Estamos encerrando o mês de outubro — período em que se celebra, internacionalmente, a Comunicação Aumentativa e Alternativa – CAA e decidi trazer esse assunto tão importante para as pessoas com autismo, pois dificuldades na fala são uma realidade para muitos pacientes.
CAA: o que é e para quem serve?
CAA é o conjunto de estratégias e recursos que apoiam ou substituem a fala oral quando ela não está disponível ou não é funcional. Ela serve para permitir que a pessoa se expresse com autonomia.
A palavra “aumentativa” se refere ao apoio à fala existente. “Alternativa”, quando a comunicação acontece por outros caminhos.
Tipos de CAA
A CAA é dividida em três categorias. Cada uma atende a diferentes perfis e contextos, e muitas vezes são combinadas entre si.
- CAA sem ajuda – ou sem tecnologia: São formas espontâneas de comunicação não oral, que não exigem dispositivos ou materiais externos. Incluem: Olhar direcionado, Gestos, Expressões faciais, Condutas como empurrar, afastar, puxar.
Esses sinais têm valor comunicativo. Precisam ser reconhecidos como parte da linguagem da pessoa, especialmente nos primeiros estágios do desenvolvimento da comunicação.
- CAA de baixa tecnologia: Aqui entram recursos visuais e táteis, simples e acessíveis. São muito utilizados no cotidiano escolar e familiar. Exemplos: Pranchas de comunicação com figuras, símbolos ou palavras; Cartões com comandos visuais (“pausa”, “dor”, “ajuda”); Agendas visuais; Sistema PECS.
Esses materiais são altamente eficazes, quando usados com consistência, apoio profissional e presença em todos os ambientes da pessoa.
- CAA de alta tecnologia: São os dispositivos eletrônicos com saída de voz. A pessoa escolhe imagens, palavras ou símbolos em uma tela, e o equipamento “fala” por ela. Exemplos de aplicativos e softwares: Livox (brasileiro) ou TD Snap.
Essas tecnologias são adaptadas ao perfil de cada usuário e permitem desde a comunicação básica até a formação de frases complexas. O uso pode ser feito em tablets, celulares ou equipamentos dedicados.
Em alguns casos, a fala oral não se desenvolve. Em outros, existe, mas é limitada ou pouco funcional, por isso a CAA pode ser um recurso fundamental. Porque ela permite que o paciente seja compreendido.
Ele pode expressar, com clareza: “não quero mais”, “estou com dor”, “quero sair daqui”, “gostei disso”, “preciso de ajuda”.
Essas mensagens podem vir em palavras, mas também podem surgir por meio de gestos, imagens, pranchas, trocas de figuras ou com o auxílio de um aplicativo que transforma símbolos em fala. Tudo isso é linguagem. Tudo isso é comunicação.
Quando uma pessoa com TEA entrega um cartão, aponta uma figura, toca em um símbolo na tela ou usa um dispositivo que fala por ela, ela está se expressando do jeito que consegue.
E quando esse modo de comunicar é estruturado, acessível e respeitado, damos a ele o nome de Comunicação Aumentativa e Alternativa — CAA.
E a fala? Vai atrasar se usar CAA?
Essa é uma dúvida comum, e é importante esclarecer: os especialistas afirmam que o uso da CAA não atrapalha o desenvolvimento da fala oral. Ao contrário. Quando a pessoa é compreendida, a ansiedade e a frustração diminuem. A interação melhora. O interesse pela troca se fortalece.
A CAA não é uma barreira para a fala. É uma ponte. Ela permite que a comunicação aconteça enquanto a fala não vem — ou mesmo que nunca venha.
Como começar?
A implementação da CAA deve ser conduzida por profissionais qualificados, principalmente formados em fonoaudiologia ou outros profissionais da saúde que sejam especializados em linguagem e comunicação alternativa.
A partir disso, é construído um sistema de comunicação que faça sentido para o paciente — respeitando seu ritmo e sua realidade.
Mas não basta usar a prancha na terapia ou o aplicativo apenas em casa ou na escola. A pessoa precisa ter acesso em todos os lugares — em casa, no hospital, na rua, no restaurante, no transporte público.
Quando uma criança ou adulto usa um cartão para pedir ajuda, uma prancha para dizer que precisa de pausa, ou um aplicativo para dizer “está doendo” — ela está se comunicando.
Se seu filho ou familiar com autismo enfrenta desafios na comunicação, pense na possibilidade de utilizar a CAA. Ela é um recurso de autonomia e dignidade.
E se tiver qualquer dúvida sobre esse assunto, me escreva!
Um beijo e até a próxima quarta-feira.
Juçara Baleki
@querotratamento
Fontes:
https://apaecuritiba.org.br/tecnologiaeducacaodeautistas/
https://teletime.com.br/02/04/2024/comunicacoes-digitais-e-a-inclusao-de-pessoas-com-autismo/
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