Ano Novo, Copa do Mundo e Novas Taças!

Todo começo de ano no futebol parece réveillon em estádio vazio: muito barulho, promessas no ar e aquela sensação de que agora vai.
O torcedor vira especialista em calendário, em planilha financeira e em fé, sobretudo fé, no Santo que te conhece de cor.
Porque, se tem uma coisa que o Futebol e o Ano-Novo têm em comum, é essa mania incurável de recomeçar, mesmo quando o bolso está magro os sonhos remendados,  sem técnico, elenco curto e muita vontade de reformular tudo… (sem patrocinador)
Janeiro chega como um técnico recém-contratado: cheio de frases bonitas, discurso motivacional e a convicção de que “esse grupo tem potencial”. O torcedor escuta, cruza os dedos e pensa: tomara que esse potencial não seja só pra entrevista coletiva!
E no calendário Dezembro vai embora levando derrotas, vexames e promessas não cumpridas. Janeiro aparece como um garoto da base subindo para o profissional: ninguém sabe exatamente no que vai dar, mas todo mundo jura que “é diferente”.
O passado vira vídeo tape empoeirado, muitas vezes glorioso, outras tantas vezes constrangedor,  mas sempre usado como argumento:
“Naquele tempo sim…”
“No meu tempo, jogador honrava a camisa…”
“No meu tempo, a bola obedecia…”
E sempre a velha pressão,  salário em dia, jogador conhecido tem que mostrar serviço e nem sempre acontece, as vezes não ganha nada! Palmeiras!!!
E aí começam as contratações. Ah, as contratações! Um verdadeiro amigo oculto do desespero. Chegam nomes desconhecidos com vídeos editados em câmera lenta, gols contra adversários que ninguém sabe onde jogam, e a clássica frase: “é aposta”.
O torcedor já aprendeu: aposta quase sempre é sinônimo de calma e paciência e no futebol, anda tão rara quanto dinheiro em caixa.
Porque dinheiro… esse anda jogando fora de posição. Os cofres fazem marcação cerrada, o orçamento joga recuado, e a diretoria dribla planilhas como quem foge do rebaixamento. Contratar virou exercício de criatividade: troca, empréstimo, parcelamento em doze carnês emocionais. O clube não compra, negocia esperança.
No meio disso tudo, surgem os veteranos — esses sobreviventes do tempo. Jogadores que já viram gramados piores, dirigentes piores ainda, e continuam ali, ensinando que experiência não corre, mas pensa. Eles não disputam corrida, disputam espaço.
Não gritam, orientam.
Ou salvadores da Pátria como o bom Abel Braga, que inspirou o Internacional.
E então vem o torcedor, figura central desse espetáculo meio trágico, meio cômico.
Ele começa o ano prometendo mais empenho, maturidade, equilíbrio emocional… promessa que dura até a terceira rodada.
Depois disso, já pede reforço, técnico novo, mudança de esquema e, se possível, um milagre tático vindo do banco.
O futebol, assim como o Ano-Novo, vive de ciclos emocionais: euforia em janeiro, desconfiança em março, irritação em maio, esperança renovada em agosto e desespero em dezembro — quando tudo recomeça outra vez, como se nada tivesse sido aprendido.
Mas talvez seja isso que nos mantém vivos: essa capacidade quase infantil de acreditar que agora vai. Que a bola vai entrar no ângulo, que o menino da base vai virar ídolo, que o veterano ainda tem lenha pra queimar, e que o ano, diferente dos outros, será generoso.
Porque no fundo, futebol é isso: um calendário com alma, uma bola com memória e um povo que insiste em sonhar — mesmo quando o caixa está vazio, o elenco curto e o passado pesa mais que a taça.
E ainda bem que é assim.
Sem essa ilusão bonita, o Ano-Novo seria só mais um dia…e o futebol, apenas um jogo sem graça.
Não. Jamais! Afinal esse ano temos Copa do Mundo!

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