem notar, a impressão é que estamos rodeados de seres invisíveis que nos protegem, e nos livram, os livramentos perceptíveis e os muitos não perceptíveis.
Um beijo grande.
Fábio
Seu artigo me fez lembrar do acidente de carro na marginal do Tietê em que capotei e fui de encontro embaixo do viaduto, que leva à Via Dutra. Quando os bombeiros vieram retirar o carro, eu já havia saido do veículo, e um sargento me perguntou se eu conhecia a vitima? Eu respondi que era eu mesmo, ao que ele me disse: “rapaz, você nasceu de novo!” Naquele dia eu comecei uma busca espiritual, que me levou a conhecer a Deus. A gratidão é eterna!
Armandão, obrigado!
Que lindo testemunho. Que livramento extraordinário.
Que validação e testemunho do sargento.
Graças a Deus. Obrigado por compartilhar.
Saudades. Ótima semana para o senhor!
Fábio
Fábio,
Obrigada pelas sábias palavras. Hoje chorei muito, meu irmão Silvio me enviou um versículo e Elton me passou o seu artigo.
De fato já tivemos muitos livramentos nessa vida, todos pelas mãos do Senhor.
Obrigada por compartilhar suas experiências, que nos ajudam a enfrentar o nosso dia a dia, e a nos fazer compreender que Deus está no comando, Ele nos protege, nos consola, nos fortalece e renova as nossas forças.
Deus continue abençoando seu ministério e sua família, a quem tanto amamos.
Abraços.
Leo
Obrigado querida Leo.
A tua mensagem me alegrou muito, muito e me fez pensar como a nossa vida é frágil.
Eu espero de todo o meu coração que você se recupere o mais rápido possível, e possa sair do hospital e voltar para a tua casinha.
Um beijo grande para você.
E até breve!
Em Julho todos nós estaremos no Brasil. 🙂 Nos vemos!
Fábio