Quando o Futebol Ainda Cheirava a Grama Molhada

Numa antiga tarde de domingo, dessas de grandes jogos de futebol, no rádio de pilha, o locutor descreve o gramado como quem recita poesia épica: “O Palmeiras vem a campo com seu manto alviverde…” e de pronto soava os acordes do hino…”Quando surge…”.
E da mesma intensidade “O Flamengo pisa no Maracanã empurrado por mais de cem mil vozes…”.
Tudo bem apaixonado, teatral, visceral, apaixonado.
Diferente do futebol de hoje com suas narrativas oficiais, câmeras 360°, estatísticas, aplicativos e especialistas de todo tipo.
Antigamente havia uma coisa só: emoção. Era tudo no grito, na unha, no coração. E, por incrível que pareça, funcionava. O que fazia o torcedor sonhar!
Se o futebol moderno é um espetáculo de luz, fibra ótica e marketing, o futebol antigo era de poeira levantada, suor pesado e romances eternos entre torcedores e seus clubes.
Nos campinhos suburbanos, o chuteira de couro batia na bola costurada à mão; o juiz era respeitado meio a contragosto e o gandula, coitado, às vezes precisava correr para fugir da torcida. Era uma época em que o futebol era uma extensão da vida: sofrido, bonito, cheio de histórias.
De um lado o Palmeiras que nasceu Palestra Itália, em 1914, e já com muitos apaixonados torcedores viu seu nome mudar em 1940, em plena Segunda Guerra. O que nasceu Palestra, surgiu Palmeiras. “Podem tirar o nome, a bandeira, mas não tiram a nossa história”
Nos anos 1960 e 1970, veio a Academia do Palmeiras, uma seleção brasileira disfarçada de clube. Naquele meio-campo, Ademir da Guia jogava como quem compunha música. Não corria, deslizava. Não chutava, desenhava trajetórias.
Reza a lenda que um marcador, desesperado, chegou para marcá-lo e lhe perguntou:


— Mas como é que eu faço para pegar você?
E Ademir teria respondido, com o sorriso de quem sabe o próprio tamanho:
— Calma. Quando eu errar um passe, você pega.
Coisa rara de acontecer….
Tinha ainda Dudu, Leivinha, Luís Pereira, César Maluco — o apelido não era à toa — e um time que encantava mesmo o torcedor adversário.
E como esquecer os anos 1990? A parceria com a Parmalat e um Palmeiras cheio de estrelas: Evair, Edmundo, Rivaldo, Alex, caminhando entre títulos como quem varre folhas caídas no quintal.
Era bonito. Era forte. Era Palmeiras.
Por outro ângulo, se o Palmeiras tinha sua poesia, o Flamengo sempre teve seu épico. Nada representa melhor o clube que o Maracanã lotado — um oceano de gente vestida de vermelho e preto, capaz de abalar a estrutura do estádio com o grito.
Nos anos 1980, o Flamengo tinha Zico, o camisa 10 que parecia ter sido desenhado pelo destino para jogar pela Gávea.
Zico era tão grande que até os rivais respeitavam até sua sombra. Um homem temido por sua inegável habilidade. Quando ele batia falta, o goleiro já sabia que era gol e pouco ou nada havia por fazer, era gol de placa, e cabia ao goleiro adversário, decidir se pulava pela honra ou se aceitava marcá-lo com os olhos.
Ao lado dele, Júnior, Adílio, Andrade, Nunes, e um time que conquistou o mundo em 1981 — um Flamengo que deixou o Liverpool zonzo como quem chega atrasado ao baile, e fica sem par. …
E se hoje o Flamengo vive nova era dourada, com Arrascaeta, Bruno Henrique, Pedro, Saul, Rossi, Carrascal e uma artilharia de peso liderados por Filipe Luís, pede Títulos, Protagonismo e muita Festa!
Porque o Flamengo, como diz o Pascoal é incomparável!

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O futebol antigo possuía narradores com voz de trovão e comentários de mesa de bar. Hoje tem comentaristas táticos, tecnologia do impedimento semiautomático, scout de quem virou o pescoço para o lado certo.
Ontem, craque se formava no campinho de terra.
Hoje, na base de performance, análise de carga, monitoramento cardíaco e vídeo de drone.
Ontem, jogador era descoberto porque alguém dizia:
— Tem um moleque bom naquele time da várzea!
Hoje, tem plataforma, relatório digital, vídeo chamada, apresentação em PowerPoint.
Se é melhor? Um tema bom para ser discutido por horas. Mas com certeza é diferente!
No passado, o futebol era menos profissional, mais bruto, mais poeira e suor, mais humano.
Atualmente não há espaço para erros e as falhas humanas, se alastram pela rede e as mídias que guardam para sempre!
Mas há uma coisa que o tempo não tirou: a paixão.


O torcedor ainda sofre, vibra, ama e se decepciona. O futebol ainda tira gente do sério, une pai e filho, fecha bar cedo e abre coração tarde demais.
As camisas mudaram de tecido. A bola ficou mais leve, e as chuteiras de anatômicas, passaram a ser cibernéticas, gramados agora são de plástico e não precisam do sol.
Mas no coração do torcedor, o Palmeiras “Quando surge o alviverde imponente”…a emoção bate mais forte.
E o apaixonado torcedor do Flamengo…”Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer! ”
E enquanto existir futebol, eles continuarão entrando em campo, seja qual for o gramado, alguns clubes para disputar Campeonatos. E outros para escreverem seus nomes nomes na História.
Mas o certo, o realmente certo dessa façanha toda é que nada pode mudar a magia que o futebol desperta no coração humano.
E torcer sempre envolve muita paixão…
E nessa disputa pela Glória Eterna, Libertadores!
Palmeiras X Flamengo
Então que Vença o Melhor!

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