A teoria dos seis graus de distância afirma que qualquer pessoa no mundo pode estar conectada a qualquer outra através de, no máximo, seis relacionamentos sociais.
Foi na semana passada, enquanto eu conversava com a nossa amiga de Chicago, que veio nos visitar e chegou na sexta-feira, que me lembrei disso. Eu lhe disse que no sábado participaria de um projeto com uma universidade dos Estados Unidos. Quando ela perguntou o nome da universidade, eu não lembrava. Fui procurar no e-mail e, para minha surpresa, ela começou a rir e disse que aquela era uma pequena universidade no South Dakota onde ela havia estudado. Ela simplesmente não conseguia acreditar.
No dia seguinte, antes da minha palestra, ela fez questão de dar um abraço nos professores e estudantes da universidade onde havia se formado e com quem não tinha contato havia muitos anos.
Na mesma semana, enquanto eu aguardava um grupo da Escócia para outra palestra em Lyon, Johnna me enviou uma mensagem rindo. O grupo que participaria do meu seminário estava tomando um café na casa da tia dela, uma irlandesa que mora em Lyon, e eles haviam descoberto que a pessoa que encontrariam na palestra seria justamente eu.
Conquanto a teoria dos seis graus de distância pareça cada vez mais real em um mundo globalizado — e tenha inclusive servido de base para plataformas como o Facebook —, a verdade é que o ser humano só existe de maneira saudável quando vive em comunidade.
A grande ironia é que, com tantos seguidores no Instagram e com as redes sociais nos tornando “hiperconectados”, nunca tivemos tanta ansiedade, depressão e isolamento.
O ser humano isolado tende a adoecer.
Estamos constantemente distraídos. O presente tornou-se algo raro de viver. Às vezes recebo mensagens pedindo para descrever as nossas atividades em um reel de dois minutos. Como explicar um projeto que envolve centenas de pessoas e dezenas de atividades em apenas dois minutos? Como permanecer conectados digitalmente sem perder a conexão emocional?
As crianças precisam brincar umas com as outras para crescer e aprender a lidar com conflitos, trabalho em equipe e empatia, para que, quando adultas, saibam navegar pelos mais diversos ambientes: trabalho, igreja, amizades, casamento e família.
Relacionamentos nos lembram da importância de criar vínculos, manter amizades saudáveis e aprender a amar. Mas relacionamentos não são fáceis.
Eles requerem vulnerabilidade, honestidade e intencionalidade. Uma conversa franca com o cônjuge, tempo com os filhos, ouvir um amigo, pedir perdão, reaprender a confiar. Nada disso acontece automaticamente.
Vínculos precisam ser nutridos.
Embora a teoria dos seis graus tenha ganhado força através das redes sociais, nada substitui o contato presencial: um café gostoso, uma caminhada no parque, um fim de semana na praia, uma longa conversa sem pressa.
O ser humano necessita de gente.
Necessita de afeto.
Necessita de troca humana.
Talvez a verdadeira distância entre duas pessoas não seja geográfica, mas emocional.
As “coincidências” da nossa amiga de Chicago e da Escócia mostram que o mundo é pequeno e que a teoria dos seis graus se tornou uma realidade. Ainda assim, o coração humano continua precisando aprender a permanecer próximo, porque nada substitui o encontro humano.
Fábio
Collonges au Mont D’Or.
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Respostas de 2
Pura realidade Fábio.
A Internet ajuda “muito” com muitas informações boas e também ruins, mas na minha opinião, o efeito colateral é muito ruim.
Afasta os amigos e parentes, pois a pessoa prefere ficar conectado ao invés de conversar pessoalmente e ter um relacionamento.
Um pai, com experiência de vida, não é capaz de dar conselhos para os filhos, pois muito deles, preferem a opinião da IA ou até mesmo de um desconhecido blogueiro, ao invés da opinião da pessoa mais velha, eliminando a alternativa da experiência que foi vivida e foi real.
Abraço.
Bom dia! Aqui no Brasil e 10:40 como spre é uma Benção os seus escritos! é um apredizado! Amo ler todas as segundas a sua matéria! Mto bom! Super atualizado e realidade! Vou estar repassando. Deus o abençõe e o guarde! Para Honra e Glória do Sr. Abraços as suas meninas! Um abraço Pastor