Jorge Lordello: A mente proativa que livra de crimes e acidentes.

Jorge Lordello: A mente proativa que livra de crimes e acidentes.

Quando publiquei meu primeiro livro, em jan/98, intitulado “Como Conviver com a Violência”, pela Editora Moderna, fui questionado por alguns jornalistas sobre a seguinte frase: 

“É possível reduzir quase a zero o risco de assaltos nas ruas quando adotada postura proativa frente a violência urbana”. 

Alguns disseram que eu estava exagerando; que seria praticamente impossível reduzir tanto a possibilidade de assaltos. Outros afirmaram que a responsabilidade pela segurança pública era da polícia e eu estava querendo jogar tudo nas costas do cidadão.

Na época, pouco se divulgava nos veículos de comunicação sobre “prevenção”. Cabe lembrar, que a cultura latina é moldada com base na “reatividade”, ou seja, o que fazer depois de acontecer o sinistro.    

Minha insistência, materializada através do lançamento de diversos livros e de centenas de artigos explorando o tema segurança pessoal e patrimonial, além de palestras visando gerar conscientização de segurança nas pessoas e entrevistas em todos os canais de televisão no Brasil, e até no exterior, fez com que muita gente passasse a ver com bons olhos a cultura da “proatividade”. 

Dicionários apontam a seguinte definição: 

“Proativo é um adjetivo atribuído a quem “pensa e age antecipadamente; que, por antecipação, adota medidas para evitar ou resolver problemas futuros”. 

Pessoas  “proativas” são aquelas que têm capacidade de perceber um problema antes que aconteça e ao identificar buscam solução visando garantir o patrimônio e a integridade física e emocional. 

O comportamento proativo está relacionado ao ato de evitar ou escapar de um provável problema antes mesmo que ele aconteça ou se aproxime da pessoa.

Pessoas proativas, em relação a criminalidade, adquirem sensibilidade apurada para identificar situações potencialmente perigosas. Estão sempre com a intuição aguçada, que é nossa maior ferramenta de proteção pessoal. 

Imagine a seguinte situação: a balada está fervendo às 2h50 da madrugada. Ambiente lotado, descontraído, bebida alcoólica rolando à vontade. Alguns participantes já começam a falar um pouco mais alto e as brincadeirinhas de cunho ofensivo por parte de alguns homens com as mulheres já começam a pipocar. A pessoa focada em segurança pensa da seguinte maneira: 

“Já me diverti o bastante e agora está na hora de ir embora, pois o ambiente está ficando um pouco carregado”.

A amiga, ao saber da decisão da colega de trabalho, discorda:

“Ahhhhh não acredito que você vai embora tão cedo. Fica mais um pouco. Agora é que a festa está ficando boa”. 

A moça focada em segurança prefere não alongar a conversa; paga sua conta e deixa o local. 

No dia seguinte fica sabendo que sua companheira de empresa sofreu assédio sexual na balada às 4h30, quando um rapaz quis beijá-la sem seu consentimento. A negativa gerou fúria ao embriagado, que ofertou forte empurrão, derrubando-a ao chão. Em virtude da agressão, a moça bateu violentamente a cabeça, causando traumatismo craniano.

Se o leitor chegou até este ponto do texto, é porque está interessado em saber mais sobre prevenção, proteção e proatividade. Assim, vou apontar as fases de pensamentos e atitudes de pessoas atentas com a segurança pessoal: 

1) Independentemente do que está fazendo, a mente está focada também em segurança, assim, visualiza tudo o que está acontecendo no local. Não importa se está se divertindo, trabalhando ou até indo orar numa igreja; os olhos da pessoa proativa estão sempre em movimento, fazendo uma verdadeira varredura.

2) A atenção da mente está voltada para identificar possíveis riscos em potencial, tanto relacionados a crimes como a acidentes. 

3) O próximo passo é prever o que pode acontecer. A vizinha toca a campainha de sua casa desejando desabafar sobre problemas que está tendo com o filho. Você fica sensibilizado com o começo da narrativa, mas percebe que bater papo com o portão aberto pode chamar a atenção do chamado bandido de oportunidade. 

4) Entramos na fase da decisão, ou seja, o que fazer para minimizar o risco verificado? Qual atitude vou tomar para me proteger? 

5) Chegou a hora de agir proativamente e tomar atitude antes que aconteça o pior. No caso em tela, o dono da casa convida a vizinha para entrar, tranca o portão e batem longo papo em total segurança na sala da casa.

Resumindo: o proativo não fica à mercê do fenômeno sorte azar, muito menos se submete à roleta russa que é vivenciar o atual cotidiano das cidades brasileiras, reféns da criminalidade.

Essa postura passa a fazer parte de sua personalidade. Um proativo não entrega sua vida e a de seus familiares à vontade de terceiros. Ao antecipar problemas e aplicar as correções possíveis, administra seu destino de forma menos estressante e mais produtiva.

Pessoas proativas assumem responsabilidade por suas ações e não são acostumadas a culpar as circunstâncias. Já os reativos depositam energia na preocupação e medo, quando o assunto é violência urbana e acabam se posicionando como vítima da fatalidade

O proativo é um ser forte, inteligente e racional. Sabe o quer e o que precisa fazer para ter vida plena e saudável em todos os sentidos.   

Jorge Lordello

37 Visualizações
Veja Também Na DPaschoal me sinto em casa
Jorge Lordello

Jorge Lordello

Apresentador do programa Operação de Risco na RedeTV, todo sábado ás 22h15 Comentarista de Segurança Pública e Privada do RedeTV News Escritor Internacional Palestrante e Conferencista Pesquisador Criminal Conhecido na mídia como Doutor Segurança
Veja todas as minhas matérias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe esta notícia

Mais postagens