Check-in da Lau: Viajar também muda quando a gente muda

Falta um pouco mais de uma semana para a viagem e a ansiedade já bate forte por aqui. Só que, desta vez, percebi que a preparação não é exatamente a de uma viagem normal. Tem documentos, malas, reservas, aplicativos, dinheiro, seguro, checklist… mas existe um adicional aí que só uma mulher que passou dos 45+ talvez entenda.

Confesso que ando trabalhando muito e estou tão cansada que nem estou curtindo tanto esses preparativos. E acho que isso também faz parte dessa nova fase da vida. Por enquanto, os exames químicos e hormonais não apontaram alterações, mas os sintomas batem muito com o que se fala sobre a pré-menopausa. Então viajar agora tem outro contexto. É preciso considerar o corpo que eu tenho hoje, e não aquele que eu tinha há alguns anos.

Tenho me pegado pensando em como vai ser bom esse roteiro com apenas dois lugares: Paris e Londres. E, ainda por cima, lugares que já conhecemos. Nada de ticar uma lista interminável de atrações turísticas. Nada de correr para conhecer tudo. Quero alguns dias me sentindo local. Acordar, sair e ver o que acontece. Rever lugares de que gostei. Entrar em uma livraria. Conhecer um pub. Parar para um café. Talvez simplesmente andar sem um destino tão definido.

Só que, ao mesmo tempo, estou preocupada com uma combinação que não parece muito favorável: calor, longos percursos e enxaqueca. Ontem mesmo fiz um trajeto de 35 minutos a pé, em apenas 19 graus, com o tempo nublado, e cheguei ao destino desintegrada de tanto suar. E, claro, com uma leve crise de enxaqueca. Isso sem falar no cansaço físico e até emocional. Tenho certeza de que aqueles exames estão me trolando. Hahaha.

Então preciso de um plano simples. Me alimentar bem. Estar sempre hidratada. Diminuir as distâncias quando for possível. Fazer pausas. Respeitar o meu ritmo. Afinal, que maravilha esse roteiro feito para uma jovem senhora de 47 anos, sem diagnóstico de pré-menopausa, mas enlouquecendo mesmo assim.

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Também tem a memória. Não sei se é impressão minha ou se ela realmente está me pregando algumas peças, mas, como vou viajar com a minha filha, o checklist entra em cena. E, neste caso, sem culpa. Quero deixar tudo na palma da mão, no celular: documentos, aplicativos, reservas, seguro, dinheiro, endereços, informações importantes. Se a memória resolver tirar férias antes de mim, pelo menos os dados estarão lá.

Lembro da última viagem internacional, para Nova York. Foi uma viagem bem mais padrão turista. Andamos muito. E quase sempre, por volta das 15h ou 16h, eu e meu marido já estávamos de volta ao hotel para uma parada estratégica: banho, lanchinho e descanso. Pouco descanso, porque brasileiro não pode dormir em dólar. O que dirá em libras!

Só que esse cenário provavelmente não será possível desta vez. Nosso “não roteiro” inclui sair cedo e explorar a cidade, voltando no final do dia, a não ser nas noites em que teremos alguma coisa específica para fazer. E acho que é aí que entra a preparação de verdade: não preparar apenas a mala, mas preparar o meu jeito de viajar.

Não quero chegar a Paris ou Londres tentando provar que dou conta. Quero aproveitar. E, para aproveitar, talvez precise aceitar que nem todos os dias terão a mesma energia. Que pode existir um dia de muitos quilômetros e outro de poucas quadras. Que um museu pode ser mais interessante do que três pontos turísticos. Que sentar em um café também faz parte da viagem. Que voltar para o hotel mais cedo não significa perder o dia.

Talvez essa seja mais uma coisa que estou aprendendo: não é preciso chegar ao destino com o corpo pronto para acompanhar o roteiro. É o roteiro que precisa estar disposto a acompanhar a gente.

E isso vale também para a ansiedade. Porque espero não me estressar. Essa fase tem sido uma verdadeira montanha-russa de sentimentos. Uma hora estou dançando na cozinha. Na outra, querendo jogar o celular na parede. Da alegria à tristeza, às vezes sem explicação. O medo aparece, a preocupação com o que pode acontecer vem antes do acontecimento e a cabeça tenta resolver amanhã enquanto eu ainda estou vivendo hoje.

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Então, nos próximos dias, além de separar documentos e pensar na mala, estou tentando fazer uma coisa que talvez seja mais difícil: desacelerar. Não quero transformar a preparação da viagem em mais uma obrigação. Quero chegar lá inteira. De corpo, cabeça e coração.

E, quando chegar, quero lembrar de tudo o que venho aprendendo e compartilhado por aqui: que viajar não é preencher um mapa. Que não preciso conhecer tudo. Que posso voltar a lugares que já conheço. Que posso escolher. Que posso mudar de ideia. Que posso até passar algumas horas sozinha em Londres, sem transformar isso em uma prova de independência.

Agora percebo que o meu planejamento também é uma forma de ocupar espaço. Só que, desta vez, com mais cuidado.

Porque eu ainda quero andar muito. Quero conhecer lugares. Quero comer, beber, descobrir, fotografar e me perder um pouco pelas ruas. Só não quero me perder de mim no meio disso tudo.

Faltam pouco mais de uma semana para a viagem. A mala ainda não está pronta. O roteiro também não. Mas acho que estou entendendo que essa talvez seja a preparação mais importante: viajar no meu ritmo, com a energia que tenho hoje, e descobrir quem é essa Laura de 47 anos em Paris e Londres.

Agora começa a parte que ainda não sei contar. Será que o planejamento vai funcionar na prática? A ansiedade vai embarcar comigo? Vou conseguir respeitar meu ritmo? Nas próximas semanas, vocês vão descobrir comigo. Quero mostrar Paris e Londres sem checklist de turista, com mais calma, atenção e curiosidade. Lugares que já conheço, mas que quero olhar de novo. Porque, desta vez, não sou mais a mesma Laura que esteve lá antes.

 

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