AUTISMO E JUSTIÇA GRATUITA EM DEBATE NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

AUTISMO E JUSTIÇA GRATUITA EM DEBATE NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Quem tem um familiar com TEA sabe: a luta não é por luxo — é por dignidade. Muitas terapias, medicamentos e vagas em escolas só são conseguidas através da Justiça.

Mas como seguir por esse caminho se ele exige dinheiro logo na entrada?

É por isso que a gratuidade da Justiça é essencial. Ter acesso ao Judiciário sem obrigatoriedade de pagar é o que permite à família transformar a dor em ação.

Mas temos boas notícias sobre isso: está em tramitação na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei que busca garantir justiça gratuita automática para pessoas com câncer, deficiência e autismo, sem exigir comprovação de pobreza ou análise do juiz – PL 917/24.

O projeto não amplia um benefício — ele reconhece uma necessidade. Porque quem convive com a deficiência já enfrenta gastos extraordinários com saúde, deslocamentos, adaptação escolar, alimentação especial, terapias e medicamentos.

Pedir para provar miséria antes de ter acesso à Justiça é uma violência burocrática que só aprofunda a exclusão.

A gratuidade da Justiça já é prevista no Código de Processo Civil, mas depende da apresentação de uma declaração de hipossuficiência. Em muitos casos, famílias têm seus pedidos negados por não se encaixarem em critérios objetivos — desconsiderando a sobrecarga real de quem precisa lutar todos os dias para garantir o mínimo.

A proposta do PL 917/24 vem, justamente, para colocar essa questão no seu devido lugar: o acesso à Justiça deve ser garantido como prioridade absoluta às pessoas com deficiência.

Mas ainda há caminho pela frente.

Após ser aprovado em uma comissão, o projeto precisa passar por outras etapas internas na Câmara. Ele segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Só então poderá ser levado ao plenário para votação de todos os deputados e ainda no Senado.

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É um processo que exige paciência, mas principalmente mobilização e informação. Projetos que tocam a vida real das pessoas — especialmente das que têm pouca visibilidade — precisam ser defendidos com força por quem sente na pele a urgência dessas mudanças.

Por isso, se você acompanha essa causa, compartilhe, fale sobre isso, marque deputados nas redes sociais.

Cada pequeno movimento fortalece a chance de aprovação e torna o tema visível em um espaço político onde, muitas vezes, o cotidiano das famílias atípicas é ignorado:

A mãe que não conseguiu um acompanhante para o filho na escola. A criança que está há meses sem terapia. O adolescente que teve a medicação negada. O adulto que não conseguiu o laudo para o BPC. Todas essas situações têm um ponto em comum: elas precisam da Justiça para serem resolvidas.

E a Justiça, para cumprir sua função social, precisa estar aberta, sem barreiras invisíveis.

Essa luta não é ideológica. Porque ninguém entra na Justiça por capricho. As famílias que chegam até lá já tentaram de tudo. E quando recebem um “não” por falta de documentos ou por critérios excessivamente técnicos, elas voltam para casa com o peso de mais uma porta fechada.

A aprovação desse projeto representa a possibilidade de que essa porta, finalmente, esteja destrancada para quem mais precisa atravessá-la.

Você está chegando agora nesse tema, saiba: aqui é um espaço para você se sentir acolhida. Se quiser, me escreva, conte suas dúvidas ou relate alguma situação que esteja vivendo com uma pessoa com TEA adulta ou idosa – ou com você mesma. Será um prazer caminhar ao seu lado, traduzindo a lei para a vida real e ajudando você a entender, passo a passo, quais direitos podem ser buscados na sua situação.

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Um beijo e até a próxima quarta-feira,
Juçara Baleki

@querotratamento

Fonte: https://www.camara.leg.br/noticias/1235718-comissao-aprova-gratuidade-de-justica-para-pessoas-com-cancer-deficiencia-e-autismo/

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