No dia 2 de abril os prédios se iluminam de azul – durante o restante do ano as luzes permanecem apagadas

Créditos: Tismoo.me

Hoje é Dia Mundial de Conscientização do Autismo, mas para muitas famílias brasileiras, é só mais um dia tentando garantir o mínimo para seus filhos.

Enquanto alguns vestem azul e postam frases de impacto nas redes sociais, há mães em filas de unidades básicas de saúde esperando uma triagem que nunca chega. Há outras em reuniões escolares, tentando — mais uma vez — convencer uma equipe pedagógica que seu filho tem direito ao PEI (Plano Educacional Individualizado).

Neste exato momento, algumas mães ouvem pela primeira vez a negativa do plano de saúde para as terapias essenciais. Outras, cansadas, seguem insistindo para que sentenças judiciais que concederam o tratamento multidisciplinar sejam efetivamente cumpridas.

E há também aquelas que, em silêncio, tentam encontrar palavras para acolher um filho que sofreu bullying na escola, que foi mal compreendido em um ambiente social, que carrega as marcas de um mundo ainda despreparado para lidar com a diversidade.

 

Os símbolos não são escudos

Há quem ilumine prédios de azul. Há quem compartilhe laços coloridos e que use o quebra-cabeça como forma de apoio. E tudo isso tem o seu valor — desde que venha acompanhado de empatia verdadeira.

Mas nenhum prédio iluminado resolve a falta de terapeutas na rede pública. Nenhum post colorido apaga a dor de ouvir, pela terceira vez no mês, que seu filho “não se adapta” à escola. Nenhum símbolo substitui a urgência por políticas públicas que funcionem.

A realidade da maioria das famílias de pessoas com TEA ainda é marcada por negativas, atrasos, invisibilidade e burocracias que se acumulam.

 

Para que serve, então, o 2 de abril?

Essa data não é apenas uma oportunidade de falar sobre inclusão. É um convite à  reflexão.
Porque conscientizar é muito mais do que vestir azul ou repetir uma frase bonita.
É reconhecer que o autismo não aparece só em abril — e que as necessidades, as lutas e os direitos estão presentes o ano inteiro.

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Se você quer apoiar, não precisa saber tudo. Basta começar escutando.
Evite julgar a criança que grita no supermercado. A mãe que parece “nervosa” na reunião da escola. O adolescente que não responde como você espera.

Todos estão enfrentando batalhas que, muitas vezes, passam despercebidas aos olhos de quem não vive essa realidade.

 

E para os familiares

Se você é mãe, pai ou familiar de alguém com autismo, talvez hoje pareça só mais um dia. Mas que este 2 de abril, mesmo entre cansaços e incertezas, seja também um lembrete: você não está sozinho(a).

Nossos filhos merecem respeito. Conheça seus direitos e lembre-se: aqui é um lugar para você se sentir acolhida! Me escreva sobre suas dúvidas ou compartilhe algum desafio se desejar. Será uma honra conhecer você melhor!

Um beijo e até a próxima quarta-feira.

Juçara

@querotratamento

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Uma resposta

  1. O mundo está cheio de pessoas para apontarem “soluções” sem nem saberem o que estão dizendo. Estamos rodeados de falsos apoiadores, pessoas que fazem movimentações exaltando o tema, verbalmente colocando-se à disposição, mas quando são procurados para agilizar uma situação ou resolver uma questão, se não esquivam-se simplesmente dizem NÃO!
    Pessoas com mentalidade capacitista jamais poderiam ocupar cargos importantes dentro de um governo. Servidores públicos estão alí para facilitar a vida do cidadão, à disposição, e não para dificultar a vida das famílias prejudicando as crianças. O propósito do cargo é fazer acontecer e não enganar pessoas inventando proibições que não existem para justificarem seus desserviços.
    Pais típicos que não conversam com seus filhos e não ensinam respeito e empatia ao próximo precisam de terapia, educação e vergonha na cara.
    Pais que não educam seus filhos ao invés de deixarem de herança para a sociedade seres humanos decentes para fazerem a diferença e melhorar nosso mundo, estão deixando lixo para o planeta.

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