Bom dia meus queridos amigos,
Na semana passada eu estava lendo um livrinho em Português para a Júlia, e algo me chamou muito a atenção. O título era “O Terceiro Ouvido”.
Você já ouviu falar do terceiro ouvido?
Pois bem, o livrinho era muito simples.
Um menininho queria mostrar para o seu pai o brinquedinho que ele havia criado, mas o papai estava no computador e não estava disponível para ele.
Depois, o menino se machucou e queria mostrar para o seu pai que precisava de um curativo, mas o papai estava saindo apressado para uma reunião, e de novo não estava disponível para ele.
Mais tarde, o menino queria jogar futebol com o seu pai, mas o papai, mais uma vez, e outra vez, e desta vez, estava no telefone e não estava disponível para ele.
Quantas vezes nós também corremos atrás da vida? Corremos atrás da agenda, atrás do vento… Quantas vezes passamos o nosso tempo “virando páginas e páginas” do Instagram, em vez de virar páginas de um bom livro que nos instrui infinitamente mais?
Enquanto isso, somos levados a comparar: quem viaja, quem tem, quem aparece, quem parece viver no “País das Maravilhas”.
O terceiro ouvido é a capacidade humana de olhar ao redor com atenção e ternura.
O terceiro ouvido é o convite para que o pai olhe para o filho e perceba: sim, o mundo pode parar e esperar! O meu filho é mais importante do que qualquer projeto.
Nada é mais importante do que ter tempo para brincar com a filha.
Nada é mais importante do que estar presente ao lado de gente que nos quer bem.
Será mesmo que precisamos de uma agenda para passar tempo com quem mais importa? Será mesmo que temos que fazer malabarismos para encontrar tempo para passar com os nossos pais?
Será mesmo que temos que colocar a esposa entre uma reunião e outra para olhar no olho dela? Quantas vezes olhamos olho no olho do cônjuge sem que seja pelo objetivo de resolver um assunto importante de último minuto?
A vida nos encurrala. Quando percebemos, já nos tornamos reféns da própria agenda.
Entramos na roda do frenesi, como hamsters, girando sem parar — e esquecemos que podemos descer desta roda.
Isto posto, o terceiro ouvido habita dentro de cada um de nós.
Ele tem a ver com o coração, com a sinceridade, com a qualidade da nossa presença.
E quantas vezes vemos pessoas fisicamente presentes, mas ausentes de alma, vagando em mil distrações?
Nossos celulares são, muitas vezes, o maior ladrão dessa escuta profunda.
Perdemos até a capacidade de ouvir com os dois ouvidos que temos — e, muito mais, com o ouvido da atenção, da empatia, da compaixão.
O terceiro ouvido nos convida a redescobrir algo que parece perdido.
Na idade das pedras não havia arranha-céus, foguetes para a lua, carros sem motoristas, TESLA, robôs ou caixinhas mágicas chamadas iPhone ou Android. Mas havia, ao menos, gestos, sons e tentativas de comunicação profundamente humanas.
Talvez fossem mais humanas do que a geração atual, muitas vezes aprisionada em telas e distrações. O terceiro ouvido não é uma técnica, é um ato de humanidade. É parar, escutar, estar presente. Aliás, o terceiro ouvido é trocar o barulho da pressa pelo silêncio da atenção.
Meu desejo é que, nesta semana, você exercite o teu terceiro ouvido.
Que você olhe para quem está ao teu lado e dê o presente da tua presença.
O que você acha de começar praticando este exercício com a tua filha ou filho. Talvez com os teus pais. Ou melhor ainda, talvez com a tua esposa ou esposo.
Que você redescubra que ser humano é, acima de tudo, estar com o outro.
Até a próxima!
Fábio
Collonges au Mont D’Or1
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