Check-in da Lau: o jeito que a gente viaja muda junto com a vida

Outro dia percebi que minhas viagens contam muito mais sobre as fases da minha vida do que sobre os lugares que conheci.

Quando crianças, viajamos em família. São os adultos que resolvem tudo. Fica na memória o carro cheio, as muitas coisas para levar para a praia, a disputa para quem toma banho primeiro. Tudo muito econômico, apertado e divertido ao mesmo tempo.

Depois vem a adolescência, quando começamos a sonhar em viajar com amigos. Eu não fiz essa viagem clássica de turma, mas fiz uma com um namorado. E lembro até hoje do nascer do sol que vimos juntos, também na praia. Talvez algumas viagens fiquem para sempre justamente porque acontecem na fase certa da vida.

Mais tarde vieram as viagens profissionais. E como sou grata por elas. É incrível conhecer um novo lugar, novas pessoas e ainda fazer o que gosta e, na maioria das vezes, sendo paga por isso. Tem responsabilidade, pressão, pouco tempo para realmente curtir, mas existe um orgulho difícil de explicar. Viajei algumas vezes para cobrir eventos como assessora de imprensa e aprendi que certas viagens não são feitas para viver o destino, mas para descobrir se vale a pena voltar um dia.

Depois me casei. Vieram as viagens de casal e, mais tarde, as viagens em família. Outra dinâmica, outra responsabilidade, outros perrengues. Sempre acho que eu, meu marido e minha filha brigamos mais quando viajamos. Talvez porque tudo fique potencializado: hotel, cansaço, decisões, horários, se perder pela cidade, dividir o mesmo espaço o tempo todo. Viajar em família também é conviver intensamente.

Falando em família, talvez uma das viagens mais importantes da minha vida nem tenha sido minha.

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Eu e meu marido conseguimos proporcionar para nossa filha quase um ano viajando pela Europa. E, quando ela voltou cheia de histórias, aprendizados e experiências, aconteceu algo curioso: o orgulho materno ficou um pouco de lado e eu percebi que, de alguma forma, também tinha realizado um sonho meu.

Talvez porque, no fundo, eu sempre tenha sonhado em viajar para viver algo maior do que o turismo. E foi depois disso que comecei a perceber que ainda dá tempo de realizar qualquer sonho.

Fizemos então uma pausa nas viagens em família para viver outro momento: uma viagem só nossa, de casal. Exploramos cada canto de Nova York andando muito, nos perdendo, descobrindo a cidade juntos. E, curiosamente, nos aproximamos ainda mais.

Agora já planejamos outra viagem em família. Mas, ao mesmo tempo, cultivo silenciosamente aquele sonho adolescente que talvez só vá se realizar na vida adulta: viajar sozinha. Não só por turismo, mas para fazer um intercâmbio.

O plano do intercâmbio, inclusive, já existe.

Geminiana ansiosa, o que fala mais alto aqui: o sonho ou a necessidade de já imaginar tudo acontecendo?

Na verdade, tenho três destinos em mente. E percebi que isso também tem muito a ver comigo. Nunca seria só sobre estudar uma língua. Precisa existir experiência junto.

O primeiro seria no Canadá, para turbinar o inglês e viver um pouco da cultura local. Esse ainda é o mais racional da lista, talvez porque pareça mais possível financeiramente.

Depois viria a Itália. Não só para estudar italiano, mas para explorar a gastronomia enquanto tento sobreviver dizendo “parlo italiano” pelas ruas.

E, por fim, Paris. Porque, aparentemente, eu decidi que entender mais de vinhos também precisa acontecer direto da fonte.

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No fundo, talvez eu não queira apenas aprender idiomas. Quero viver lugares.

Hoje, prestes a completar 47 anos, me pego pesquisando isso quase como uma adolescente sonhando escondido. Não porque ache que vou voltar fluente em inglês depois de um mês, mas porque existe uma vontade muito maior ali. Uma vontade de viver algo novo, de sair da rotina, de me descobrir também em outro lugar do mundo.

Tantos planos… e eu prestes a completar 47 anos. Ou talvez “ainda” prestes.

Porque algumas vontades não diminuem com o tempo. Elas transbordam. E, quando isso acontece, fica difícil fingir que não existem.

A vida real, claro, tenta interromper o caminho o tempo inteiro. Trabalho, boletos, rotina, medo, cansaço. Mas talvez crescer também seja perceber que alguns sonhos não precisam desaparecer só porque demoraram mais do que imaginávamos.

Talvez algumas viagens tenham mesmo a hora certa para acontecer. E talvez existam sonhos que não desaparecem. Eles só esperam a fase certa da vida para voltar.

E talvez exista alguém lendo isso agora pensando exatamente a mesma coisa. Muitos talvez, mas uma grande certeza de que cada fase da minha vida me leva para um destino diferente, no mundo e em mim mesma.

Então um beijo e até o próximo Check-in da Lau — ainda acreditando que alguns sonhos não envelhecem. Só amadurecem antes de acontecer.

 

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