ELIMINAR BARREIRAS É O PRIMEIRO PASSO PARA INCLUIR DE VERDADE A PESSOA COM AUTISMO

Muito se fala em inclusão.

A palavra está nas escolas, nas empresas, nas campanhas, nas redes sociais e nos discursos sobre direitos. Mas, no dia a dia, incluir uma pessoa com deficiência exige mais do que dizer que ela é bem-vinda.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência estabelece como princípio a “plena e efetiva participação e inclusão na sociedade” e determina a adoção de medidas para “identificar e eliminar obstáculos e barreiras à acessibilidade”.

Esse ponto é essencial quando pensamos nas pessoas com autismo.

Nem toda barreira é visível. Às vezes, não existe uma escada impedindo a entrada, nem uma porta estreita, nem um problema físico de acesso. A pessoa entra no shopping, no cinema, no aeroporto, na loja ou em uma festa.

Mas pode não conseguir permanecer ali.

Para algumas pessoas com autismo, o barulho excessivo pode ser uma barreira. A iluminação intensa também. Cheiros fortes, muitas pessoas circulando, conversas simultâneas, filas, música alta e avisos sonoros podem gerar uma sobrecarga difícil de administrar.

Também existem barreiras na comunicação.

Algumas pessoas precisam de mais tempo para responder. Outras compreendem melhor quando recebem uma explicação simples, direta e objetiva. Há quem utilize imagens, gestos, comunicação aumentativa e alternativa, como meu filho, ou outras formas de expressão.

Por isso, incluir não é apenas permitir a presença. É perceber quais barreiras estão impedindo aquela pessoa de participar e tentar reduzi-las.

Nem sempre é necessário fazer uma grande mudança.

Um abafador de ruído pode ajudar uma pessoa muito sensível aos sons.

Diminuir a música ambiente pode permitir que ela permaneça mais tempo em uma loja.

Reduzir a iluminação, evitar aromas muito fortes ou oferecer um local mais tranquilo pode tornar um espaço antes insuportável em um ambiente possível.

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A informação antecipada também ajuda.

Saber como será o lugar, quem estará presente, quanto tempo a atividade vai durar ou o que vai acontecer primeiro pode reduzir bastante a ansiedade de algumas pessoas com autismo.

Essas adaptações não eliminam todas as barreiras, mas podem abrir caminhos.

Iniciativas de inclusão

Recentemente, a Sephora anunciou a implantação do chamado Quiet Hours em suas lojas no Brasil.

A proposta é criar períodos com menos estímulos, com música desligada, redução de alguns elementos do ambiente e uma abordagem mais discreta dos funcionários.

A iniciativa foi pensada para pessoas neurodivergentes e para quem apresenta maior sensibilidade sensorial.

Para quem nunca precisou abandonar uma loja porque o ambiente ficou intenso demais, pode parecer uma mudança pequena.

Mas, para uma pessoa com autismo, isso pode significar conseguir entrar, escolher um produto, fazer uma compra e permanecer no local com mais autonomia.

E isso também é inclusão.

Os shoppings são ambientes naturalmente cheios de estímulos.

Tem música, vitrines, cheiros, praça de alimentação, corredores movimentados, anúncios e pessoas circulando o tempo todo.

Nos aeroportos, essa preocupação também ganhou espaço.

Viajar já envolve muitas etapas: fila, inspeção, espera, chamadas sonoras, mudança de portão, bagagem, movimento e muita imprevisibilidade.

Para algumas pessoas com autismo, tudo isso pode se tornar uma sequência de barreiras.

As salas sensoriais e áreas adaptadas oferecem um espaço mais calmo para que a pessoa consiga se reorganizar e seguir viagem.

Isso não resolve todas as parreiras.

Mas pode impedir que o passeio ou a viagem precise terminar antes da hora.

A família e os amigos também fazem parte da inclusão

Nem toda mudança depende de uma empresa, de um shopping ou do poder público.

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Nós também podemos retirar barreiras.

Se você pretende convidar uma família que tem uma pessoa com autismo para uma festa, um almoço ou um encontro, algumas atitudes podem ajudar muito.

Conte com antecedência como será o evento. Diga quem estará presente, se haverá música, qual comida será servida e se existe algum lugar mais tranquilo na casa.

Pergunte se há alguma necessidade específica.

Aceite com naturalidade o uso de abafadores, objetos de conforto, alimentos próprios ou qualquer recurso que ajude aquela pessoa a permanecer no local.

E não se ressinta se a família chegar mais tarde, sair mais cedo ou precisar cancelar.

Às vezes, a vontade de estar junto existe. Mas, naquele dia, as barreiras foram maiores.

O mais importante é continuar convidando. Porque muitas famílias acabam se afastando não porque não querem participar, mas porque participar exige um esforço enorme.

Durante muito tempo, esperou-se que a pessoa com deficiência se adaptasse ao mundo como ele já estava organizado.

Mas a inclusão propõe outro caminho. O ambiente também pode mudar.

Às vezes, isso acontece com um abafador de ruído.

Em outra situação, com uma sessão de cinema adaptada.

Pode ser uma sala sensorial em um aeroporto.

Um horário silencioso no shopping.

Uma loja que reduz a música.

Ou uma família que prepara um cantinho mais tranquilo durante uma festa.

Incluir não é apenas abrir a porta. É criar condições para que a pessoa consiga entrar, permanecer, participar e fazer parte.

Todas as pessoas com autismo devem ter seus direitos respeitados e oportunidades reais de viver em sociedade.

Um beijo e até a próxima quarta-feira.

Veja meu Instagram para mais informações: @querotratamento

Fontes: https://diariodocomercio.com.br/geral/atendimento-inclusivo-sephora-lanca-quiet-hours-no-brasil/

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