No caminho do coworking, entre Taboão da Serra e o Carrão, comecei a reparar na quantidade de prédios novos surgindo perto das estações de metrô. E, sem perceber, pensei em outra coisa: será que a gente está morando em espaços menores… e viajando para sentir mais espaço?
A gente aceita viver mais compacto no dia a dia…
e paga para respirar quando viaja. E, de preferência, que seja um lugar mais perto, para evitar longos deslocamentos e não estourar o orçamento — ainda mais em um ano como 2026, cheio de feriados prolongados.
E talvez isso não seja só uma impressão.
Dados recentes mostram que os brasileiros têm priorizado viagens curtas, perto de casa, especialmente em feriados. Não é mais só sobre sair de férias por muitos dias, mas sobre aproveitar pequenas pausas para descansar, viver uma experiência e, principalmente, desacelerar sem tanto desgaste.
E é curioso como isso conversa diretamente com o jeito que a gente vive hoje.
A cidade pede escolhas práticas. Morar perto de tudo, mesmo que isso signifique abrir mão de espaço. Apartamentos menores, rotinas mais dinâmicas, tempo contado. Funciona — até certo ponto.
Porque, quando surge a oportunidade de viajar, mesmo que por pouco tempo, parece que o movimento se inverte.
A gente não quer só mudar de lugar. Quer mudar de sensação.
Quer um quarto onde dá para circular sem esbarrar em tudo. Quer silêncio. Quer tempo. Quer aquele café da manhã sem pressa, a cama arrumada, o banheiro que vira um momento e não só uma função.
Talvez seja por isso que o hotel deixou de ser só um apoio para a viagem e passou a ser parte central da experiência.

E isso, para mim, não é exatamente novidade. Sempre falei que hotel não é só lugar para dormir. Mas agora parece que essa percepção ganhou mais força. Não porque os hotéis ficaram necessariamente maiores ou as casas menores, mas porque a nossa rotina mudou.
A gente passou a viver de um jeito mais funcional e, quando pode, busca o oposto disso.
Claro que não existe uma regra única. Ainda existem casas grandes e hotéis pequenos. Como esquecer de Nova York, onde já me hospedei em um quarto com beliche, banheiro compartilhado e zero espaço? Aquele turismo raiz sempre vai existir e, muitas vezes, faz parte da experiência.
Mas também existe esse outro movimento. O de “ir logo ali” e viver o hotel por completo. Aproveitar o que ele oferece, muitas vezes com mais conforto do que a própria casa.
Porque, no fundo, isso também não é tão novo assim.
Sempre existiu aquela sensação de que a cama de hotel é diferente. O banheiro mais confortável. A rotina mais leve. Só que, agora, talvez a gente esteja buscando isso com mais intenção.
Menos deslocamento, mais experiência.
Menos excesso, mais sentido.
Talvez viajar perto de casa não seja só uma tendência.
Talvez seja uma forma de recuperar, por alguns dias, o espaço — físico e mental — que a gente abriu mão na rotina.
Então um beijo e até o próximo Check-in da Lau: com um pouco mais de respiro e um pouco menos de aperto.
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