O que você precisa saber sobre você?

O que você precisa saber sobre você?
Créditos: Fundação Sanepar

Você já se perguntou quais aspectos em você precisam de mais atenção? Além dos defeitos, há traumas, inseguranças e padrões que carregamos e que também precisam ser olhados e cuidados com mais profundidade. Todos nós temos algo que precisa ser reconhecido para ser transformado. Saber que temos fragilidades e cuidar delas nos dá a sensação de controle, mas o maior problema surge quando nos recusamos a reconhecer essas questões. Quando não enxergamos aquilo que nos limita ou nos prejudica, deixamos essas partes em um canto escuro da nossa mente, onde, com o tempo, podem se transformar em obstáculos ainda maiores e afetar diferentes áreas da nossa vida, às vezes, com perdas irreparáveis.

O que está sob nosso controle consciente é algo que podemos mudar. Ao nos darmos conta de um comportamento repetitivo ou de uma reação que machuca, temos a oportunidade de encarar isso e evoluir. No ambiente de trabalho, por exemplo, talvez você perceba que evita delegar tarefas por acreditar que só você consegue fazê-las corretamente, o que gera sobrecarga e impede seu crescimento. Ou, quem sabe, você se sinta incomodado com o sucesso de um colega, mas ainda não refletiu sobre como essa sensação pode indicar uma insegurança sua. Em um relacionamento amoroso, o hábito de não comunicar claramente suas necessidades e expectativas pode gerar frustrações acumuladas e até mesmo um afastamento emocional ou o medo de abandono que leva a atitudes de ciúme ou insegurança e compromete a confiança entre o casal. Quando trazemos essas questões para o campo da nossa atenção e cuidado, elas não têm o mesmo poder de nos sabotar.

Ser inteligente para aprender com nossos erros é fundamental, mas é a sabedoria que nos leva a corrigir o curso. Confesso que reconhecer e aceitar a necessidade de olhar para si mesmo, admitindo que há mudanças a serem feitas, não é uma tarefa fácil. Muitas vezes, é mais confortável apontar para fora e afirmar que o problema está nos outros ou naquele ambiente. Por exemplo, culpar o chefe por uma oportunidade de promoção perdida pode parecer justo, mas será que não existem ações ou comportamentos seus que poderiam ser aprimorados? Ou então, em uma relação, ao acusar o outro de falta de afeto, você já se perguntou se expressa claramente o que espera? A verdadeira transformação começa quando paramos de olhar apenas para o que está do lado de fora e voltamos nosso olhar para dentro.

Não estou dizendo que você deve olhar os problemas e aceitar que tudo está relacionado ao que precisa mudar em você, mas sim reconhecer que não temos o poder de mudar ninguém além de nós mesmos.

Se conhecer e estar consciente nos permite perceber se o ambiente em que estamos, seja ele de trabalho ou de relações pessoais, realmente nos sustenta. Essa reflexão é importante porque, muitas vezes, nossa evolução pessoal também depende de entender o quanto aquele ambiente é benéfico para nosso crescimento. Estar em um ambiente de trabalho que valoriza seu desenvolvimento constante, por exemplo, pode ajudar a manter sua motivação para melhorar, enquanto um ambiente tóxico talvez exija uma decisão de mudança. Em relacionamentos, estar com alguém que te encoraja a se autoconhecer e crescer pode ser um fator positivo, enquanto uma relação carregada de críticas e ressentimentos talvez precise ser reavaliada. Essa consciência nos dá poder para fazer escolhas — e, em alguns casos, mudanças.

Admito que o caminho da autoconsciência é desafiador, mas, quando iniciado, é libertador. À medida que nos tornamos mais conscientes, percebemos que o problema não está apenas no outro ou no ambiente. Precisamos de humildade para reconhecer nossos próprios desafios e, com coragem, assumir a responsabilidade por quem somos. Isso pode exigir que façamos escolhas difíceis, mas necessárias, para sustentar nosso crescimento pessoal e o verdadeiro poder de quem somos e o que merecemos.

Quando nos aprofundamos e nos olharmos com sinceridade, percebemos que as mudanças começam dentro de nós.

Convido você a refletir: quais áreas da sua vida precisam do seu olhar mais atento? Que escolhas você está disposto a fazer para caminhar em direção a uma versão mais consciente e realizada de si mesmo? Afinal, a sua transformação deve ser um processo constante, e ela só acontece quando estamos dispostos a enxergar e agir.

Lembre-se de que contar com a ajuda de profissionais qualificados durante essa jornada de autodescoberta é essencial para promover mudanças significativas e sustentáveis em sua vida.

Até a próxima!

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Ligia Silva

Ligia Silva

Sou Psicóloga, Pedagoga e Instrutora de Programa de Redução de Estresse Baseado em Mindfulness (MBSR) pela Universidade Federal de São Paulo, especialista em Gestão Empresarial, com mestrado em Psicologia e Saúde pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto/SP. Coautora do Best Seller “Quem manda na minha vida sou eu”, coordenadora do Livro “A coragem de viver quem você é” e colunista do @portaldoandreoli. Sou cofundadora da Arcos – Associação e Rede de Cooperação Social, um movimento de trabalho em rede, que apoia mais de 40 organizações sociais de Catanduva/SP e região e cofundadora do movimento Humanidade Compartilhada. Minhas pesquisas foram focadas na presença de burnout, qualidade de vida e consciência plena de professores e gestores de empresas, verificando o impacto do programa de redução de estresse baseado em mindfulness. Atualmente sou Coordenadora de Projeto Educacionais no Senac SP, palestrante e Facilitadora de Programas de Redução de Estresse, promovendo acolhimento, saúde e qualidade de vida.
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3 comentários

  1. Ivonete santos disse:
    Que reflexão incrível no texto que trazem sabedoria e experiência. Obrigada Ligia por se essa pessoa necessária! Não sou mais a mesma depois que te conheci.
  2. Sandra Maia disse:
    Autoconhecimento é libertador e sempre resulta em empoderamento!

    Parabéns pela matéria, Lígia.
  3. SANDRA MAIA disse:
    O autoconhecimento leva ao autorespeito. Parabéns pela matéria, Lígia!

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