Alô, meus amigos!
Há 15 anos — justamente quando conheci a minha querida esposa Johnna em Waterloo, na Bélgica, onde ela atuava como ponte cultural entre uma comunidade congolesa e os belgas — eu jamais imaginaria que, um dia, falaria a um grupo de pessoas do Congo em Lyon, na França.
Há 15 anos, eu jamais imaginaria que estaria novamente diante de um grupo de jovens com o mesmo perfil, falando sobre carreira profissional, relacionamentos, família e espiritualidade — mas desta vez, em Lyon, casado, e com duas filhas.
A vida nos surpreende quando, ao olhar para trás, percebemos que a jornada se constrói um dia de cada vez. A vida nos ensina que nenhuma experiência é desperdiçada — nem as boas, nem aquelas que chamamos de “nem tanto”.
O curioso é que eu nunca tinha usado a camisa que ganhei dos meus amigos congoleses quando lideramos um seminário para eles, há 15 anos, em Waterloo. Pensei várias vezes em doá-la a algum amigo africano, ou simplesmente entregá-la a uma casa de roupas usadas. Afinal, com tantas mudanças, tantas viagens e tantos lugares em que morei, parecia não fazer sentido guardá-la.
Em contextos como Japão, Espanha, Canadá, Estados Unidos ou mesmo Brasil, ela parecia apenas ocupar espaço no guarda-roupa — uma peça bonita, mas perdida.
Pois bem… hoje, enquanto me preparava para me encontrar com a Johnna e falar a esse grupo querido de congoleses e angolanos em Lyon, fui até o guarda-roupa e pensei:
“Ela ainda deve estar aqui. Eu sei que está em algum lugar.”

E estava.
E não só minha atitude de vesti-la agradou profundamente aos participantes, como também quebrou barreiras culturais invisíveis entre nós. Vi sorrisos — sorrisos que reconheciam, pertenciam, acolhiam.
E aquela camisa, outrora esquecida, me trouxe de volta centenas de memórias e uma gratidão profunda por uma jornada tecida com paciência, fé, perseverança e graça.
Hoje, olhando para trás, vejo que tudo se parece com uma grande tapeçaria. Os fios entrelaçados da vida — alguns aparentemente confusos, outros mal alinhados — às vezes parecem feios ou sem sentido quando vistos de perto.
Mas quando nos afastamos e olhamos com os olhos do tempo, percebemos: aquilo que parecia desconexo é, na verdade, uma obra de arte única e irrepetível.
Isto posto, assim é a jornada de cada um de nós.
Eu não sei onde você se encontra agora.
Talvez pareça impossível imaginar que, um dia, você olhará para trás e verá que, contra o apesar de tudo, você aproveitou, aprendeu e cresceu.
Espera!
Se hoje o presente é pesado, sombrio ou confuso, saiba: virá o tempo em que esse presente será apenas um capítulo do passado que te fortaleceu e te transformou.
E, mais do que isso, você se tornará cura e inspiração para outros. Até porque, como diz Søren Kierkegaard, “A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas deve ser vivida olhando-se para frente.”
Até a próxima.
Fábio
Collonges au Mont D’Or
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Respostas de 4
Bonita camisa, Fabinho! Bonita história, bonito texto, lindo testemunho. Obrigado por compartilhar.
Obrigado, Armandão! Muito obrigado.
Um forte abraço.
Linda esta reflexão sobre o “passado vestir o presente”.
Não por acaso, claro …. tivemos uma linda ministração na IPMoema, feita pelo Pr. Carlos OLiveira, tb refletiu sobre usar o nosso passado para testemunhar de Jesus em nossas mudanças, com o foco do que Ele fez, não do que nós somos, ou fizemos … baseado em experiências do Apóstolo Paulo.
Muito bom te ler por aqui!
Abç
Que maravilha, Aninha.
Fiquei muito feliz de ler sobre a tua experiência na IPMoema.
Fico feliz de saber que você tem acompanhado a minha coluna.
Ótima semana para você!
Até a próxima.
Fábio