Ele chegou sem pedir licença… leve e aconchegante como a brisa do mar em dia de verão… e em outra língua,
me leu.
Há homens que tocam primeiro a pele.
Ele tocou o tempo.
Esse lugar onde a minha mulher já sabe
o que quer
— e o que não aceita mais.
Sua voz tem o peso do vinho servido lento,
da palavra que demora
porque sabe exatamente onde quer pousar.
Italiano no acento,
antigo no gesto,
perigosamente atento a mim.
Com ele, o desejo não explode.
Se instala. Inunda. Fecunda terra de futuro e mãos dadas .
Começa na conversa que se aproxima,
no olhar que demora,
na mão que não invade
— mas incita e convida.
Quando me toca,mesmo que distante, acende a mulher que
não quer urgência. Mas verdade e intenção
É o tipo de toque que conhece o caminho,
mas aprecia o desvio.
Que não procura o corpo
— o reconhece.
E eu, que já não me entrego por desvario ou vertigem,
me dou a ele por vontade.
Entre nós, o silêncio também é amor.
Ele encosta.
Respira junto. Sonha com os próximos passos.
O desejo mora ali:
na pausa,
na proximidade,
no quase que se sustenta
porque sabe ser inteiro.
Há amores que querem tudo.
Esse me quer presença.
E isso, curiosamente,
é o que mais me desnuda”
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