Quando a rede balança, vale tudo!
Dizem que o futebol mudou, que os estádios não têm mais o cheiro de amendoim torrado da década de 70, que os craques de agora não têm o balé de Zico, a inteligência de Sócrates, a calma de Rivellino ou a frieza cirúrgica do baixinho Romário.
Pode até ser verdade. Não quero discutir podem ter todas as razões, no fim das contas, uma coisa permanece igual desde quando Charles Miller desembarcou por aqui com duas bolas de couro: É o gol que decide tudo! E quanto mais gols, melhor!
Ah…..E como já se fez gol nesse esporte…!!!
Quando Pelé girava na entrada da área, “apagava a luz” do marcador e colocava no canto, chamavam de gol de placa, daqueles que a gente guarda no coração mesmo sem ter visto ao vivo.
Garrincha desmontava defesas com aquele drible torto e, quando sobrava para o centroavante empurrar para dentro, nascia o gol chorado, aquele que escapa dos dedos do goleiro como quem escapa de um destino inevitável.

Nos gramados antigos, com campos tortos e chuteiras pesadas, tinha o gol de cabeça, o gol de falta, o gol olímpico (que poucos viram e muitos duvidam), o gol espírita, que muda de direção sem explicação.
O gol de rebote, o gol de oportunismo, o gol contra, o gol de pênalti, o gol de bicicleta, o gol de voleio.
O gol de cavadinha, o gol de tapa, o gol de canela, o gol de letra, o gol de cobertura, o gol de tabela.
O gol de barriga, o gol de escanteio fechado, o gol de fora da área, o gol de meia distância, o gol de bico.


O gol de calcanhar, o gol no último minuto, o gol de Campeonato.
O gol que o narrador perde o fôlego, o gol que envelhece o torcedor e rejuvenesce o time, o gol de barriga do Renato Gaúcho, na época defendendo as cores do Flamengo.
E mesmo assim, depois de décadas, o gostinho é sempre o mesmo.
Os antigos sabiam disso. Não era à toa que Ademir da Guia podia jogar 90 minutos sem pressa, sabendo que um toque bem dado resolvia o que outros resolviam correndo.
Djalminha, nos anos 90, podia provocar, driblar, olhar com ironia para a arquibancada e ainda sair com o passe que desmontava o time rival.
E quando Romário aparecia livre na pequena área, não precisava correr: já estava 1 a 0.


Hoje a televisão mostra linha, traça gráfico, congela a imagem, mede joelho, sobrancelha e até respiração para ver se o atacante estava impedido.
Mas no estádio, ali no grito, na tensão, na final, na noite que não acaba… não existe torcedor que pergunte se foi bonito.
Porque em jogo decisivo, final de campeonato, mata-mata de domingo, gramado pesado, chuva fina e goleiro inspirado, vale tudo…
Gol de carrinho. Gol que bate na trave e entra.
Gol que entra devagar, como se pedisse licença.
Gol perdido que vira rebote e vira glória.
Gol que sai depois de 90 minutos sofridos.
Gol que muda a história.
Gol que salva carreiras. Gol que destrói sonhos.
E quando a rede balança… pronto!
Pode ter sido bonito ou feio, construído ou acidental.
Pode ter sido de craque ou de herói improvável da várzea.
Porque, no fim, o velho clichê é mais verdadeiro do que nunca:
Jogo se joga com arte, mas se ganha com gol.


E gol, meu amigo… gol vale tudo.
E em Tempo de Decisões, o segredo é treinar o alvo, e carregar as baterias da mais pura energia, para trazer a Taça para casa, alegrar os torcedores que se dedicam de corpo e alma, sem temer as distâncias, em viajam que cruzam o mundo se precisar.
Agora é hora do lanche de metro, da bebida mais gelada e coração quente!
Que comecem os jogos!
E haja coração!
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