Check-in da Lau: o que acontece quando você sai do automático social

Check-in da Lau: o que acontece quando você sai do automático social

Eu parei de beber por um tempo. Não por um grande motivo, nem por uma decisão radical. Só porque percebi que, na maioria das vezes, eu bebia sem pensar muito. Era quase automático. Um encontro, uma comemoração, um jantar, uma taça aparecia. Não porque eu queria, mas porque era o que se fazia.

E foi aí que veio a parte mais curiosa. Não foi difícil parar. Difícil foi explicar.

Porque quando você sai do automático social, sempre vem a pergunta. “Você não está bebendo?” “Mas por quê?” E, quase sempre, não é curiosidade genuína. É estranhamento. Como se, ao não fazer algo que todo mundo faz, você precisasse justificar.

No meu caso, a resposta é simples. Estou fazendo uma promessa. É verdade, é suficiente e resolve. Mas, no fundo, essa resposta também funciona como um limite. Porque nem todo mundo precisa saber mais do que isso. Nem todo mundo merece contexto. E, principalmente, nem toda escolha precisa ser explicada em detalhes.

O curioso é que o vinho, assim como tantas outras coisas, está muito menos ligado ao gosto e muito mais ao ritual. O Brasil vive um momento de democratização do consumo, com rótulos mais acessíveis e uma busca maior por entender o que se bebe. Uvas como Cabernet Sauvignon e Merlot se tornaram populares não só pelas características do vinho, mas porque combinam com hábitos já estabelecidos, como o churrasco, o encontro, o social. O vinho entra na mesa como parte do momento, não necessariamente como escolha consciente.

E talvez seja aí que mora o ponto. A gente não bebe só pelo sabor. Bebe pelo contexto. Pela companhia. Pela expectativa do ambiente. Assim como faz tantas outras coisas sem parar para pensar.

Quando você decide não beber, mesmo que por um tempo, o que muda não é só o que está no seu copo. Muda a dinâmica. Muda o olhar das pessoas. Muda a forma como você se posiciona naquele espaço.

E é interessante perceber como isso se estende para outras escolhas. Não comer algo. Não ir a um lugar. Não seguir um padrão esperado. Sempre existe um pequeno desconforto coletivo quando alguém foge do roteiro.

Mas, no fundo, não é sobre o vinho. É sobre o quanto a gente faz coisas sem se perguntar se realmente quer. E sobre o quanto sair desse automático exige mais do que decisão. Exige sustentar a escolha.

Hoje, eu não estou bebendo. E está tudo bem. Não preciso de um grande motivo, nem de uma explicação elaborada. Às vezes, dizer não já é suficiente.

Porque, no fim, talvez a pergunta não seja por que alguém escolhe beber. Mas por que causa tanto estranhamento quando alguém escolhe não fazer.

Então um beijo e até o próximo Check-in da Lau, com um pouco mais de consciência — e um pouco menos de automático.

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Laura Moura Lima

Laura Moura Lima

Laura Moura Lima – criadora de conteúdo digital – formada em Jornalismo pela FIAM em 2002. Começou a carreira como redatora de revista depois passou para assessoria de imprensa especializada em de gastronomia. Atualmente tem um blog exclusivo com dicas de hospedagens. Apaixonada por viagens e hotéis acredita que a hospedagem é muito mais do que um lugar só para dormir durante a viagem. Criadora do projeto Checkinsp onde traz para seguidores e leitores todas as experiencias incríveis que se pode viver em um hotel, durante uma viagem ou na sua própria cidade.
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