Rivalidade? Só pelo Álbum de Figurinhas… FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!

Mencionam por aí que o futebol é o teatro das multidões. E eles tem toda a razão.
Assim tudo acontece como uma grande arena, os jogadores como os gladiadores dos tempos antigos, defendiam seus donos, seus senhores e suas bandeiras.
Pode até ser exata essa alusão, afinal o futebol é um espetáculo verdadeiro, que mexe muito com as emoções e com a alegria de um povo, que já foi mais torcedor.
Isso surgiu como uma brincadeira inocente de crianças que de forma simples e festiva demarcavam o campo e competiam com toda a sua alegria e força, independente de sol, de chuva ou de terra batida, na disputa por gols e dribles, numa possível artilharia de algum campeonato, por alguma Taça, bem bonita, que bem polida acabava enfeitando a Sede do Clube.
Premio e a conquista muito festejada entre a torcida, de pais e mães, e muitos outros parentes de plantão.
Nesse espaço onde tantos atletas sugiram era comum encontrar alguma mãe de chinelo na mão, gritando desde o começo da rua, ameaçando um castigo à espera. Até perceber que o seu filho, nasceu para o Futebol e era uma história que merecia ser vivida.


O importante era defender seu time, mesmo que não houvessem chuteiras, camisas, calções e jornalistas esperando no vestiário. Vestiário? Isso era coisa de herói!
Meio homem aranha, meio super homem vestindo a cueca sobre a calça ou voando sobre todos os campinhos do mundo. Pura fantasia!
Algum tempo depois, entre os deuses de nossas crianças…
De um lado o vermelho do Flamengo de tantas glórias, como o Zico, Adilio, Junior e Leandro. E de outro, o competente, verde, o Palmeiras que já foi Palestra, com seu divino Ademir da Guia, que jogava de “terno” aqui no caso uma licença poética, diante de sua classe e futebol de arte impecável.
Seu parceiro de todas horas era o Dudu que juntos dominavam o meio de campo, em perfeita harmonia, uma orquestra bem afinada se conheciam pelos olhares deixavando os adversários de boca aberta e estatelados no chão.
Por tanto essa era uma “rivalidade” bem azeitada que motivava o público ansioso pelos grandes Clássicos disputados dentro do campo, com a bola nos pés e o domínio completo de todos os lances e disputas sadias de força e talento.

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Os “caras de álbum de figurinhas”, Emerson Leão, crescia em campo, Eurico era o seu parceiro e defensor, Luiz Pereira conhecido como Chevrolet, apelido que o identificava por ter sido mecânico de montadora, o Cesar Maluco, o Leivinha e muitos outros, de brilhante geração de Campeões.
E do lado do Flamengo também as melhores duplas se destacavam como o baixinho Romário e o Bebeto, encantando os torcedores pelo Brasil todo, de rivais à fãs, por que talento é talento!
Hoje a rivalidade, mudou muito de temperatura e pressão e nessa nova configuração atinge a parte fraca do ser humano, o bolso.
Nessa disputa nem se sabe bem quem tem razão, por que tudo soa tão diferente.
Antes futebol se resolvia no campo, no gramado, mas não há mais gramado!
Não há mais eloquência e nem elegância, tudo espirra para todos os lados. O que se fez e o que se faz extrapolou o senso comum, com ofensas pessoais, onde em vez do diálogo, usam de farpas irônicas e sarcasmo, desnecessário para o torcedor que sim, usa toda a sua força para acompanhar o time, por todos os cantos desse país, sem poder nem medir o tamanho do estrago ou a exigência de tal ousadia.
Mas apesar de tudo, quero ter olhos de criança e perceber um futuro promissor, afinal uma cidade pequena, com um time pequeno, de nome encantador, está realmente encantando, os mais antigos admiradores do esporte bretão, o Mirassol.
Que coisa boa, saber que pode ser diferente, com o futebol disputado com arte, como antigamente, sem pressão absurda, que os grandes clubes sofrem e se submetem há muito tempo.
Afinal, reclamam….
Por que jogam muito, mas querem vencer vários torneios que pagam grandes prêmios em dinheiro…
Reclamam dos gramados, antes natural agora híbridos ou sintéticos, mas não fizeram testes com os atletas para avaliar as mudanças?
Reclamam dos técnicos, mas quem contratou?
E ainda sobre os antigos álbuns de figurinha, disputados no grito e no bafo…

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A mesada era uma solução, mas sempre podia haver algumas tardes de engraxate, lavar a louça da janta por algumas moedas, cortar a grama, tirar notas azuis que eram anotadas no famoso boletim do semestre. E de posse desse pequeno tesouro, comprar o álbum, as figurinhas, quem sabe com sorte, as premiadas…
Fazer a cola de farinha, uma revista Placar com pôster do Campeão (confesso que comprei 25 revistas do meu jogador favorito rsssss)
A boa rivalidade, desde a várzea, a semelhança com seu ídolo, na camisa com autógrafos guardadas para sempre..
No nome do filho, lembrança na hora do registro, e mesmo que a mulher não quisesse era de fato um voto vencido.
Que tempo bom, onde os amigos eram amigos até debaixo d’agua e mesmo que não concordassem em tudo, por que essa era a graça da coisa toda, palavra dada era mais que assinatura e fio de bigode um dever a ser cumprido.
Mas essa uma história de muito tempo atrás, de um tempo bem antigo, que parece não ser desse mundo, e talvez seja assim mesmo…
De um tempo de crianças que brincavam de futebol, com bola de resto de meias, de traves demarcadas por pés de chinelo, onde um time usava camiseta e outro não, mas no final de tudo, naquela terra batida, no
poeirão, ganhasse quem ganhasse, eram sempre amigos, e disputavam espaço com lealdade (palavra rara hoje em dia, será que sabem o significado?).
À Todos FELIZ DIA DAS CRIANÇAS
Obrigada por tudo!

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